Coluna Fabricio Wollf | Prevenção, sim. histeria, não

23 de Março de 2020

Estamos vivendo um momento perigoso para os brasileiros: a histeria em torno do novo vírus.

Convenhamos... é uma pandemia, é. Precisa de estratégias governamentais de amplo alcance comunitário para prevenir o contágio em mais pessoas, precisa. Providências foram tomadas, foram. Serão suficientes?  Dependerá de cada um de nós (o que, por si só, já deveria evitar o "ataque" aos supermercados, provocado pelo pânico, tendo como consequência o egoísmo dos carrinhos lotados em detrimento dos outros e a super exposição à transmissão do vírus no aglomero inconsequente e evitável).

A verdade é que levar em conta os que os médicos infectologistas dizem é o que deve ser feito, orientações que vem sendo replicadas pelos órgãos oficiais de saúde. No mais, vejo muita histeria, exageros, muita crença em áudios e vídeos que pregam a catástrofe na saúde, proliferados nas redes sociais muito mais do que  vírus na sociedade, e pouca capacidade de manter a razão.

Para começar, informações e estatísticas só de órgãos oficiais (Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde do Estado). Outra verdade é que, especialmente nessas horas, a imprensa informa, enquanto as redes sociais desinformam. Mas redes sociais, quase todo mundo virou especialista em Corona Vírus. Vídeos e áudios repassados porque o irmão do cunhado do amigo que conhece alguém “viveu” a situação e mandou a mensagem, que é repassada sem qualquer verificação de veracidade ou identificação séria do autor.

São doentes mentais que brincam de causar o caos entre as pessoas incautas. Um verdadeiro crime contra a sociedade. Os incautos repassam, apavorados, a "pregação do apocalipse". Não se dão conta que a humanidade passou por diversos momentos semelhantes nos últimos tempos... para ser breve e ficar nos mais conhecidos, a gripe aviária e depois a gripe suína. E continua aí. 

Não que o caso não seja sério e merece atenção, parcimônia e prevenção. Mas daí a surtar, espalhando informações falsas e gerando pânico, é demasiado ruim. É preciso usar a inteligência. Ela não existe nas pessoas para bonito. Alarmar a todos não traz nada de bom, a não ser prazer para as mentes doentias que se regozijam com o caos. Não seja mais um deles. Não repasse essas mensagens adiante. Faça melhor: reclame com quem lhe repassou. Estamos sendo bombardeados por notícias ruins graças a esta pandemia; não precisamos de notícias sem verificação da verdade para criar o caos.
Não bastassem os “pregadores do apocalipse” e seus incautos que repassam qualquer coisa, ainda há os que se acham no direito de criticar os outros. Para variar, além de “especialistas” em Corona Vírus ainda temos que aguentar os “experts” em moralidade pública. Saem criticando qualquer pessoa que esteja na rua, seja para comprar pão e leite, seja para ir à farmácia. São os “arbitradores” de conduta, sempre presentes na sociedade, mas cuja “moral de cuecas” é amplificada pelas redes sociais. Não é novidade. Assim como em qualquer outro tema polêmico que vá para a vitrine, agora temos também os moralistas do Corona. Pregam a empatia com os outros, sem praticá-la. 

Por fim, o maior desastre que este vírus vai causar, já começou. Levará a economia mundial - e a brasileira também, para o buraco. Muita gente vai pagar o preço resultante das medidas (necessárias) tomadas. Serão muitos meses para estabilização e retorno da economia para o estado em que se encontrava antes. Se os brasileiros esperavam um 2020 melhor para um 2021 alvissareiro, de retomada do crescimento e, com ele, do emprego e renda, do desenvolvimento econômico e, consequentemente, desenvolvimento social, já podemos prorrogar as expectativas. Teremos muitos meses, que somarão anos, de dificuldades e recuperação econômica provocados pelo vírus. 
Já é desgraça bastante para ficar brincando com a credulidade e a paciência das pessoas.

 

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.