Coluna Ozinil Martins | Fragilidades que nos sustentam

19 de Março de 2020

Uma pandemia colocou a estrutura social e econômica do planeta de joelhos

Foto: editoria de arte/ O Globo

 

O previsível aconteceu! Uma pandemia colocou a estrutura social e econômica do planeta de joelhos. Fatos anteriores ocorridos já mostraram as consequências a que os países estavam expostos na medida em que escapassem de controle as doenças que nos surpreendem a cada espaço de tempo. Nesta pandemia do novo coronavírus o surpreendente foi à velocidade com que o vírus espalhou-se pelo mundo. 

Começando na China, passando pela Coreia do Sul e Irã, chegou a Europa e disseminou-se pelas Américas. Em pouco tempo o mundo estava contaminado e, com pouco conhecimento sobre o vírus, sem vacina e sem um tratamento definido. A aprendizagem está sendo na “marra”.

Impressiona em todo este movimento a fragilidade dos sistemas que mantem o mundo em funcionamento. A globalização que orientou a economia no mundo nos últimos anos e permitiu a formação de cadeia de negócios mundiais e, distribuiu renda pelo mundo tirando muita gente da pobreza, mostra-se frágil em momento de crise; faltam produtos em linhas de montagem ao redor do mundo, pois a China, o país originário da pandemia, é a grande fornecedora de máquinas, equipamentos e insumos para indústrias em todo o mundo e foi fortemente afetada em sua produção industrial, deixando seus clientes à deriva. O vírus age, exatamente, como se fosse à globalização reversa!

Mas, do mesmo país originário, vem um ideograma - crise - que quando expressado tem o sentido de ameaça ou oportunidade. Em momentos como este há empresas e pessoas que soçobram e outros que aproveitam para exercitarem a recriação. Crise é campo fértil para ousadia! Enquanto uns ficarão esperando por decisões governamentais sobre o que fazer, outros estarão fazendo. Enquanto a maioria estará se desfazendo de ações e outros bens procurando uma segurança que a crise ignora, outros estarão fortalecendo sua carteira de ações comprando-as de empresas que, seguramente, sairão da crise fortalecidas. O exemplo que vem da China é significativo; portos estão voltando às operações, fábricas retomam suas produções e o povo volta a sorrir, no mínimo por ter sobrevivido.

O que não pode acontecer, por mais sombrio que seja o cenário, é permitir que o pânico se instale no país. A corrida aos supermercados, apesar das repetidas afirmações dos responsáveis de que não há ou haverá desabastecimento, é inconcebível e, só se justifica pela ignorância e egoísmo de um povo mal educado e formado. Como já afirmou Bertrand Russell “A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda pra ver.” Em momento de crise ser racional é ser inteligente e solidário!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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