Coluna Inovação | Cultura pode ficar sem verbas de TI com nova lei em Florianópolis

14 de Dezembro de 2017

Maratona Cultural deste ano, que custou 30% das últimas edições, foi patrocinada por empresas de tecnologia. Mas uma legislação pode impedir este tipo de apoio a partir do ano que vem e preocupa Núcleo de Empreendedores Culturais

O assunto da coluna é inovação, mas não há sociedade inovadora que deixe de lado iniciativas culturais. No fim de novembro, Florianópolis recebeu mais uma edição da Maratona Cultural, evento que neste ano reuniu cerca de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, ao longo de 30 horas de programação em 24 pontos pela cidade.

Realizada por meio da lei municipal de incentivo à cultura, a edição de 2017 custou R$ 190 mil, 30% do valor gasto nas edições passadas, calcula Paula Borges, coordenadora da Maratona e do Núcleo de Empreendedorismo Cultural da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif). E todos os patrocinadores foram empresas locais de tecnologia: Peixe Urbano, Nexxera, Involves e Visto Sistemas.

Mas uma lei complementar do município, em vigor desde 30 de setembro deste ano e que é complementar à legislação federal, vai impedir algumas empresas, conforme enquadramento tributário, de aportarem em projetos culturais. As atuais patrocinadoras, cita Paula, estariam por exemplo vetadas para repetir o apoio em 2018. "Há alguns meses, o desafio do Núcleo de Empreendedorismo Cultural da ACIF era aumentar a taxa de captação e buscar melhorias na lei, sensibilizando o poder público que isso significava geração de emprego e renda, fomento à arte e educação. Agora, nosso trabalho está na sobrevivência da lei de incentivo", comenta Paula.

Neste ano, foram contratados para a Maratona 217 artistas, que realizaram 39 espetáculos de teatro e dança, 20 shows musicais, 10 sessões de cinema e 23 feiras de arte e exposições de artes visuais.

 

Bzplan expande radar de investidas com a curitibana EaD Box

A gestora de fundos de venture capital Bzplan, com sede em Florianópolis, anunciou nesta semana investimento de R$ 4 milhões na startup curitibana Eadbox, desenvolvedora de software que permite a criação e distribuição de cursos online. É o terceiro aporte anunciado pela empresa neste ano: as primeiras foram as catarinenses mobLee e CataCompany.

Uma das cotistas do fundo que investiu na Eadbox é a Fomento Paraná, agência de investimentos ligada ao governo do estado vizinho. Segundo Claudio Massaru Shigueoka, diretor administrativo e financeiro da Fomento Paraná, o aporte é parte de um esforço para captar recursos e desenvolver novos mecanismos financeiros para apoiar os empreendedores paranaenses.

Com 85 funcionários, a Eadbox cresceu 130% no último ano. Seu sistema possibilita que as pessoas transformem, em menos de cinco minutos, seu conhecimento em um curso online. “Queremos consolidar a Eadbox como a principal plataforma para compartilhamento de conteúdo profissional de alta qualidade, por isso o investimento expressivo em tecnologia e produto", diz Nelson Filatieri, CEO da Eadbox.

 

Tubarão: balanço do primeiro ano dos projetos de inovação

A cidade de Tubarão, no sul do estado, deu início neste ano a uma política de inovação que prevê, entre outras iniciativas, a criação de uma legislação específica para estimular novos negócios, um fundo para investimentos e um conselho municipal de ciência e tecnologia, além da implantação, nos próximos anos, de um dos Centros de Inovação que estão sendo construídos no estado. Empreendedores locais também realizaram eventos importantes como o Startup Weekend e a série de encontros Conexão Startup. Nesta semana, a cidade sediou um encontro com representantes regionais ligados à Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e apresentou os resultados obtidos ao longo do primeiro ano de ações.

“Começamos o ano sem nada”, conta Giovani Bernardo, diretor de Tecnologia e Inovação da Associação Comercial e Industrial de Tubarão (ACIT) e presidente do Comitê de Implantação do Centro de Inovação. Em recente entrevista ao portal SC Inova, ele diz que o projeto é transformar ao longo das próximas décadas em um hub de inovação do sul do estado, atraindo e desenvolvendo novas empresas. “Temos a tríplice hélice (academia, governo e setor privado) bem representada aqui na cidade. Desde o início tanto o governo quanto o setor de educação deixaram a liderança das ações com o lado empresarial. A inovação tem que ser dinâmica, gerar riqueza e nota fiscal", comenta.
 

Saúde virtual

O empresário Alexandre Calaes, 43 anos, percebeu que havia uma parcela da população com restrições em atendimentos públicos de saúde, seja por questões financeiras, localização ou outro motivo. Foi o impulso para criar em Florianópolis a Equipe Apoio, que conecta pacientes a profissionais de saúde com atendimento virtual, como médicos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, fisiologistas e farmacêuticos.  Criada em 2015, a empresa fecha 2017 com uma base de 1585 clientes - eram cerca de 800 no primeiro ano.  "O objetivo é agilizar um atendimento que a pessoa estava postergando, mas que sabe que é necessário”, explica o fundador.

 

Glossário:

Trade marketing

Era uma vez um projeto editorial criado por uma startup de Florianópolis para fazer a cobertura de eventos e tendências do mercado de trade marketing (antes de procurar no Google, esse link aqui explica bem). O projeto cresceu, se tornou um ponto de referência entre especialistas e grandes empresas do mercado e ajudou até a criar uma pós-graduação em parceria com a ESPM, lançada nesta semana na Capital. A história é meio louca, mas mostra como o Clube do Trade, canal de notícias para o mercado de trade marketing tem sido uma importante arma para expansão de projetos da Involves, empresa de tecnologia da Capital que conta com cerca de 130 colaboradores e faturamento anual de R$ 11 milhões (dados de 2016). Uma equipe de jornalistas, designer e editor de vídeo é a responsável pelos conteúdos.

“O Clube é estratégico pois do ponto de vista comercial abre uma rede de relacionamentos fundamental para nosso posicionamento no mercado”, afirma André Krummenauer, um dos sócios fundadores da Involves. A história completa está aqui pra quem quer conhecer em detalhes.

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br