Coluna Ozinil Martins | Até quando a estupidez imperará?

17 de Fevereiro de 2021

A cada dia que passa as notícias que nos atingem mostram que a estupidez humana, realmente, não tem limites

Millôr Fernandes, o homem que a tudo satirizava, escreveu, com sua contumaz assertividade, “dizem que quando Deus criou o homem, os animais a sua volta não caíram na risada por uma questão de respeito.” Millôr sabia das coisas e entendia, como ninguém, a alma do ser humano.

A cada dia que passa as notícias que nos atingem mostram que a estupidez humana, realmente, não tem limites. Alguns exemplos: os gorilas precisam de grandes espaços para viver. Portanto, com a invasão de seus espaços para acomodar o crescimento populacional, estão ameaçados de extinção e, além de tudo, são vítimas da caça predatória. Milionários americanos chegam a pagar até U$50 mil para terem em suas paredes a cabeça de um gorila ou as mãos do animal que serão transformadas em cinzeiros e usadas em suas belas mansões. Acredite se quiser!

Outro exemplo de onde nos leva a estupidez vem do Monte Everest. A fotografia que mostra a fila de alpinistas em direção ao topo, causando congestionamento de pessoas a mais de 8 mil metros de altitude, caracteriza o momento insano vivido em busca da fama a qualquer preço. Os alpinistas porque buscam a glória de escalar o pico mais alto do mundo e o governo do Nepal, que vende as autorizações para a subida, faturando mais uns caraminguás para sustentar suas atividades. Anualmente o número de mortos, por hipotermia, só faz aumentar. Em 2020, na metade da temporada, 18 alpinistas tinham morrido vítimas do congestionamento para chegar ao topo. A fama pode ter um preço alto a ser pago!

O Parque Nacional Kruger na África do Sul abriga animais da fauna africana em um espaço de 20.000 Km² e só permite a entrada de pessoas para a prática de safáris em que as máquinas fotográficas são as armas usadas. Sua atuação é muito forte na preservação da fauna, principalmente, de espécies em risco. A informação mais relevante deste início de ano é a de que a pandemia ajudou a preservar os rinocerontes; segundo o Parque, em torno de 700 rinocerontes deixaram de ser abatidos por caçadores clandestinos, que são a grande ameaça aos animais do Parque. Dos rinocerontes só se busca o chifre, que é vendido, principalmente, para países da Ásia, que acreditam em seus poderes afrodisíacos.

O Brasil não fica alheio à estupidez praticada; segundo publicado na revista Arcos da UFSM e de acordo com a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – Renctas – o tráfico de animais é considerada a terceira maior atividade ilícita do mundo e gera uma grande rede de pessoas envolvidas em negociações clandestinas, principalmente, pela alta lucratividade. O dinheiro movimentado é estimado em até U$ 20 bilhões/ano. A consequência mais imediata, pelas mortes provocadas durante a captura e transporte, por falta de alimentação e água, é o risco de extinção das espécies mais procuradas. O Brasil pela sua diversidade lidera o ranking deste tráfico.

A necessidade de sobrevivência dos menos favorecidos, o controle do ego de pessoas que têm a necessidade de aparecer a qualquer custo, o crescimento incontrolado da população mundial está apontado para, ao longo do tempo, a sobrevivência de uma só espécie, como se isso fosse possível. O segredo da vida está na biodiversidade e da convivência das diferentes espécies. Mas, está difícil o topo da cadeia entender que sozinho, nada nem ninguém, sobreviverá!

Atitudes como estas nos mostram como será difícil salvar o planeta da catástrofe que se forma no horizonte. Insanidade pura!

 

Imagem: Gerd Altmann no Pixabay.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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