Coluna Gaby Haviaras | NÃO, violência não

10 de Outubro de 2018

Violência! É a primeira palavra que me vem à cabeça nestes dias de processo eleitoral no Brasil

Foto: Marc Riboud

Confesso que depois da última coluna publicada aqui me prometi não falar mais em política, tenho vasculhado e apontado outros assuntos para refletir neste espaço, mas tem estado bem difícil não falar disso nos últimos dias. 

Brasil, 10 de Outubro de 2018, estamos a caminho do segundo turno das eleições presidenciais. Concentro-me no delicioso ofício de sentar para escolher palavras, entre a preocupação sobre o futuro e as notícias quentes dos jornais, as discussões sem fundamento nos grupos de WhatsApp, e desta zoeira surge o assunto: estamos perdidos e cegos.

Nós nunca pensamos que pode piorar. Cidadãos filhos de um país que nunca nos ensinou a refletir sobre cidadania, democracia, regimes políticos, direitos e deveres, nos acostumarmos com as manipulações, condições ilusórias de “bem viver”. Não fomos instigados a pensar, questionar, formar opinião. Quando você diz: mas pode piorar, vai morrer mais gente se ele tomar o poder. Alguém te responde: já está ruim, eles vão continuar morrendo, mas pra gente segue a mesma coisa. É um padrão de pensamento do brasileiro, “se não piorar pra mim tá tudo certo”.

Estamos sentados vendo um vulcão entrar em erupção. Divididos, rompidos e nossas esperanças sem nenhum sentimento de coletivo positivo. Uma eleição pautada em dualidade, ódio de classe, manutenção de interesses próprios e tudo isso com “Deus acima de tudo”. Que pobre coitado não tem nada haver com tamanha ostentação de violência. Meu caro, vá nos livros de história e veja o quanto já se matou em nome de “Deus”! 

Somos um povo violento por definição. Em todas as estatísticas de violência somos o número 1 do mundo e não somos reconhecidos por sermos ótimos estatísticos. ou seja, a situação é bem mais grave do que é divulgada. Ter um candidato a presidente que legitima o discurso do ódio (já existente em nossa sociedade) e violência tão somente pelas pessoas serem o que são: negros, homoafetivos, mulheres e etc. Acreditando que armando a população, e não amando, teremos uma solução para os nossos problemas crônicos NÃO é aceitável para mim e para o que desejo ao futuro deste país. 

Conclusão: não se trata de direita ou esquerda, e sim olharmos para trás (passado) para entendermos porque estamos assim agora (presente) para preparamos uma caminhada melhor (futuro).

Gaby Haviaras

  • imagem de Gaby Haviaras
    Gaby Haviaras, catarinense, formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), com Licenciatura e Artes Cênicas. Gaby é atriz e comunicadora, além de possuir um potencial artístico e criativo que faz dela uma mulher multimídia, comunicativa e carismática. Com trabalhos de expressão na TV, no cinema, tem mais de 15 espetáculos no teatro, 25 anos de experiência em dança com prêmios no melhor festival do país.