Coluna Fabrício Wolff | A teoria da argumentação na prática

21 de Fevereiro de 2020

Vou percorrer hoje o caminho teórico dos tipos de argumentos

O tema da coluna da quinzena anterior demonstrou a importância da argumentação na comunicação. E como a comunicação é fundamental na vida de cada um de nós (desde sempre, do início da humanidade organizada em sociedade ao primeiro choro de bebê de todos nós) incitou curiosidade sobre a teoria da argumentação. Para não deixar os leitores na mão, vou percorrer hoje o caminho teórico dos tipos de argumentos. Pode até parecer um tanto técnico, mas é importante para o reconhecimento das estratégias que podem ser utilizadas (e que os outros também utilizam) durante o processo de comunicação, de expressão e tentativa de convencimento de uma ideia.
 
Um dos argumentos mais “convencedores” é o chamado argumento de autoridade. Ele se dá quando o emissor da mensagem, para corroborar suas ideias, se utiliza de um pensador, estudioso ou teórico renomado para sustentar  a tese que defende. Difícil ser contrário a uma frase de Pelé sobre futebol, de Sérgio Moro sobre corrupção ou de Madre Teresa de Calcutá sobre fazer o bem ao próximo. Colar sua tese em uma frase de uma autoridade no tema específico que corrobore o seu pensamento, a idéia que quer repassar, impressiona, ajuda a convencer. É semelhante a utilizar números comprovados na defesa de uma ideia.  Ninguém discute com números.
 
Outro bom tipo de argumento é o de causalidade. Ele é estabelecido quando aquele que quer convencer cria uma relação de causa e efeito de fácil comprovação. Neste caso, é importante que o receptor da mensagem possa concordar com o exemplo pela própria experiência cotidiana das pessoas, pela observação direta. É bastante pragmático e muito fácil de ser usado. É como fazer a relação entre a exposição exagerada ao sol e a queimadura na pele. Ou a de um copo de vidro lançado para cima que se espatifará em pedaços quando cair ao chão. Ou ainda que uma fruta deixada ao léu durante muito tempo apodrecerá. É o tipo de argumento que é naturalmente aceito pelas pessoas.
 
No argumento de consequência, outro dos vários tipos, o emissor da mensagem estabelece uma relação de consequência entre a hipótese e o que dela pode advir. Para usá-lo, no entanto, é preciso provar a conseqüência arguida, o que nem sempre é fácil. Dizer, por exemplo, que um fumante terá, um dia, câncer no pulmão é uma hipótese que nem sempre tem o resultado arguido. Da mesma forma que dizer que, no futebol, o melhor time sempre vence. É um argumento temeroso.

Existem outros tipos como o argumento por exclusão (a partir da proposição de várias hipóteses vai se eliminando uma a uma até restar a que corrobora a tese) ou argumento pelo absurdo  (consiste em refutar uma idéia apresentando sua falta de cabimento). Porém, são nas argumentações falaciosas que residem o charme de conhecer essas técnicas teóricas. Não raro, o interlocutor – ou por falta de preparo para o debate, ou por esperteza de subterfúgio – usa de falácias para tentar combater uma ideia melhor e não ser convencido, ou ainda para tentar fazer que a proposta dele prevaleça.

Mas como o texto da coluna para esta postagem já ficou extenso, vou pedir licença para tratar do “maravilhoso mundo das falácias” no próximo texto da coluna, na quinzena que vem. Até lá!
 

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.