Coluna Ozinil Martins | A China já deu o exemplo!

15 de Janeiro de 2020

No início dos anos 70 o Congresso do Partido Comunista Chinês elegeu Deng Xiaoping como líder do país e do governo. A partir desta eleição a China passou a praticar o socialismo chinês, abandonando as práticas trazidas pela Revolução Cultural de Mao Tse Tung, fazendo com que seus sucessores, conhecidos como a Quadrilha dos Quatro, caíssem em desgraça e fossem presos.

Deng Xiaoping ficou conhecido pela sua famosa frase “não importa a cor do gato, desde que ele cace o rato.” Uma das primeiras ações tomadas por Xiaoping foi convocar os notáveis da Educação e traçar planos que permitissem ao país impulsionar sua inteligência a partir de profissionais formados nas suas universidades.

Decisão: retomar os vestibulares para permitir que as melhores cabeças entrassem nas universidades e tornassem o país competitivo; de 4 milhões de vestibulandos, foram aprovados 240 mil para o ingresso nos estudos universitários.

É óbvio que, apesar da discordância de muitos leitores, a universidade não é para todos; o slogan criado por governos populistas anteriores traz uma ideia de que a universidade para todos resolveria os problemas da educação, o que não é verdade.

Além da ideia nociva ao país, foi criado o Financiamento Estudantil (FIES), sem critérios definidos e que empurrou, jovens ansiosos por mudar suas vidas, para um engodo em que estão enredados até hoje, pois assumiram financiamentos e comprometeram sua capacidade de honrá-los em função de uma economia em crise e da má formação oriunda de cursos que não os prepararam adequadamente, ou por estruturas arcaicas ou por professores mal formados.

A universidade serve para formar a elite pensante do país, não para formar mão de obra, pois para isto existem as escolas técnicas e que deveriam ser incentivadas tal qual acontece na Alemanha. Melhor para o país é a formação de técnicos altamente qualificados do que formar medíocres profissionais nas áreas superiores.

Os exemplos que chegam ao nosso conhecimento, de várias partes do mundo, mostram que as empresas já não estão preocupadas com a formação acadêmica de seus empregados, mas sim, com o domínio das habilidades e sua capacidade para resolver problemas. Esta é uma mudança que começa a avolumar-se.

Aqui continua a formação de bacharéis que competem, em concursos públicos, por vagas de garis (sem nenhum demérito) escancarando a fragilidade de nossos cursos superiores. Demagogia só funciona em país em que a educação é rasa! Ou se muda a educação básica, qualificando-se os jovens com habilidades úteis ou continuará a sina de achar que o ensino superior resolverá todos os problemas do país.

Sei que a estrutura montada em nosso sistema de ensino público reagirá a qualquer proposta que altere o sistema, montado para privilegiar categorias e não a formação de profissionais que sejam úteis ao país. A gritaria das universidades com a proposta do governo de parceria com a iniciativa privada na condução de pesquisas é um claro exemplo de defesa da estrutura. Que prevaleça a inteligência!

 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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