Coluna Ozinil Martins | Desculpem se envelhecemos!

06 de Julho de 2020

Relutei muito em escrever sobre o tema, mas tornou-se inevitável

 

Relutei muito em escrever sobre o tema, mas tornou-se inevitável. De algum tempo para cá parece que envelhecer tornou-se um anátema; a começar pela sinalização que indica as prioridades para os idosos. Ela é deprimente! Garanto que o pessoal de design se quisesse faria uma imagem mais adequada do que a atual, que mostra pessoas curvadas apoiando-se em bengalas.

Importante lembrar que, em 2050, segundo o IBGE, para uma população estabilizada em 220 milhões de habitantes, o país terá 48 milhões de idosos mantida a regra atual de classificação. Informação preciosa para gestores públicos e estudantes em formação profissional.

Com o alongamento da vida pela melhoria da infraestrutura básica, pelo avanço da medicina, pela melhoria da qualidade de vida, a idade média de vida das pessoas, no Brasil, passou dos setenta anos. Lembro que, quando criança, uma pessoa de 50 anos era considerada idosa, hoje, nesta idade, está se entrando na idade mais produtiva de qualquer carreira profissional. É o momento da criatividade, da inovação aliada à experiência de uma vida profissional bem vivida. Mas, o país inóspito para todos, transformou os idosos em causa de todos os problemas. Esquecendo-se da máxima que diz que devemos “viver jovens o maior tempo possível".

Envelhecer é consequência natural da vida. Logo, trabalha-se dentro das normas legais do país para aposentar-se depois de tempo determinado e gozar, no final de sua vida, de um merecido repouso. Então o que acontece? Os idosos são considerados a razão dos problemas do país porque oneram o sistema de aposentadoria e impedem os investimentos fundamentais dos quais o país é carente. Mas, estes sinhozinhos não pagaram durante anos sua contribuição previdenciária para compor seu pecúlio que lhe seria devolvido, em módicas parcelas, após sua aposentadoria? Os idosos não são responsáveis pela má gestão dos sistemas governamentais, entre eles a aposentadoria.

O Japão tem a maior população de idosos do mundo e, de idosos centenários; só aí são mais de 100 mil idosos e o tratamento a eles dispensado é primoroso. Monitorados o tempo todo à distância pelo sistema de saúde são tratados com respeito e dignidade. Por que tem que ser tão ruim o tratamento dado aos idosos em “Terra Brasilis?”.

Agora com a Covid19 escancarou-se o preconceito que de velado passou a explícito. Independente de seu estado de saúde cabe aos idosos ficar em casa. Esta é a ordem emitida pelas autoridades seguidas de ameaças de todo tipo. Esquecem-se das estatísticas que mostram que a faixa etária mais atingida pela doença está entre 30 e 40 anos de idade. É óbvio que os idosos, pelo desgaste natural do tempo, são mais frágeis e vulneráveis que os jovens, em contrapartida já viveram o suficiente para andar pelos atalhos que a vida ensina.

Importante frisar que entendo desnecessários os privilégios concedidos a idosos em filas, passagens de ônibus, entre outros; entendo que devem existir privilégios para aqueles, idosos ou não, que têm limitações físicas ou são carentes financeiramente.

No mais, o idoso deve ser tratado como um cidadão comum. Generalizar é, quase sempre, um caminho ingrato.

Ah! E, por favor, parem de rotular a velhice como a melhor idade, pois está é uma manipulação, que na altura da vida que transitamos, não merece ser feita. Melhor idade é a juventude, quando os limites estão apenas na lei e não, em nossas cabeças e no físico. Lembrem que os idosos não têm idade, têm vida!!!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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