Coluna Ozinil Martins | A geração mimimi e o futuro

08 de Julho de 2019

Tomei conhecimento da proposta de um pai em uma reunião realizada em colégio conceituado do Estado em que sugeriu atividades a serem realizadas nos finais de semana, pois este era o único tempo que tinha disponível para si. Obviamente a proposta foi rejeitada

Foto: shutterstock

Pais que não têm disponibilidade para seus filhos não deveriam gerá-los; filhos demandam tempo, geram desgaste nas relações familiares, criam problemas que produzem estresse, mas fazem parte da vida dos pais. A geração mimimi nasceu a partir de uma Educação benevolente (pais que cedem para não se incomodar), de pais ausentes e da perda de autoridade de professores. A geração mimimi cresce e questiona a sociedade em seus valores essenciais. Não querem estudar nem trabalhar; vivem à sombra do trabalho de pais e avós acreditando que o futuro será uma continuidade do presente. Não se preocupam e vivem, intensamente, apenas o presente. Querem tudo sem dar nada em troca; rejeitam os valores que produzem uma sociedade sadia e competente. Não ouvem os pais e sequer aceitam recomendações as mais comezinhas possíveis; se encontram professores exigentes logo buscam apoio para fazer abaixo assinados pedindo a substituição dos mesmos ou, em alguns casos, as agressões verbais e físicas são a consequência. Recentemente, em Brusque, um comandante policial foi ofendido por um jovem de 16 anos, quando visitava uma escola. Esperar o que do futuro quando, nem pais, nem autoridades conseguem se fazer respeitar? Que futuro terão estes jovens e quais resultados terá o país com gerações e gerações mal formadas no que é básico? Como escrevia Luiz Fernando Veríssimo, você que é um dos meus 17 leitores, fica com a resposta.  

Desindustrialização caminha a passos largos

Recentemente a fábrica da Hering de Indaial encerrou suas atividades produtivas. Na última segunda feira mais dois municípios do sul foram surpreendidos com o encerramento de atividades fabris; em Palmeiras das Missões a fábrica da Nestlé e em São Leopoldo a fábrica da Deca redundando, os três eventos, na eliminação aproximada de 900 postos de trabalho. As causas são conhecidas; legislação trabalhista, que apesar da recente reforma, continua obsoleta e engessa os empresários em verdadeiras camisas de força, sindicatos com visão de mundo absolutamente paternalista, custo do trabalho absurdamente elevado com encargos trabalhistas, segundo o Prof. José Pastore , chegando aos 102% sobre o salário pago, o recurso da Justiça Trabalhista usado de forma inapropriada por ex-empregados inviabilizando inúmeras empresas, além do poder coercitivo do Estado em impor impostos abusivos para sustentar um Estado perdulário e ineficaz. Enquanto países dão exemplos de gestão em relação a seus recursos o Brasil insiste em caminhar para o passado. Quando um deputado como o Tiririca se arvora em criticar o Presidente da República por sua soberba e negativa em assumir o troca – troca, parece-me que “a vaca já está no brejo.”

A crise é longa e será dura!

Dados divulgados pelo IBGE informam que, de 2014 a 2017, 80 mil empresas comerciais encerraram suas atividades e 410 mil pessoas perderam seus empregos gerando pobreza e insegurança e criando um clima de desalento que compromete o processo de gestão de qualquer governo. A Argentina vive uma brutal crise econômica que jogou milhares de argentinos na pobreza e, se olharmos para o passado recente, o país vizinho já foi a 5ª economia do mundo ao final da 2ª Grande Guerra. Hoje, vítima de governos populistas, perdulários e com projetos de poder, restou à crise da qual é fácil entrar e difícil de sair. O Brasil se não estimular sua economia, com 13 milhões de desempregados e com outro tanto de desalentados (deixaram de procurar empregos), caminha pela mesma trilha que nosso vizinho platino. Brasil e Argentina, vítimas de quadrilhas que, só tinham como objetivo a implantação de um sistema arcaico e perdulário de governo, pagam e pagarão alto preço pela saída da crise brutal que os acomete. Reformas são urgentes e devem ser realizadas sem a política do “toma lá, dá cá” a que o congresso se acostumou durante anos. Hora de priorizar o país!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.