Coluna Ozinil Martins | Futuro do Mercado de Trabalho

08 de Dezembro de 2020

A mudança trazida pela pandemia veio para mudar a forma como trabalhamos

Tema recorrente nas colunas em que escrevo, volto ao mercado de trabalho. Quando li, nos anos 90 do século passado, o livro “O Fim dos Empregos” De Jeremy Rifkin e mais tarde “Um Mundo Sem Empregos” de Charles Handy comecei a estudar, sentir e acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. Daqueles tempos até os dias atuais a evolução da tecnologia eliminou empregos mundo afora. Segundo Al Gore, em seu livro “O Futuro” a produção industrial cresceu 133% contra a diminuição de 33% nos postos de trabalho; isto só nos últimos 25 anos a contar do lançamento do livro. Hoje estes números são maiores. 

Os efeitos da informatização, da mecanização e da automação proporcionados pela Inteligência Artificial transformam em pó os postos de trabalho exercidos por atividades manuais e que podem ser mecanizados a qualquer momento. Tanto que a expressão mão de obra é, atualmente, totalmente anacrônica. As empresas buscam, efetivamente, pessoas que saibam pensar para acompanhar os processos mecanizados e automatizados que formam suas linhas de produção. 

O pós - pandemia deve agravar este quadro de forma crítica já que algumas formas de trabalho que eram exercidas de forma tímida provaram, durante a pandemia, serem eficazes e traduziram-se em resultados efetivos e com menor custo para as organizações; homework é só um exemplo. Vêm mais mudanças por aí!

E o que fazem a maioria dos governos? Talvez, acreditem que seja só uma mudança temporária e que tudo voltará ao normal. Alguns países, cujos dirigentes têm visão mais acurada, já perceberam que a mudança que nos atingiu mudará o mundo e passaram a agir. A Espanha, através do Partido Más, enviou ao governo proposta de alteração da jornada de trabalho de apenas 4 dias úteis, ou seja 32 horas semanais, que visa aumento de produtividade, melhoria nas condições de saúde dos trabalhadores e redução no impacto ao meio ambiente.

Experiências como esta já existem em outros países e é praticada, também, isoladamente por empresas. Em agosto de 2019 a Microsoft lançou modelo similar de jornada em suas empresas no Japão, com queda de 23% no consumo de energia e a quantidade de folhas impressas diminuiu 58,7%, ao mesmo tempo em que as vendas aumentaram em 39,9% e a produtividade em 40%. Unilever, em 2020, está experimentando o modelo na Nova Zelândia para expandi-lo ao grupo de maneira geral.

O país com menor jornada de trabalho no mundo é a Holanda (29h semanais) e seu salário médio é de U$ 3.900; seguem Dinamarca (33h semanais) salário médio U$ 3.800; Noruega (33h semanais) U$ 3.800; Irlanda (34h semanais) U$ 4.300; Alemanha (35h semanais) U$ 4.200; Suíça (35 h semanais) U$ 4.200; Bélgica (35 h semanais) U$ 3.700; Suécia (36h semanais) U$ 3.200; Austrália (36h semanais) U$ 3.750 e Itália (36h semanais) U$ 2.900.Fonte: SocietyGlance da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Será esta a explicação do porque os profissionais brasileiros qualificados migram para outros países? 

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