Coluna Fernanda Bornhausen | O que a epidemia oculta de saúde mental, um dos maiores problemas da Pandemia, tem a ver com você?

26 de Agosto de 2020

A coluna de hoje é um convite a reflexão sobre que atitude você adotou frente a Pandemia e como você está se sentindo

 

"A pandemia de Covid-19 causou uma crise de saúde mental em nossa região (as Américas) em uma escala que nunca vimos antes. A pandemia de Covid-19 está causando uma crise de saúde mental nas Américas devido ao estresse maior e ao uso de drogas e álcool durante os seis meses de medidas de isolamento e confinamento domiciliar. É urgente que o apoio de saúde mental seja considerado um componente crítico da reação à pandemia”. Fala de Carissa Etienne, diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 18.08.20.

 

Os dados sobre o assunto são alarmantes, no entanto as ações em saúde pública para o enfrentamento da crise de saúde mental no Brasil me parecem muito longe de ajudar a resolver o problema. Li hoje que o Ministério da Saúde vai promover esta semana lives sobre o assunto e que espera alcançar 200 milhões de brasileiros com a ação. No meu entendimento, a meta de alcançar este número de pessoas com lives é, no mínimo, uma leitura errada da realidade sobre o impacto de uma ação como esta. 

Como psicóloga e voluntária que dedica parte do seu tempo em inteligência de dados sobre a Covid-19 para ajudar o enfrentamento da Pandemia, confesso que este assunto tomou a cena para mim desde que iniciamos o trabalho no Social Good Brasil para ajudar Santa Catarina no uso de dados para a transparência e melhor tomada de decisões. Me parecia evidente que chegaríamos aonde chegamos, em uma crise de saúde mental, uma epidemia oculta, que é um problema de saúde pública de ampla dimensão. 
    
Minha intenção aqui não é a de trazer dados sobre o assunto, visto que o agravamento da saúde mental individual e coletiva é fato no Brasil. Minha intenção é a de refletir sobre como você está se sentindo; o que está acontecendo com você e com a sua família e amigos; o que você está fazendo para se manter equilibrado ou para ajudar seus familiares e amigos a passarem por esta situação sem precedentes na história da humanidade. 

O convido a pensar sobre como você, sua família, seus colegas e parceiros de trabalho e seus amigos estão reagindo emocionalmente a Pandemia. É quase certo que você encontrará no seus círculos familiares, de trabalho e de amizades uma amostra de atitudes que levam a um desequilíbrio emocional. 

Ontem tive a oportunidade de assistir uma aula do Leandro Karnal, no curso da PUCRS (online e gratuíto, um dos benefícios da Pandemia) Competências profissionais, emocionais e tecnológicas para tempos de mudanças, na qual ele descreveu as três atitudes típicas da crise, que provavelmente você deve estar percebendo em grande parte das pessoas próximas.                     

São três atitudes negativas - de pouco ou nenhum resultado - que aprofundam a crise e devem ser evitadas:

●    Atitudes negacionistas: os negacionistas são as pessoas que, por má fé ou ignorância, negam um fato real. De acordo com o professor Leandro Karnal, erra quem nega a existência da crise.                    
●    Atitudes de histeria: é o oposto do negacionista; é aquela pessoa que também não faz nada, mas reage exageradamente, muitas vezes em desepero.            
●    Atitudes de saudosismo: pessoas presas ao passado, que insistem que as coisas eram melhores em seu tempo, construindo uma memória de passado.
"Quem nega crise, quem constrói um mundo perfeito que existia antes da crise e quem  fica histérico na crise, não resolve nada". Leandro Karnal. 

 

 

Faça uma reflexão sobre as suas atitudes e o quanto elas podem estar prejudicando você e a coletividade. Você se identifica com uma das três atitudes descritas acima? Se você está reagindo a Pandemia desta forma, é muito provável que esteja vivendo um processo de estresse que pode ser tão ou mais prejudicial a sua saúde do que a Covid-19. E eu não estou falando disso sem conhecimento de causa, pois além de ter conhecimentos técnicos por ser psicóloga, passei por um processo de estresse em 2018 e pude sentir na pele o desequilíbrio que ele causa.

E o que eu posso fazer para sair deste estado paralisante em que a sociedade se encontra? Primeiro entender os seus sentimentos e atitudes. Estamos sendo guiados pelo medo na Pandemia. Medo é ruim? Não, mas o medo coletivo é muito difícil de enfrentar. Segundo Leandro Karnal, e eu concordo, o medo é uma resposta natural para uma situação nova. É um instinto primitivo e absolutamente necessário para a existência. A dor causa o medo; e o medo nos torna prudentes. Ele comenta a importância de identificarmos quais são os nossos medos, o tamanho desses medos e também onde eles se encontram, com a finalidade de trabalharmos esses medos. Alguns desses medos podem ser recursos do nosso cérebro para impedir mudanças e a saída da zona de conforto. Portanto, é importante observar se esses medos não são histéricos, excessivos.O medo não é um erro e nem um mau sinal, de acordo com o professor Leandro Karnal.

"Coragem não é a capacidade de fazer tudo sem medo. Coragem é a capacidade de pegar seu medo e levá-lo para a ação". Leandro Karnal.
 

E como eu posso sair, ou ajudar alguém a sair, de uma situação de estresse, medo histérico ou negação? Buscando, mais do que nunca, o equilíbrio. Mas provavelmente você vai me dizer que já era difícil alcançar o equilíbrio em tempos "normais", e eu vou responder que em tempos de crise essa busca se torna essencial. E aí vem para a cena a tão almejada inteligência emocional, que segundo Karnal é habilidade de reagir à pressão da vida e aos seus desafios, de reconhecer a capacidade de responder à realidade que frequentemente nos desgasta. Uma capacidade permanente de adaptação ao que não estava previsto, de enfrentar as situações de maneira equilibrada.De acordo com Karnal, a inteligência emocional se tornou uma habilidade essencial para o sucesso, e ela pode ser dada pela experiência, pela orientação e apoio de profissionais, leituras sobre a área e projetos pessoais de melhoria. 

É fato que nunca tivemos tanto acesso a conteúdo e ferramentas de apoio, de alto nível e gratuitos, em ambientes digitais como em tempos de Pandemia. E por que não fazer uso dos mesmos para entender e sair da crise da saúde mental? 
No Social Good Brasil estamos estudando as maneiras de disponibilizar as melhores informações, dados e recursos tecnológicos para  apoiar a sociedade no enfrentamento do problema da crise de saúde mental na Pandemia. Em breve teremos um ambiente sobre o tema dentro da Sala de Situação Digital Data For Good, no qual você poderá acessar aos dados e a vários recursos tecnológicos disponíveis para melhorar a sua saúde mental e daqueles com quem se importa.

Precisamos nos unir enquanto seres humanos para o enfrentamento da crise de saúde mental advinda da Pandemia. É tempo de usarmos as tecnologias, dados e habilidades humanas a nosso favor.

Logo volto com novidades sobre o tema. Espero que o texto tenha sido valioso para você.

Obrigada pela leitura. Todos os feedbacks são muito bem vindos!
 

 

Fernanda Bornhausen

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    Apaixonada por inovação e empreendedora de sonhos, Fernanda é guiada pela lógica do impossível. Psicóloga com MBA em Administração Global, é Co-Founder e Presidente Voluntária do Social Good Brasil, sua grande família e seu propósito maior. Também é CEO da Clear Inovação, VP do Conselho Deliberativo da ACATE/SC, Conselheira do Grupo Cometa e mentora de diversos empresários e executivos. Acredita no poder dos dados para a sustentabilidade dos negócios e para ajudar a resolver problemas sociais. Acompanhe Fernanda pelo Linkedin> https://www.linkedin.com/in/fernandabornhausensa/

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