Coluna Inovação | por que tudo converge para aprendermos linguagem de programação?

23 de Fevereiro de 2018

Nós, profissionais não letrados nesses códigos, precisamos parar de ver aquela maçaroca de sinais, letras e números como se fosse uma aberração alienígena

"A grande polêmica hoje é se ensinamos ou não programação para crianças. Programação é tão importante para o desenvolvimento quando aprender a ler numa sociedade baseada na informação e na tecnologia. Todos os países que estão crescendo já atualizaram seus currículos e nós nem estamos falando sobre isso". A frase é de Lucia Dallagnello, diretora presidente do Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB), em recado a algumas centenas de professores durante um encontro internacional realizado em Florianópolis no ano passado.

Mas eu quero trazer o debate aqui para o cotidiano de nós profissionais não letrados em linguagem alguma de programação, que por algum motivo fugimos daquela maçaroca de sinais, letras e números como se fosse uma aberração alienígena. Afinal, a evolução da tecnologia - e nosso próprio comportamento digital - mostra que aprender programação é bom pra qualquer carreira. Sem falar na ascensão da inteligência artificial que, segundo o Gartner, deve eliminar 1,8 milhão de empregos mundo afora mas também pode criar outros 2,3 milhões de novos postos de trabalho. Nosso relacionamento com as máquinas vai ser, portanto, cada vez mais estreito.

Quem pensa em iniciar um novo negócio por meio de alguma plataforma online consegue se virar melhor se tiver alguma noção de linguagem de programação. Há muitos plug-ins e APIs disponíveis para integrar novos serviços a sites, blogs e lojas virtuais com aplicação relativamente fácil - mas quem não entende do riscado vai suar bastante para fazer o básico.  

Santa Catarina não se tornou o maior gerador, em termos proporcionais, de startups e empreendedores digitais por acaso. Há uma série de negócios inovadores que começaram com gente que nem sabia programar, mas acabaram buscando quem manjava ou resolveram aprender no meio do caminho. Eventos como o The Developers Conference (TDC) - que reúne em Florianópolis mais de três mil pessoas ao longo de quatro dias - são fundamentais para manter essa comunidade de desenvolvedores atualizada e conectada. A edição de Floripa é uma das mais concorridas do calendário nacional e nesse ano vai acontecer entre os dias 18 e 21 de abril - um dos destaques da programação é o TDC4Kids, para crianças e adolescentes que querem ter os primeiros contatos com eletrônica e programação de games.

 

Voltando à educação dos mais jovens...

Uma iniciativa muito bacana nesse sentido é a do Comitê de Democratização da Informática em Santa Catarina (CDISC) com o projeto Aprendendo a Programar, um curso introdutório que ensina a linguagem da programação na Escola de Educação Básica Rosa Torres de Miranda, no Jardim Atlântico, em Florianópolis. As aulas começaram agora em fevereiro e acontecem no período extraclasse, para jovens com idade entre 14 e 20 anos.

Um antídoto para a estagnação do sistema educacional brasileiro que, segundo Lucia Dallagnello, está uns 20 anos atrasado em relação a outros países: "não há um plano de ação para o uso de tecnologia em sala de aula. Em uma pesquisa que fizemos com 14 mil escolas, 70% dos professores dizem que usam tecnologia, mas para procurar figuras na internet para ilustrar a aula ou fazer power point".
 

FuckUp Coding: até os experts erram - e contam publicamente

Se você leitor por acaso manja de programação e está rindo dos pobres analfabetos assustados, recomendo participar (hoje, dia 22, às 19h) do FuckUp Nights Coding Edition, um encontro descontraído - e regado a cervejas - em que profissionais da área vão compartilhar algumas "histórias de fracasso" de experts no assunto para desopilar o fígado. O encontro acontece na Cheesecake Labs, empresa de Floripa especializada em aplicativos mobile. Pra quem não conhece, o FuckUp Nights é um evento promovido pelo Impact Hub que reúne gente interessada em conhecer o "lado B" de empreendedores da região.
 

Sistema de correção digital faz curso de redação da Capital faturar R$ 1,3 mi em 2017

Um sistema de correção digital de redações desenvolvido em 2010 em Florianópolis tem ajudado estudantes a escrever de acordo com os critérios de diferentes concursos vestibulares. O aluno digitaliza o texto e envia para avaliação de dois professores, que analisam de acordo com o critério da instituição a qual o estudante vai prestar a prova e retornam com avaliação detalhada. O modelo tem dado certo: dirigido pelo professor Waltinho Maldonado, o Curso Mais Online faturou R$ 1,3 milhão em 2017, um crescimento de 15%. Entre colaboradores diretos e indiretos, a empresa conta hoje com 30 pessoas. O objetivo deste sistema online é diminuir a subjetividade da correção.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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