Coluna Ozinil Martins | Classe média: pedra básica da sociedade!

31 de Julho de 2020

"A classe média atrapalha a implantação de qualquer sistema totalitário de esquerda".

O leitor deve estar lembrado de um vídeo que circulou nas mídias sociais em que a professora e filósofa Marilena Chauí, aos brados, investia contra a classe média, considerando-a responsável por todos os males da sociedade. A agressividade da filósofa é notória em suas investivas contra tudo com que não concorda. O que chama a atenção no vídeo é a plateia de estudantes universitários e a companhia do ex-presidente Lula concordando com a exposição da referida senhora.

Em 1996 passei boa parte do ano em Cuba e uma das coisas que mais chamou a atenção foi à inexistência de classe média no país. A população divide-se em duas classes, os pobres e os membros da cúpula do Partido Comunista Cubano. Os pobres, imensa maioria, vivem na dependência do que o Estado lhes fornece. Ao nascer recebem a “libreta” que determina os alimentos e as quantidades a que cada um faz jus; aos membros do partido as benesses são acesso a um aparelho de ar condicionado, a cessão de um carro (na época os mais comuns eram os Ladas); à elite do partido todas as benesses possíveis de serem acessadas em qualquer lugar do mundo, inclusive as Mercedes Benz com que, na época, o caudilho Fidel Castro transitava pela cidade. Sempre em comboio de três carros para atrapalhar possíveis atentados à sua vida.

O restante da população resolvia suas dificuldades através de outros meios. Prostituição era moeda de troca nos hotéis para estrangeiros, o roubo consentido em fábricas de charutos era percebido pelo valor atribuído aos produtos comercializados nas ruas. Importante lembrar: nada muito diferente do que vemos em algumas cidades brasileiras. Os conceitos de família, honestidade, disciplina eram relativizados aos interesses da sobrevivência.

Quando se associam, a investida da filósofa Chauí e as condições de vida ofertadas ao povo cubano, o objetivo parece-me claro. A classe média atrapalha a implantação de qualquer sistema totalitário de esquerda. A vizinha Venezuela é a prova inconteste de tal fato. País riquíssimo em petróleo, que já foi considerada a Suíça da América do Sul, depois de implantado o sistema comunista vive momentos cruciantes, com êxodo populacional, violência e fome atingindo a todos de forma brutal.

A eleição do Sr. Alberto Fernández na Argentina, candidato herdeiro do Kirchernerismo, colocará à prova o que escrevemos anteriormente e nos mostrará qual será a reação do povo argentino. Diferente de seus irmãos latino-americanos, os argentinos, pelo seu excelente padrão educacional, não se deixarão abater sem resistências. Bom lembrar que o povo argentino já obrigou o presidente Fernando de La Rúa a renunciar e abandonar a Casa Rosada de helicóptero.

Com a massa de analfabetos funcionais que formam a população brasileira, com a quantidade de bolsas que existem para manter os marginalizados pela educação, propositalmente não oferecida, com o apoio de parte da elite cooptada por vantagens pecuniárias e ilusões de ótica, é possível afirmar que o Brasil seria presa fácil de tentativa similar ao que vemos na Venezuela, Nicarágua e, agora, Argentina.

Descompensar a classe média e diminuir sua importância para o país através de medidas econômicas que se materializam pela não correção da tabela do imposto de renda, pela necessidade de contratação de planos de saúde e escolas particulares originando gastos em dobro, da exposição de seus filhos a professores que os induzem a pensar contra o “status quo” e outra medidas sociais como a desconstrução da família, degeneração de costumes e por aí vai. Estes são exemplos vivos que ocorrem em nossa sociedade atualmente.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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