Coluna Ozinil Martins | Cuba Libre! Liberdad Siempre!

11 de Julho de 2021

"O domingo, 11 de julho de 2021, ficará para sempre na memória de quem preza a liberdade."

Foto de Matthias Oben no Pexels

O domingo, 11 de julho de 2021, ficará para sempre na memória de quem preza a liberdade. O mundo foi sacudido com a notícia de manifestações em Cuba. O povo foi às ruas para pedir liberdade, medicamentos e o fim da ditadura que já dura mais de 60 anos. Aparentemente o movimento popular foi espontâneo e fruto do esgarçamento do tecido social, em outras palavras, o povo cansou.

Lembro que em 1994, em Havana, ocorreu um movimento parecido e que foi sufocado rapidamente. A repressão foi violenta e o medo se estabeleceu. Cuba vivia o que ficou conhecido como “período especial”, ou seja, o fim do repasse financeiro, a fund perdido, do governo russo a Cuba. A fome estava presente no cotidiano das pessoas, o salário mínimo equivalia a 6 dólares e a economia da ilha em crise profunda.

Em 1996 fui contratado, por empresa que lá estava se instalando, para implantar a área de Gestão de Pessoas e tive oportunidade de conhecer e conviver fora dos círculos oficiais, isto é, conviver com o povo. O grande produto de exportação de Cuba sempre foi o açúcar e a produção havia caído de 8 milhões de toneladas ano para perto de 3 milhões de toneladas e sem dinheiro novo a crise se instalava e prosperava. Pessoas se apresentavam para trabalhar, voluntariamente, em troca da alimentação do dia. O paraíso comunista foi obrigado a abrir-se, contra a vontade, ao turismo e ao dólar. Com isto criou uma forma de comércio, que só operava em dólar, “Tiendas Internacionales”, que incentivou as pessoas na busca pelo dinheiro forte em contato com os turistas que lá aportavam. A prostituição cresceu de forma exponencial, apesar das negativas governamentais.

Quais as diferenças cruciais que aconteceram entre o evento de 1994, rapidamente sufocado e sem grandes repercussões internacionais e 2021 em que o evento repercutiu no mundo?

A primeira grande mudança ocorreu em relação ao início das manifestações que, em 1994, foram em Havana e agora ocorreram em San Antonio de los Baños, estendendo-se, rapidamente pelo país; a segunda grande mudança foi o recrudescimento da pandemia que estava aparentemente controlada e, a falta de medicamentos para combater a pandemia com o consequente aumento dos contágios e no número de mortos e, óbvio, a liberdade proporcionada pelo uso das redes sociais que trouxe o movimento para a casa das pessoas (lembrando da blogueira cubana, Yoani Sanchez). A ironia é que a flexibilização no uso da internet foi proporcionada pelo último período do governo de Raul Castro e que agora o Presidente Miguel Dias-Canel mandou retirar do ar em uma tentativa de conter as manifestações.

Dois fatos, após o evento de domingo, devem ser mencionados; o primeiro é a declaração do governo cubano de que a culpa pela crise social e econômica passa pelo embargo americano à ilha. Ledo engano! A culpa pela crise é somente do governo cubano que se acostumou a viver de mesada de outros países para sustentar a utopia comunista. Primeiro, o dinheiro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS, depois do dinheiro do petróleo venezuelano e por último o repasse do dinheiro dos médicos cedidos ao Brasil. Cessada a entrada do dinheiro, as crises se sucedem e, segundo o silêncio ensurdecedor dos partidos que defendem o comunismo no Brasil. Nenhuma declaração de repúdio aos tiros de fuzis contra o arremesso de pedras!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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