Coluna Inovação | O que Santa Catarina precisa desenvolver para ser um "Startup State"

07 de Outubro de 2021

O modelo de desenvolvimento de tecnologia em SC inspira outros estados, mas ainda precisa de capital e formação qualificada

Foto: Fabrício Umpierres / Agência SC Inova 

 

Enquanto diversas cidades Brasil afora buscam desenvolver seus ecossistemas de inovação e tecnologia, Santa Catarina vem consolidando um modelo próprio com base na conexão entre os diversos polos regionais e centros de inovação, por meio da troca de experiências e realização de parcerias conjuntas. Esta foi a percepção de empreendedores, profissionais, investidores e representantes do setor público e da academia que participaram do terceiro Encontro da Rede de Centros de Inovação (foto acima), realizado no Ágora Tech Park, em Joinville.

O evento reuniu todos os representantes de centros de Inovação do estado - já em operação ou que contam com um comitê de implantação - e foi uma oportunidade para apresentação conjunta de projetos, demandas regionais, conexões e novas parcerias. Como o acordo de cooperação entre o Ágora e o recém-inaugurado Pollen Parque Científico e Tecnológico, de Chapecó, que pretende fomentar uma rede de mentores e apoio a projetos e startups do Oeste e Norte do estado.

O modelo catarinense, considerado único no país, atraiu a atenção de empreendedores do Espírito Santo, que levou uma comitiva com 30 pessoas para conhecer na prática os projetos, os atores do ecossistema e os resultados dessa conexão entre os Centros de Inovação. "Temos muito o que desenvolver no estado em termos de inovação e novos negócios. Santa Catarina tem sido uma referência para nós, pois temos algumas características em comum", ressalta Francisco Carvalho, presidente da Base 27, hub de inovação capixaba. 

Mas ainda há um caminho a trilhar, especialmente com relação à formação de mão de obra especializada e estrutura de capital, ou melhor, recursos financeiros para fomento a novos empreendedores, apontou Iomani Engelmann, presidente da ACATE, no encontro. Ele diz que Santa Catarina pode medir seu desenvolvimento se inspirando e competindo com Israel, a Startup Nation, ao fortalecer este modelo de "startup state". 

"Somente nos primeiros meses de 2021 tivemos R$ 5 bilhões investidos em empresas de tecnologia de Santa Catarina, seja como venture capital, aquisições e IPOs. No estado temos 30 fundos de capital de risco em operação, mais de 100 investidores anjo, além disso temos uma taxa de desemprego do nível da Alemanha, 5,8%. Mas há duas engrenagens ainda não adequadas: estrutura de capital e formação de mão de obra especializada. Esta é também uma oportunidade para os municípios também, ao gerar equidade social por meio de empregos de alta qualificação e remuneração", define. 

Em Criciúma, um projeto social desenvolvido pelo Centro de Inovação Social (CISA) Abadeus pode se tornar uma referência para outros polos regionais de tecnologia no estado. Por meio de cursos profissionalizantes, 250 jovens carentes já foram capacitados em robótica desde a inauguração do Centro, em março deste ano, e a expectativa é dobrar esta capacidade até o final do ano. "Nossa especialização é trabalhar as vulnerabilidades sociais. Como tornar a inovação possível a estas comunidades?", comenta Shirlei Monteiro, diretora executiva do CISA Abadeus, cujos alunos já criaram dois projetos de aplicativos que estão pré-incubados e outros 4 projetos foram aprovados no programa NaSCer, da Fapesc. 

"A Rede de Centros de Inovação é um movimento de política de estado, mas não daria certo sem a governança das entidades. Estamos em um processo de amadurecimento, com muitos desafios, divergências e aprendizados, mas em expansão. Fizemos 42 chamadas públicas (editais) para liberação de recursos neste ano, que somam mais de R$ 100 milhões. É a hora dos centros estruturarem suas governanças para inscreverem projetos e se desenvolverem", resume Fabio Zabot Holthausen, presidente da Fapesc

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

Notícias Relacionadas