Coluna Inovação | "Minha empresa cresce rápido mas precisa mudar a cultura de gestão. Como fazer?"

17 de Maio de 2019

Caso de uma startup catarinense evidencia como a gestão de pessoas é fator chave no desenvolvimento dos negócios, especialmente no mercado de inovação

Foto: Divulgação Cheesecake Labs
 

Startups não podem se dar ao luxo de cometer muitos erros. Sim, erros aqui e acolá são comuns, mas a velocidade no ajuste do percurso é o que determina se a empresa vai sobreviver ou não. Quando os problemas acontecem no momento de crescimento em escala então, a coisa fica especialmente complicada.

Mais difícil ainda quando os ajustes não precisam ser feitos no software, mas sim na cultura de gestão da empresa. Recentemente, conheci um case muito interessante, em uma empresa catarinense que vinha crescendo de maneira acelerada mas que sentiu a necessidade de adaptar certas rotinas para manter a expansão e pensar novas maneiras de engajar os times.

Foi o que aconteceu ao longo do ano passado com a startup Cheesecake Labs, de Florianópolis, que desenvolve projetos de software e aplicativos para empresas do Vale do Silício e também atende grandes projetos para companhias brasileiras. Ela vinha de uma expansão acelerada desde sua fundação, no final de 2013, mas sentiu que seria preciso uma mudança de chave na gestão de projetos.  Não que os resultados estivessem ruins: em 2018, a empresa alcançou um faturamento de R$ 10 milhões, 25% superior ao registrado no ano anterior, desenvolvendo projetos em diversas áreas (soluções de pagamento, blockchain, internet das coisas, e-commerce etc.). Mas a própria evolução nos negócios e as demandas do novo perfil de clientes exigiram novas respostas na forma de gerenciar os times e entregar os projetos.

Formada por cinco amigos egressos da UFSC, a Cheesecake cresceu atendendo a demanda de empresas da Califórnia por softwares, aplicações e plataformas online sob medida. Como lembra Guilherme Hayashi, diretor de Projetos, “no início trabalhávamos como uma extensão do time do nosso parceiro, por isso não tínhamos uma demanda de gestão de projetos. Fomos crescendo ano a ano, mas esse modelo não era escalável nem sustentável”. Com o crescimento, foram surgindo clientes que buscavam projetos maiores e com maior necessidade de controle de escopo, custo, cronograma e entregas.

“A forma como estávamos montando e desmontando times ao longo do projeto não estimulava o envolvimento dos profissionais, o senso de ownership e entendemos naquele momento que seria necessária uma revisão de nossos processos de gestão”, detalha o diretor de Projetos.

Na avaliação do CEO da consultoria Plathanus, Pascoal Vernieri, responsável pelo trabalho na Cheesecake, o desafio inicial era entender quais as dificuldades daquele formato de atuação nas equipes, quais eram os problemas mais comuns e como criar uma nova forma de desenvolver os projetos. “Foi um trabalho baseado nos conceitos do Management 3.0, uma construção conjunta para entender como cada um podia crescer”, recorda.

A primeira atividade envolveu uma imersão ao longo de um mês com toda a empresa alocada em grupos, que utilizaram práticas de design thinking para identificar os problemas e propor soluções. Outra ideia implementada foi a divisão física das equipes na empresa: com um formato de mesa em U, cada time ficava mais próximo, facilitando a interação e a comunicação.

O trabalho, que começou em agosto de 2018, já trouxe resultados: “nós estimamos, na metade do primeiro quarter de 2019, um crescimento de 30% na comparação com todo o primeiro quarter do ano passado. E isso praticamente com o mesmo volume de pessoas que tínhamos no período, o que mostra como ganhamos também em produtividade”, calcula Guilherme Hayashi. De acordo com a empresa, a meta foi revista recentemente e a perspectiva de expansão neste quadrimestre foi atualizada para 45%.

Um exemplo literal de como as pessoas são o ponto-chave - e não apenas a tecnologia embarcada - nas empresas, especialmente aquelas que conversam diretamente com o mercado de inovação.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br