Coluna Ozinil Martins | Competir ou Cooperar? Eis a questão!

05 de Novembro de 2019

Enquanto a população aumenta vertiginosamente a distribuição de renda caminha a passos lentos

Há uma estória contada no meio oeste americano que vale a pena ouvir. Um fazendeiro ganhou pela quinta vez consecutiva o prêmio por apresentar as mais belas espigas de milho da região, perguntado qual o segredo do sucesso, disse ele que compartilhava as melhores sementes com seus vizinhos e, ante o espanto do repórter, explicou que, se os vizinhos plantassem boas sementes ele seria beneficiário, pois o vento se encarregaria de produzir a polinização com boas sementes, produzindo safras cada vez com mais qualidade.

Transportando esta estória para o mundo de hoje, quando a concentração de renda se acentua de maneira geral e, o aumento do número de pobres se materializa nas estatísticas mundiais, poder-se-ia, se fosse de interesse da humanidade, aprender que há soluções para resolver este grande problema.

Já em 1981, Ignácio de Loyola Brandão, escrevia o livro “Não Verás País Nenhum”, em que abordava o tema da concentração de renda e da sua consequente violência, criando a figura dos condomínios fechados, onde seus moradores se recolhem como prisioneiros das circunstâncias que os circunda e, os marginais vivem livremente em desrespeito a todas as regras estabelecidas.

Enquanto a população aumenta vertiginosamente, com previsão de chegar a 10 bilhões em 2050, a distribuição de renda caminha a passos lentos, trazendo o aumento da pobreza e das carências nas áreas da saúde, educação e emprego, comprometendo a qualidade de vida de todos, pois de que adianta ter tudo se meu vizinho nada tem.
Esta é uma reflexão que, necessariamente, deverá ser feita pela humanidade! Aonde queremos chegar? À competição que nos transforma em vencedores ou derrotados ou à cooperação que permite a todos a possibilidade de crescimento e de exercer uma vida digna? Nada do que está sendo escrito depõe contra a meritocracia, que se deve  reconhecer como diferencial entre as pessoas, nem como forma de se entender a igualdade absoluta entre as pessoas, pois isso é utopia, mas sim, como uma maneira de diminuir a distância abissal existente entre povos e pessoas em termos de distribuição de renda. A sinergia, que é o esforço de todos em busca de um objetivo comum, sempre gera melhores soluções que esforços individuais. 

É evidente, que em momento de mudanças profundas que o mundo vivencia, necessário é, mais do que nunca, oferecer às pessoas educação de qualidade que lhes possibilitem enfrentar as exigências impostas pelas mudanças e garantir oportunidades de crescimento para que se tenha um mundo mais justo. O que fazer com as oportunidades ofertadas será a parte que caberá a cada um. Como diz um ditado gaúcho: “o peão conduz o cavalo até a água, mas ele só bebe se quiser.”