Coluna Inovação | Mercado aquecido para investimentos e aquisições de startups catarinenses

29 de Março de 2021

Grandes empresas e investidores vêm às compras no ecossistema de inovação de Santa Catarina neste início de 2021.

Foto: Sede da RD Station / crédito: Rafael Rossetti
 

Nesta semana, a catarinense RD Station ganhou destaque nacional no mercado de tecnologia com o anúncio de sua venda bilionária para a Totvs, especializada em softwares de gestão para grandes empresas. A bagatela de R$ 1,86 bilhão por 92% do controle acionário da scale-up fundada há 10 anos em Florianópolis foi simplesmente a maior transação privada de M&A (fusões e aquisições) na área de software na América Latina. 

Desde janeiro, quando começaram a circular boatos de que a RD Station estaria sendo negociada - a disputa seria entre a Totvs e a Locaweb - já se imaginava que o preço estaria acima da faixa do bilhão. Uma valorização e tanto de uma empresa que se tornou símbolo da "geração das startups" em Santa Catarina e no país em geral.

Mas engana-se quem pensa que esse é um movimento isolado no mercado de tecnologia local. Em outro movimento que mereceu manchetes - até fora do país - a consultoria Accenture anunciou a compra da Pollux, empresa de Joinville que não é uma startup (foi fundada em 1996), mas que conversa com todo este ecossistema de inovação. Suas soluções de manufatura avançada e "robô-as-a-service" (sim, compartilhamento de robôs para indústria), entre outras, devem ajudar a gigante global a entregar mais valor e fidelizar clientes em diferentes verticais de negócio.

Em uma escala menor, mas dentro desse contexto, ontem foi a vez da Effecti, uma startup de Rio do Sul que desenvolveu uma plataforma digital que automatiza a participação de empresas em processos de compras públicas ser adquirida por um grande investidor - o também catarinense Pierre Schurmann (filho dos velejadores Vilfredo e Heloísa Schurmann), empreendedor serial que também dirige a BossaNova Investimentos ao lado de João Kepler. 

Do Alto Vale do Itajaí, a solução da Effecti tem como clientes corporações como Johnson & Johnson e Claro, que fazem parte do portfólio de 1,4 mil clientes que movimentaram em 2020 cerca de R$ 11 bilhões via plataforma. 

O que tudo isso indica?

Que certamente vai vir muito mais por aí, com grandes empresas, fundos e investidores de olho no potencial de mercado de startups catarinenses, que já são em geral uma grife no ambiente latinoamericano de tecnologia.

Quando as empresas recebem aportes de capital, a perspectiva lógica é que, após alguns anos, haja a "saída" (exit) dos investidores - e a saída da RD teve um final feliz para grandes fundos, como Astella, Riverwood, Endeavor Catalyst, DGF, entre outras, que capitalizaram muito bem seu dinheiro aplicado lá atrás.

Nesse ponto também, o de investimentos, os primeiros meses de 2021 foram bem quentes. Em pelo menos seis aportes de seed e venture capital neste ano, foram R$ 50 milhões em startups locais: Knewin (a maior delas, R$ 40 milhões), Kyte, Anestech, Geekhunter, Kiwify e Quiron. 

Além disso, novos fundos que devem ser lançados em breve vão certamente ampliar esses números, caso do Invisto com Acate, que prevê a captação de R$ 100 milhões, e o Catarina Capital, com pelo menos R$ 50 milhões. Se somar o background dessas duas gestoras (Invisto, ex-Bzplan; e Catarina, que atua em parceria com a Cventures), vamos recordar de exits importantes do ecossistema catarinense, como a Axado (vendida para o Mercado Livre em 2016), a Hiper (adquirida pela Linx) e a Zygo (agora empresa da PagSeguro). 

O ciclo está ganhando corpo e, mesmo sob a incerteza geral da pandemia, a roda não deve parar de girar entre o mercado e os empreendedores catarinenses.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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