Coluna Ozinil Martins | Água, um problema que se agrava!

11 de Maio de 2021

"O que só consumimos, sem a preocupação de preservar, em algum momento vai faltar"

Foto de Danilo Alvesd no Unsplash

 

Um dos maiores problemas a ser enfrentado pela humanidade nos próximos anos será a escassez de água no planeta. O descaso com que a água é tratada, na maior parte do mundo, cobrará um preço imenso a seus habitantes. A primeira grande metrópole a viver o problema com intensidade e a Cidade do Cabo na África do Sul. A ação tomada foi de limitar o uso de água a 50 litros/dia por habitante. As consequências serão profundas no sistema de vida adotado por todos nós. As autoridades, por falta de visão e planejamento, atuam sobre o efeito e não sobre a causa. Tomando como o exemplo o Brasil, maior detentor de reservas de água doce do mundo, verificamos que mais de 100 milhões de pessoas não têm seus esgotos tratados, despejando-os “in natura” nos rios que cruzam o país, inviabilizando a captação da água para consumo humano ou desperdiçando recursos que poderiam ser aplicados em outras necessidades, para tratá-la. Porém, a causa mais efetiva da destruição dos mananciais é o excessivo crescimento populacional, pois estamos ocupando, com a omissão das autoridades, áreas de preservação e destruindo nascentes que alimentariam nossos rios. Caso a população não acorde para o problema, apesar de toda a água existente, em breve veremos cenas tristes pelo país. 

Soluções para a preservação deste precioso recurso existem e já são praticadas pelo mundo e mesmo no país. O Estado de Nova Iorque paga a seus agricultores para manterem as nascentes existentes em suas propriedades intocadas; o agricultor é remunerado pela preservação do manancial porque, os dirigentes públicos, sabem do custo de buscar a água cada vez mais longe. No Brasil temos exemplos similares; o município de Vera Cruz – RS – adota o mesmo procedimento. Preservar as nascentes, ao invés de aterrá-las para fazer loteamentos, é um caminho barato e eficaz, pois preserva o solo e garante o abastecimento das cidades. Por que não o fazemos é a pergunta que deve ser feita aos gestores municipais e estaduais. Vejamos um exemplo de Santa Catarina. Desde sempre sabemos da situação crítica que acontece no outono/inverno no oeste catarinense; entra ano, sai ano, a falta de água é recorrente. Omissão? Irresponsabilidade? Delegação aos céus par que garanta a chuva em qualquer época? 

Ao mesmo tempo em que acompanhamos os problemas do oeste vemos que algumas cidades e empresas realizam esforços no sentido de conscientizar a população da importância da água. Bons exemplos estão em andamento e mostram que tudo pode ser resolvido com muito ou pouco recurso; às vezes a iniciativa para agregar a população a um projeto mostra resultados surpreendentes. A empresa Águas de Joinville desenvolveu um excelente programa que denominou Eco Aprendiz, em que prepara jovens aprendizes para serem multiplicadores de ações que visem a preservação da água; a Wirlhpool, também de Joinville, desenvolve um programa de reuso de água que, além de economizar recursos financeiros, poupa a natureza, consumindo o que já está na empresa; o programa Água e Flor da Vida, desenvolvido no município de Paraíso – SC, sob o patrocínio da Sicoob de São Miguel em parceria com a Epagri e secretarias do município, está recuperando e, melhor, reintegrando o Rio das Flores à comunidade. São exemplos de que as empresas, quando participam, produzem resultados em benefício das comunidades. O que só consumimos, sem a preocupação de preservar, em algum momento vai faltar. Preservar é vida!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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