Coluna Inovação | 2020, o ano em que inovar foi sobreviver

22 de Dezembro de 2020

Desde os idos de março deste 2020, nada mais foi como antes - ou quase nada.

 

Quem sobreviveu (em termos de negócios) foi quem de alguma
forma inovou na prestação de serviços ou na oferta de produtos.

 

Em minha primeira coluna sobre inovação no Acontecendo Aqui, há pouco mais de três anos, escrevi que "inovação não é apenas uma palavra bonita para cativar leitores, mas sim um motor para renovarmos nossa visão de mundo, de trabalho e de hábitos".  

E desde os idos de março deste 2020, nada mais foi como antes. Ou quase nada. Fomos obrigados a adequar nossa mentalidade (não vou escrever mindset) a uma nova realidade que certamente deixará aprendizados, em meio a perdas e até mesmo algumas conquistas ao longo do caminho. Neste ano, ser "inovador" deixou de ser grife para ser uma arma de sobrevivência. 

A inovação, sempre importante reforçar, não é sinônimo de tecnologia. A tecnologia facilita, aproxima, transforma a análise de dados e as tomadas de decisão, mas ela é um meio. São as decisões humanas, que interferem naquilo que o programador está desenvolvendo, por exemplo, que geram a inovação, o insight, a tacada "fora da curva". E neste ano, quem sobreviveu (em termos de negócios) foi quem de alguma forma inovou. Na prestação de serviços ou na oferta de produtos.

Os eventos presenciais foram para o digital (obrigação!), o e-commerce foi às alturas e ampliou a integração com o varejo físico (antes tarde…), as restrições ao trabalho remoto viraram pó (...do que nunca), assim como muitos dos nossos planos e certezas. 

"Em duas semanas, colocamos à prova tudo aquilo que construímos nos últimos dois anos em nosso laboratório de inovação", me disse o CEO de uma empresa tradicional da Grande Florianópolis, que já estava entendendo o abalo sísmico provocado pela transformação digital dos últimos anos. Quem largou tarde precisou acelerar a 200km/h -  e ainda ter caixa para se manter vivo no jogo. 

Isso porque em 2020 as ondas de inovação vieram rápidas e fortes como nunca - para o mal e para o bem. Quem achou que a vitória em algumas batalhas garantiria a guerra, se enganou com força. Peguem por exemplo as fintechs, startups que desenvolvem soluções para o mercado financeiro e meios de pagamento. 

Em um primeiro momento da pandemia, quando o crédito sumiu com a paralisação da economia, o caos foi completo. Porém, a necessidade de transacionar dinheiro por meios alternativos falou mais alto e puxou uma onda que estimulou startups com serviços digitais - o que beneficiou várias jovens empresas catarinenses, como PagueVeloz, Transfeera, Payface, Asaas, entre outras. 

No final do ano, um outro movimento de mercado - a criação do sistema de pagamentos eletrônicos e transferências do Banco Central (PIX) - embaralhou novamente o jogo, fazendo com que muitas fintechs precisassem repensar seus serviços e entregas de valor ao cliente para não serem engolidas pela nova onda. Em um mês (16.11 a 15.12), R$ 83,4 bilhões foram movimentados pelo PIX, que representou entre os dias 9 e 15 de dezembro 30% do total de transações feitas no país.

Quando a vacina chegar - e se esse vírus mortalmente inovador não inventar novas mutações - não teremos o mesmo mundo de antes. No afã de buscarmos a sobrevivência, mudamos muitos hábitos e agora temos muitos novos aplicativos e serviços adequados à vida online. 

Não vou me arriscar a prever nada para 2021, mas na próxima coluna vou destacar algumas das contribuições do ecossistema de inovação em Santa Catarina nestes últimos meses para os negócios e os hábitos do pós-pandemia. Até lá, desejo aos leitores um Natal e um novo ano de paz e saúde, sem aglomerações!

E tchau, finalmente, século XX! 

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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