Coluna Inovação | Pouca fumaça e muita ação: as startups low-profile que já foram fisgadas por grandes empresas

20 de Maio de 2021

De plataformas para vendas mobile à inovadora técnica de construção off-site, empresas catarinenses chamaram a atenção do mercado com soluções ainda pouco conhecidas.

Imagem: Brasil ao Cubo, divulgação

 

O mercado de fusões e aquisições entre empresas de tecnologia anda tão aquecido que, mesmo para quem acompanha o setor, de vez em quando surge a notícia de uma grande corporação comprando negócios nascentes e inovadores que muitos desconheciam.  

Isso é resultado do trabalho silencioso de alguns empreendedores mais focados no business do que no marketing e na comunicação. Em tempos de superexposição de pessoas e marcas, parece até esquisito, mas é só o jeito de cada um encarar seu negócio e sua estratégia. Alguns acreditam que isso é "não saber se vender", mas quando o negócio é efetivamente vendido a uma grande empresa, o argumento cai por terra. 

Em Santa Catarina, algumas operações recentes mostram que o mercado sabe sim quem está na pista trabalhando, mesmo que não tenha muitos holofotes sobre eles. 

Nos últimos dias, chamou a atenção do mercado a aquisição da startup de Florianópolis Eyemobile, fundada em 2012 pelo empreendedor João Gustavo Pompeo da Cruz e que desenvolveu o primeiro ponto de venda 100% mobile no Brasil. Por meio de tecnologias de integração, o aplicativo da empresa integrava os sistemas de frente de caixa (PDV), comandas eletrônicas, software de gestão, notas fiscais e relatórios de vendas. 

Foi uma mão na roda para o mercado de eventos, especialmente pequenos negócios que vendem produtos e serviços - e a Eyemobile surfou forte atendendo clientes em edições do Rock In Rio, Olimpíadas do Rio, entre vários outros. A pandemia obviamente freou este mercado, mas a expertise da empresa chamou a atenção da Getnet (a das maquininhas vermelhas), que anunciou na semana passada a aquisição da Eyemobile - que muitos empreendedores de startups em Florianópolis sequer conheciam.

Outra startup catarinense que ganhou muita visibilidade recentemente foi a Brasil ao Cubo, que construiu em sua cidade-sede (Tubarão), um edifício de oito pavimentos e 3,3 mil m²  em apenas 100 dias - dos quais 20 foram para acoplar blocos, como se fosse um Lego gigante. Será o primeiro prédio corporativo da América Latina construído com a técnica off-site (longe do local onde vai funcionar), que se tornou uma tendência na construção civil em outros países.   

O que também poucos noticiaram é que a Brasil ao Cubo vendeu um terço de suas ações para a Gerdau, em novembro de 2020, por um investimento de R$ 60 milhões. Fundada pelo engenheiro civil Ricardo Mateus em 2016, a construtech desenvolve projetos de construção modular (off-site), em que edifícios são erguidos em módulos individuais pré-fabricados e depois montados no canteiro de obras. Esta técnica permite entregar obras em caráter definitivo e com velocidade quatro vezes maior que um projeto comum. 

Lançada em uma feira de construção há quatro anos, a empresa começou com seis colaboradores e hoje tem mais de 70 – em entrevista à Você S.A., Ricardo comenta que o faturamento da empresa saltou de R$ 6 milhões em 2018 para R$ 71 milhões em 2019. 

A empresa já tinha relacionamento com a Gerdau desde 2019, por meio do programa de aceleração Gerdau Builders – Scale-up Endeavor, voltado a empresas inovadoras na área de construção e com alto potencial de crescimento. No início de 2020, a Brasil ao Cubo foi uma das parceiras da companhia na construção de hospitais dedicados ao combate à pandemia em São Paulo e Porto Alegre (este, erguido em 30 dias, um recorde na construção hospitalar no país).

Um retrato de como a inovação muitas vezes está perto de nós, gerando impacto direto nos negócios, mas nem por isso recebe a atenção e a "noticiabilidade" devida.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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