Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada: Bodas de Ouro.

26 de Outubro de 2017

Neste mês de outubro estou comemorando Bodas de Ouro. E alguém pode perguntar o que isso tem a ver com os 60 anos de estrada, com minha vida profissional? Explico a seguir.
Quando ingressei na Unilever, naquela época Irmãos Lever, era política treinar seus jovens executivos em diferentes posições, objetivando um conhecimento mais generalista do que aprofundado em uma especialidade. Assim, à medida em que ganhavam experiência e conhecimento das empresas do Grupo, podiam ser chamados a assumir uma posição em qualquer delas e em diferentes áreas.

Não foi diferente comigo, que obedeci a uma cronologia acelerada: entrei no final de 1958 na Lever, em março de 1960 fui transferido para a Lintas, agência de publicidade do Grupo, onde fiquei seis meses, indo em seguida para Atkinsons no Rio de Janeiro, de onde voltei em 1964. 

Cada uma dessas estadas gerou, como era de se esperar e intenção da companhia como tática de treinamento, experiências inusitadas que consolidaram uma vivência muito rica. Tenho de todas elas lembranças preciosas, algumas das quais pretendo dividir com vocês em futuras colunas, fazendo aqui apenas um sobrevoo para mostrar como se entrecruzaram a caminhada pessoal e a profissional.

Na Lintas, tive a satisfação de trabalhar diretamente com Lima Martensen, que havia sido o principal responsável por minha contratação no Grupo, além de uma equipe de excelentes profissionais. Fui alocado na conta de Perfumarias J. & E. Atkinson, empresa sediada no Rio, que era o braço de perfumaria e cosméticos do Grupo. Conta considerada muito difícil de ser administrada, em função do gênio irascível do presidente, que perdia facilmente o controle e não raramente saía aos gritos com seus funcionários e, eventualmente, com o contato da Lintas. Só que consegui domá-lo e, em consequência, fui transferido para o Rio como Gerente de Propaganda da empresa, a ele subordinado.

O Departamento de Promoções, a mim afeto, tinha uma unidade em São Paulo, onde também estava a Lintas. Isso propiciava idas constantes para lá, o que era muito conveniente para mim, pois era assim que conseguia manter presença junto a minha mãe, sozinha depois da recente morte de meu pai, e passar os fins de semana com os amigos e namorando. Durante quatro anos, ia quase toda sexta feira para Sampa, voltando segunda à noite para o Rio.

Na Paulicéia, tinha minha agenda com demonstradoras e promotoras e com a agência, mas nunca deixei de passar no departamento de propaganda da Lever para rever os amigos. E ali conheci a nova recepcionista, que esbanjava simpatia a cada vez que eu chegava. Mariazinha. Fomos nos conhecendo melhor e fizemos sólida amizade, que a levou a fazer parte de meu grupo, que se reunia quase todo fim de semana.

Quando voltei para São Paulo, acontecia o movimento militar que tomou o poder, em 1964. A Lever havia adquirido a Gessy, os negócios cresciam enormemente, novas responsabilidades se apresentavam. Fui gerenciar o Marketing de Atkinsons, que se transferiu comigo. Dá para adivinhar quem foi designada minha secretária? Pois é, Mariazinha, que atendia outro Grupo e foi realocada. Um tempo depois ela foi novamente promovida, para atender o Gerente do Departamento de Marketing da Gessy Lever, Ivan Pinto. Com a proximidade e melhor conhecimento, de amizade a namoro foi uma evolução natural e no início de 1967, Pascoal Ricardo Neto, que estava se preparando para assumir a presidência do Grupo no Brasil, nos ofereceu um lindo jantar de noivado. Meses depois, em outubro, estávamos casados, um dos vários matrimônios “produzidos” na Unilever. Foi assim.

São exatos 50 anos, o que muitos consideram “uma vida”. Que pode mesmo ser assim avaliada – uma vida na qual foram gerados filhos e netos, que deram um sentido muito maior e mais valioso à nossa união, maximizando, o que continuam a fazer a cada dia, a enorme felicidade de caminhar firmemente nesse longo e fundamental pedaço de estrada.

Até a próxima.

 

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