Coluna Inovação | desafios e cenários para 2018 em Santa Catarina

02 de Janeiro de 2018

Aproximação com maior mercado do Brasil, expansão de programas de inovação e desenvolvimento de startups e pauta anti-burocracia nas eleições devem marcar o novo ano em SC

Para quem vive, acompanha ou se interessa pelo mercado de novos negócios, tecnologia e inovação, especialmente aqui em Santa Catarina, 2017 foi um ano de giro alto. E tudo indica que as coisas vão continuar aceleradas em 2018, em função da perspectiva de novidades e negócios já divulgadas por entidades e empresas.

Entre alguns cenários e desafios deste setor para o novo ano, destaco:

SC & SP: estados líderes em inovação devem fortalecer cooperação:

Um capítulo chave do ano que recém acabou foi a expansão da marca e da infraestrutura da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) para a capital paulista (foto), em abril. O modelo de negócio, em parceria com a rede CO.W Coworking, colocou a entidade em endereços nobres de negócio (Berrini, Vila Olímpia e Itaim Bibi) e prevê expansão a outros mercados. De longe, São Paulo é o mercado preferencial de softwares e outros serviços de TI das empresas locais - algumas delas com sede própria na cidade.

Na articulação entre grandes empresas e startups, a conexão entre Santa Catarina e São Paulo deve se fortalecer: o programa de inovação aberta Link Lab, operado pela Acate, e a aceleradora corporativa Darwin Starter vão rodar novas turmas na capital paulista no ano que vem. A SPIN, aceleradora com foco em inovações para a indústria com sede em Jaraguá do Sul, também está articulando alianças com o mercado paulista.

No mais recente índice de cidades empreendedoras, divulgado pela Endeavor, São Paulo e Santa Catarina emplacaram 8 municípios entre os 15 primeiros colocados, sendo que as suas capitais lideram a pesquisa desde a primeira edição, em 2014.

Expansão de programas de desenvolvimento de startups e inovação corporativa:

Entre os pilares do surgimento de startups competitivas em Santa Catarina estão programas que auxiliam empreendedores em diferentes fases do negócio, como o Sinapse da Inovação e o StartupSC. Ambos os projetos ganham musculatura em 2018, com o Sinapse ampliando o volume de recursos para operação e o Startup SC com turma também em Joinville. Em 2017, a Softplan, maior empregadora de TI em Florianópolis, fortaleceu seu programa de Corporate Venture e anunciou recentemente investimentos em duas startups incubadas em sua sede, no Sapiens Parque: a 1Doc e a WeGov, voltadas à inovação na gestão pública.

Articulação público-privada nos centros regionais:

No final de outubro, foi anunciado o Pacto pela Inovação, um conjunto de aproximadamente 60 iniciativas de estímulo ao empreendedorismo inovador envolvendo secretarias de governo e autarquias públicas, entidades empresariais e universidades. Este arranjo também serve como suporte ao projeto de 13 centros de inovação previstos para serem inaugurados em Santa Catarina ao longo dos próximos anos. "É um modelo a ser entendido, aprofundado e replicado para todo o país”, comenta Jorge Audy, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

O sucesso do modelo vai depender, a partir de agora, da articulação entre setor público, empresas e entidades privadas e universidades: a chamada "Tripla Hélice". Em cidades como Tubarão, no sul do estado, a articulação entre estas três pontas já rendeu um ambicioso planejamento para os próximos anos.  

Empreendedorismo, inovação e tecnologia na pauta política

No campo minado de ideologias e extremismos que parecem pautar o debate político em 2018, há um tema que deve ganhar terreno nesta e nas próximas eleições: o que os futuros eleitos podem fazer para reduzir a burocracia e estimular o empreendedorismo no Brasil? A recente campanha "Burocracia para tudo", veiculada em nível nacional, tem como objetivo levar o debate até a campanha eleitoral.

Na visão da Endeavor, uma das entidades que encabeçam a campanha, a preocupação com o ambiente regulatório é estratégico para estimular novos empreendedores e gerar negócios no país. Só que na prática a teoria tem sido outra no país: uma das medidas mais polêmicas neste setor em 2017 foi o novo regramento anunciado pela Receita Federal que prevê a tributação (entre 15% e 22,5%) dos lucros recebidos por investidores-anjo em função de aportes feitos em startups. Os empreendedores levantaram a voz: tal medida iria na contramão do cenário internacional, em que a regra é estimular e não sobretaxar o investimento em projetos inovadores. Em Santa Catarina, há a Rede de Investidores Anjo, iniciativa conjunta entre Anjos do Brasil e Acate que, no primeiro ano de atividades, obteve o maior crescimento entre as 15 redes regionais que operam no Brasil.

Resumo da ópera:

Teremos muitas novidades no front econômico e social em Santa Catarina quando se fala em inovação neste 2018. Mas como nada se constrói sozinho e o país ainda vive um cenário pós-recessivo, os empreendedores devem manter o giro alto neste ano, priorizando também alianças para novos serviços e projetos inovadores.

Que 2018, então, seja acelerado e vitorioso!

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br