Coluna Inovação | Depois do setor de construção civil, é a vez do varejo se abraçar à tecnologia em SC

22 de Fevereiro de 2019

Criação da Vertical Varejo, iniciativa da Acate em conjunto com a rede de shopping centers Almeida Junior, quer colocar players tradicionais do mercado atuando em conjunto com startups

Foto: Divulgação Almeida Junior

"No futuro, toda empresa será uma empresa de tecnologia", costuma dizer Daniel Leipnitz, empreendedor e presidente da Associação Catarinense de Tecnologia. Ele se refere ao fato de que, independente da área de atuação de qualquer negócio, as empresas que não incorporarem, de alguma forma, tecnologia em seus produtos, serviços ou processos, não vão sobreviver nos próximos anos e décadas.

Por isso, mercados como o de construção civil, imobiliário e de varejo - que não são "nativos digitais", começam a olhar para (nem tão) novas tendências como forma de se reinventarem ou mesmo sobreviverem às inovações disruptivas que surgem. No começo de 2018, foi a vez das "Construtechs" ganharem um espaço de conexão e interlocução como uma vertical de negócios da Associação Catarinense de Tecnologia. Na última terça-feira, foi lançada a Vertical Varejo, iniciativa da ACATE que tem como patrocinadora a rede de shopping centers Almeida Junior. A ideia é trazer para a mesma mesa toda a cadeia do comércio, além de startups com soluções para este setor, para entender de que forma novos serviços e tecnologias podem qualificar o varejo brasileiro.

“O varejo está mudando de maneira muito, muito acelerada e queremos entender, em conjunto, as dores desse segmento e encontrar soluções para tornar o mercado catarinense uma referência em inovação dentro e fora do país”, resume Monique Campos, superintendente corporativa de Marketing do Almeida Junior. Em 2016, a empresa iniciou um programa chamado AJ Labs, para se conectar com startups e internalizar a cultura de inovação e desenvolvimento de novas tecnologias para o varejo.  

Santa Catarina já conta com algumas empresas de TI que são referência em soluções para este mercado. Apesar de atuar principalmente com a indústria e distribuidores, a Involves criou há quase dez anos um software que ajuda na gestão de produtos no ponto de venda - ou seja, uma demanda de varejo "na veia". É uma scaleup (leia-se startup em um estágio mais avançado de desenvolvimento) consolidada no mercado brasileiro e já forte na América Latina: emprega mais de 150 pessoas e fechou 2018 com faturamento superior a R$ 27 milhões.

Em Brusque, a Hiper se tornou a grande empresa de tecnologia da nova geração. Completou sete anos agora em fevereiro, tem mais de 100 colaboradores e já implantou seu software de gestão de vendas em pequenas empresas do varejo de mais de 2 mil cidades brasileiras. Outra que se destaca neste segmento é a Smarket Solutions, de Florianópolis, que criou uma plataforma para automatizar a produção de encartes promocionais e também ofertas de produtos - entre os clientes estão grandes redes de supermercados e drogarias.

Com menos de dois anos de atuação, a Reviewr veio com uma proposta de fazer a gestão de todos os reviews (comentários) que estabelecimentos de comércio e serviço recebem em diferentes sites, apps e redes sociais - de Facebook a Booking, Trip Advisor e vários outros. Quando ainda estava na fase de ideias, foi "incubada" pelo AJ Labs e começou seu protótipo no Continente Shopping, em São José, um dos seis estabelecimentos administrados pela Almeida Junior. Hoje é uma empresa em franca ascensão, que já passou pelos principais programas de capacitação e desenvolvimento de Santa Catarina: incubadora Miditec, StartupSC e aceleradora Darwin Startups.

“Estima-se que o Brasil conte hoje com 200 startups desenvolvendo soluções para o varejo, o que é muito pouco em função do tamanho do mercado e do enorme potencial que temos aqui no país”, afirma Carlos Zilli, ex-executivo de grandes empresas (Hering, Shell e Makro) e que atualmente atua como conselheiro e consultor. A Hering, por sinal, lançou em 2018 seu primeiro programa de conexão com startups, chamado Hering Conecta, em que busca novas empresas com soluções para o varejo e que podem se tornar fornecedoras e/ou parceiras de negócio.

E assim mais um setor recorre à tecnologia e, principalmente, ao "modelo mental" das startups (focadas na colaboração e no desenvolvimento constante de soluções), para reduzir a distância entre os mercados mais maduros e inovadores do planeta.  

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br