Coluna Inovação | Novos negócios e apostas do mercado financeiro colocam empresas de TI de Santa Catarina em destaque

15 de Fevereiro de 2019

A corrida pelo "primeiro unicórnio" do ambiente de inovação em SC

Imagem: Prefeitura Municipal de Florianópolis/Divulgação
 

"Florianópolis, the Silicon Valley of Brazil".

A comparação, tantas vezes ecoada por quem traça paralelos entre a capital catarinense e o maior polo mundial de tecnologia, é o título de um relatório publicado pelo Bradesco BBI - braço de investimentos do segundo maior banco privado do país - que destaca o potencial das empresas locais para atrair novos investimentos e abrirem o capital na Bolsa de Valores.

O report é resultado de uma visita de executivos do banco ao ecossistema de Florianópolis e destaca a atuação de entidades como a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), no desenvolvimento de novos negócios, além de startups como a SumOne (que desenvolve plataformas para o varejo) e a Gntech (que atua na área de farmacogenética), que recebeu investimento do hospital Albert Einstein. A Darwin Startups, que levou o prêmio de melhor aceleradora do país durante a Conferência da Associação Brasileira de Startups no ano passado e tem como mantenedores grandes players do mercado financeiro (a B3 e o banco Safra), também foi um dos destaques.

Além dessas, o documento enfatiza o potencial de empresas mais maduras do segmento, como a Neoway - que nesta semana anunciou a compra de uma plataforma que utiliza inteligência artificial para campanhas de marketing digital -, a Resultados Digitais e a Decora, que atualmente se chama CORA CGI e foi vendida no ano passado por US$ 100 milhões.

"Apesar de Santa Catarina ter apenas 3% da população brasileira, é sede de mais de 20% das startups do país, apoiada por um maduro ecossistema desenvolvido ao longo de 30 anos", destaca o documento, em inglês. E vai além: "acreditamos que estamos próximos de ver novas empresas de tecnologia listadas na Bolsa, e Florianópolis terá uma participação significativa neste desenvolvimento".

Esse olhar do mercado financeiro a algumas das maiores empresas da nova geração do setor de TI de Santa Catarina mostra que, em breve, o estado pode contar com seu próprio "unicórnio": companhias com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. No Brasil são poucas com esse perfil - a primeira foi a 99, vendida no início de 2018 para a chinesa Didi. Noves fora o apelo mitológico, o fato de contar com uma empresa desse porte colocaria o mercado local em outro patamar.

E as apostas vão na direção justamente de duas destas empresas citadas no relatório, a Neoway e a RD. A Neoway, fundada no começo da década passada a partir de uma tese de doutorado do engenheiro Jaime de Paula, já foi capitalizada em mais de US$ 100 milhões ao longo de três rodadas de investimento por fundos do Brasil, EUA e Cingapura. Com a aquisição da Sevennova, anunciada na terça-feira, a empresa entra em um novo e aquecido mercado (marketing digital), espera contratar mais 100 funcionários neste ano e já planeja o IPO - oferta pública de ações em Bolsa - para o ano que vem.

Na esteira, vem a Resultados Digitais - também capitalizada por vários fundos de venture capital - que aposta na internacionalização de sua plataforma de automação de marketing digital, utilizada por 13 mil empresas. No ano passado, a RD inaugurou escritórios no México e na Colômbia e agora olha com atenção os mercados da Argentina, Espanha e Portugal.

2019, portanto, projeta ser um ano-chave para o desenvolvimento do setor de tecnologia e inovação em Santa Catarina. Além dos avanços de algumas das maiores empresas, há um calendário forte de eventos, novas articulações para formação de polos regionais, Centros de Inovação e parques tecnológicos a serem inaugurados nos próximos meses (em São José e Joinville), fora todo o movimento natural que já acontece nas incubadoras e aceleradoras.

Os unicórnios, em breve, passarão a conviver entre nós.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br