Coluna Ozinil Martins | Admirável Mundo Novo

09 de Março de 2020

Em 1931 Aldous Huxley escreveu o livro em que cria, hipoteticamente, a Londres de 2540 e que antecipa muitos acontecimentos vistos nos dias atuais

Crédito imagem/divulgação

 

Em 1931 Aldous Huxley escreveu o livro “Admirável Mundo Novo” em que cria, hipoteticamente, a Londres de 2540 e que antecipa um mundo com reprodução programada (criação da sociedade em castas através da fertilização in vitro), hipnopedia (condicionamento através de ouvir gravações durante o sono), manipulação psicológica e condicionamento clássico, que se unem para mudar profundamente a sociedade. Dois pontos chamam a atenção: a ingestão, por todos os membros da população, de um comprimido de soma diariamente (torna as pessoas mais cordatas, alegres e submissas) e a data limite para viver; sim, ao atingir uma determinada idade, independente de seu estado de saúde, a pessoa dirigia-se a um local, previamente preparado, para realizar a passagem. 

Não só estas mudanças previstas pelo escritor impressionam, pois há um número muito maior de predições que se concretizaram. Mas, é interessante notar como as ideias se concretizam com o passar dos anos. Em 2013, o Ministro de Finanças do Japão, Taso Aro, declarou que “idosos em situação terminal deveriam se apressar para morrer para poupar gastos ao estado e que ele próprio não daria despesa ao estado se estivesse em momento terminal.”

E, recentemente, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Cristine Lagarde, declarou que o planejamento dos sistemas de aposentadorias foi feito sem levar em conta o envelhecimento das populações dos países e, que medidas drásticas deverão ser tomadas para evitar a destruição destes sistemas. De certa forma os estudos que embasaram os planos atuais não levaram em conta o envelhecimento das populações nem o aumento de vida das pessoas. No caso do Japão a situação é crítica tendo em vista o aumento do número de pessoas centenárias.

As propostas do FMI, segundo Lagarde, passam pelos seguintes pontos: aumento da contribuição tanto das empresas como dos beneficiários; aumento do número de anos trabalhados de forma a não onerar o estado; contratação de empresas seguradoras para cobrirem os custos das pessoas que viverem mais do que o previsto; incentivar as pessoas a contratarem planos de pensões privados e o uso da hipoteca inversa (pessoa hipoteca sua casa junto a uma instituição financeira e recebe, mensalmente, um determinado valor enquanto viver, quando vem a morrer esta instituição apropria-se da casa). São apenas propostas, mas que mostram a gravidade do problema e vão provocar, com certeza, discussões acaloradas.

Os autores como Aldoux Huxley, George Orwell, Gabriel Garcia Marquez, entre outros, através da sensibilidade anteciparam o futuro e nos mostraram que o ato de desenhar cenários continua mais do que nunca um fator crucial no planejamento da humanidade. Acredito que se nossos representantes políticos lessem algumas destas obras teriam a capacidade de evitar problemas com os quais convivemos cotidianamente.

O estado de Santa Catarina está começando a discutir o plano de aposentadoria dos funcionários públicos na Assembleia Legislativa; pelo que tenho lido a proposta é tímida e em breve o tema voltará a ser discutido. Hora dos senhores deputados esquecerem seus interesses pessoais e das categorias que representam e pensarem no conjunto da sociedade. Simples, mas muito difícil!
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.

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