Coluna Ozinil Martins | Educação: 2020 um ano perdido!

10 de Agosto de 2020

O descaso de autoridades e do próprio povo com a educação.

Os problemas apresentados pela educação praticada no Brasil são sobejamente conhecidos. Agravá-los seria difícil, mas não impossível a partir da pandemia que atingiu o mundo. Desde março, com a interrupção das aulas presenciais, o país vive um dramático dia a dia na educação.

Da inexistência de planos contingenciais por parte das instituições de ensino até a demora em responder as novas necessidades ficou escancarado o descaso de autoridades e do próprio povo com a educação. As instituições que já possuíam plataformas de Ensino a Distância (EaD) reagiram com presteza e, praticamente, não sofreram ruptura no cumprimento do programa. As demais sofreram interrupções e, algumas, até hoje, sequer voltaram às atividades.

No ensino básico e médio as deficiências foram expostas de maneira grotesca. Primeiro a demora em entender o problema e, posteriormente, a demora em buscar as soluções. Constatações da existência de alunos sem os equipamentos necessários para aulas virtuais, à demora em treinar os professores para conduzir as atividades à distância e o, absoluto, despreparo dos pais em acompanhar as atividades virtuais ou não de seus filhos. O resultado que se vê é o cansaço dos jovens pelo uso da nova tecnologia a que não estavam acostumados e o desgaste dos professores que, apesar de muitos terem sido usuários do sistema EaD, poucos tinham sido protagonistas na nova modalidade. O distanciamento entre o ensino público e privado aprofundou-se!

A constatação que parece gritante é de que, enquanto a educação não for a maior prioridade de qualquer governo, o país não encontrará solução para os demais problemas que o afligem. Dinheiro existe! Definir onde alocá-lo é papel dos governantes que são eleitos pelo povo. Enquanto o povo não perceber que educação é mais importante que asfalto, que festas populares e penduricalhos que a nada levam, continuará o país a reclamar de suas mazelas.

O papel a ser exercido pelos pais neste contexto é crucial. Pais que estão felizes com o que recebem seus filhos hoje em suas escolas. No seu tempo de estudantes não existia transporte escolar, não existiam as refeições hoje oferecidas, não havia escola em tempo integral e os professores só eram professores de crianças educadas. Hoje, as escolas têm estes recursos, mas com boa parte dos pais omissos, que não cumprem seu papel de acompanhar, orientar e supervisionar as atividades escolares de seus filhos. Hora de entender que escola não é depósito de criança e que participar na vida escolar de seus filhos é fundamental. A delegação desta responsabilidade aos professores é indevida!

No ensino superior o exemplo negativo vem das Universidades federais. Por uma questão ideológica o EaD foi rejeitado pelos vários conselhos destas instituições e, depois de muita pressão da imprensa e da sociedade, algumas delas voltarão as atividades em 31.08.2020. Garantem que recuperarão o semestre perdido, o que fica difícil acreditar. Os rankings internacionais de classificação de nossas universidades mostram claramente que se gasta muito dinheiro com baixíssimo retorno.

Enfim, este é o quadro! Paliativos não resolvem e o ano está perdido. As escolas comprometidas com seus estudantes devem reprogramar o ano de 2021, incluindo o conteúdo de 2020, de forma a ofertar ao estudante aquilo que lhe foi subtraído durante o ano que vivemos.

Importante considerar a resistência de parte da sociedade à volta as aulas. Casos de covid-19 em crianças são raros, houve países que sequer interromperam as aulas e, em todo o mundo, a volta às aulas está sendo uma realidade. Se a própria Organização Mundial de Saúde está defendendo que talvez não surja nenhuma vacina eficaz para o combate ao vírus, se há pessoas sendo contaminadas pela segunda vez, penso que será necessário que aprendamos a conviver com o vírus e, entendo que a volta às aulas, com todos os cuidados necessários, se faz necessária para que sejam minimizadas as consequências aos jovens do país.

Foto de Vasily Koloda no Unsplash

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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