Coluna Ozinil Martins | A célebre rifa de Nova Veneza!

08 de Setembro de 2021

Na semana passada a Câmara Municipal de Nova Veneza, em um momento hilário, mostrou ao país a realidade com que convive a educação brasileira. A famosa rifa, que entre os prêmios aos sorteados distribuirá porcos, galinhas, torresmos, ovos, entre outros produtos coloniais que foram, gentilmente, cedidos à escola visando à arrecadação de recursos financeiros para a festa das crianças em 12 de outubro. A comunidade mostra a união quando, através de seus esforços, une-se visando o bem comum dela mesma.

Entre os risos dos vereadores a notícia viralizou e, a resposta do país fez explodir as vendas da rifa, arrecadando muito mais do que a imaginação de seus autores poderia imaginar; de vários lugares do país e até do exterior (já são sete países adquirentes) chegam pedidos para o fornecimento de listas com os números que permitirão a participação de quem, apenas, quer participar, pois a causa é nobre!

Entre 2017 e meados de 2018 tive a honra de ocupar o cargo de Secretário de Educação. Ao conviver com a carência de recursos, que impede a realização de projetos corriqueiros, aprendi a respeitar uma instituição que, até então, não conhecia. Como só tinha convivido com o meio universitário não conhecia a atuação das APP’s -  Associação de Pais e Professores. Estas associações participam ativamente da gestão das escolas públicas, com mais ou menos intensidade, pelo Brasil afora. A arrecadação de dinheiro através de rifas, festas organizadas pelas escolas, doação de brindes para sorteios por parte da comunidade, são ações frequentes que se traduzem em realização de projetos escolares nos quais, o poder público não tem recursos financeiros para aportar, em função de que a educação não está entre as primeiras prioridades das gestões municipais.

Infelizmente, nem sempre a percepção da própria comunidade em relação às escolas e seu papel fundamental é bem compreendida. Que eu me recorde nunca vi pressão ser exercida sobre governos em relação à qualidade do ensino, mas a pressão por asfaltar ruas é permanente. Enquanto os pais não acordarem para o bem mais precioso que podem legar aos seus filhos, educação de qualidade, estes continuarão a depender de rifas, contribuições e doações para poderem estudar com qualidade. Será que os filhos de vereadores, prefeitos, diretores de escolas públicas, estudam nas escolas públicas ou são usuários de escolas privadas?

Enquanto escolas são obrigadas a realizar rifas para fazer uma festa, para comprar equipamentos de informática ou material de expediente, a mordomia que beneficia a elite do funcionalismo público federal esbanja recursos em penduricalhos como auxílio-aluguel, auxílio-paletó, auxílio-jornal, entre outros. 

Em Nova Veneza o objetivo foi atingido! As crianças da Escola Municipal Bairro Bortolotto poderão festejar o seu Dia da Criança com brincadeiras e guloseimas à vontade. Educação não é só salário de professor, mas fornecimento de infraestrutura que permita aos jovens aprenderem para serem competitivos no mercado de trabalho, cada vez mais modificado e com padrões altos de exigências. 

Um último recado aos pais: “participem mais da vida escolar de seus filhos!” A educação não é responsabilidade exclusiva da escola. Conversar com os filhos sobre as mudanças mundiais, as novas exigências do mercado de trabalho, as profissões que estão se desenhando e as que estão entrando em obsolescência é parte do processo educacional e que cabe aos pais fazer. 

“Nós não herdamos a Terra de nossos pais, nós a tomamos de empréstimo de nossos filhos.” Lester R. Brown

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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