Coluna Ozinil Martins | Brasileiro e seu cordão umbilical com o Estado

19 de Fevereiro de 2020

Vivemos tempos exponenciais em que o que está em jogo é o futuro de um povo e de uma nação

Há muito tempo utilizei, em programa de treinamento, o filme chamado “A Onda”; este filme relata a experiência de um professor, que encontrou dificuldades em explicar a ascensão do nazismo na Alemanha e todas as consequências advindas desta supremacia. A experiência aconteceu em Palo Alto na Califórnia em 1967, conduzida pelo Prof. Rainer Wegner, e mostra como é fácil, pela manipulação, levar as pessoas a fazer coisas que jamais, em sã consciência, fariam.

Uma cena do filme ilustra de maneira peremptória a realidade; durante conversa do professor com sua mulher sobre a experiência em andamento, diz o professor: “é impressionante como eles gostam que tomemos as decisões por eles!”

Esta semana o Brasil tomou conhecimento de ações tomadas no Congresso que ampliam o atendimento médico a filhos de deputados e senadores até 33 anos; ao mesmo tempo o Presidente da Câmara deixou prescrever a medida provisória que criava a carteira nacional de estudantes, permitindo que seja expedida pelos órgãos estudantis ao custo de R$30, beneficiando, claramente, o custeio da política estudantil que, historicamente, está ligada a partidos de esquerda e, correm boatos que há um movimento para restaurar o imposto sindical obrigatório. O Congresso chafurda no lamaçal da politicagem do mais baixo nível.

 

E, o que faz o cidadão brasileiro? Omite-se!

Ao mesmo tempo em que reclamamos, nas redes sociais, contra a carga tributária criticamos o governo em suas pretensões de diminuir o tamanho do Estado; Petroleiros decidem entrar em greve solidária a uma subsidiária da Petrobras porque o governo pretende deixar de produzir fertilizantes; críticas acentuadas por parte da imprensa e órgãos associativos contra a reforma administrativa que pretende corrigir distorções que beneficiam o funcionalismo público nas suas altas esferas; resistência velada ao corte de benefícios que beneficiam uns poucos, enquanto a grande maioria da população não tem acesso ao essencial em termos de saúde e educação.

Vivemos tempos exponenciais em que o que está em jogo é o futuro de um povo e de uma nação. Será que temos consciência deste fato? Que somos viciados em Estado não há dúvida; de empresários que se beneficiam com favores recebidos, à grande massa de despossuídos que vivem do programa Bolsa Família todos somos beneficiários das migalhas concedidas pelo Estado.

O Brasil carrega hoje, fruto de governos que se preocuparam em aparelhar o Estado, perto de 400 mil ONG’s, 17 mil sindicatos entre outras excrescências que vivem penduradas no aparato estatal. Quebrar esta corrente não será fácil, pois basta lembrar que a estrutura sindical, profissional e patronal, foi um presente dado pelo governo do caudilho Getúlio Vargas. Importante acreditar que “toda corrente tem a força de seu elo mais fraco.”

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.