Coluna Fabrício Wolff | Qual o futuro da comunicação televisiva?

15 de Abril de 2021

As novas tecnologias colocam um grande ponto de interrogação no futuro da televisão como conhecemos

Cada vez mais e mais as novas gerações abandonam os canais de televisão para utilizar as novas tecnologias como os serviços de streaming, que permitem que o espectador veja ou ouça, on line, aquilo que ele deseja no momento em que ele quiser. Com os aparelhos de televisão denominados smartv, os conteúdos on line chegam com qualidade na tela da tv. Com esta realidade, essas novas tecnologias colocam um grande ponto de interrogação no futuro da televisão como conhecemos. Afinal, se em um passado recente os canais produziam seus conteúdos e os telespectadores eram reféns de programação e horário, hoje em dia o leque de oportunidades para o consumidor do conteúdo é tão maior que é até difícil imaginar por quanto tempo a televisão como conhecemos ainda existirá.

É esta realidade, contemporânea e futura, que leva ao título deste texto: qual o futuro da comunicação por vídeo?

Sem dúvida, cada vez mais, os espectadores escolherão seus conteúdos e o horário em que desejam assisti-los. Se Netflix e outros conteúdos do gênero, como a Amazon Prime ou a Apple TV, já caíram no gosto de telespectadores de várias faixas etárias, o You Tube faz sucesso entre a juventude. E este grande público, atual e futuro, cada vez mais abandona os canais tradicionais de televisão – inclusive os canais fechados, pagos. Afinal, por mais que eles (canais fechados) ofereçam conteúdos específicos, a possibilidade de refinar a escolha para ver exatamente aquilo que se quer, a hora que bem entender, leva o consumidor a preferir as plataformas de streaming.

Escolha. Esta é a palavra chave. Pensamentos filosóficos levam ao entendimento de que o que caracteriza a liberdade é a possibilidade de efetiva escolha. Só é livre aquele que tem condições de escolher (o que é não é uma realidade para muitos, muito menos para todos, visto que uma verdadeira escolha depende de uma série de condições prévias como discernimento intelectual e capacidade financeira, entre muitas outras). A filosofia revisa até mesmo a falsa escolha, quando alguém precisa escolher entre um ou mais caminhos, sendo que na profundidade do ser, nenhum deles representa o seu querer.

As escolhas são tão importantes, que Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) já tratava do tema sob a importância da ética: “O ser humano, dotado de razão e capacidade de realizar escolhas, é capaz de perceber a relação de causa e efeito de suas ações e orientá-las para o bem”. O escritor Pablo Neruda (1904 – 1973) delineava que “você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Provavelmente o pensador que mais se debruçou sobre o tema foi o filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) que cravou a definição que “o ser humano é condenado a ser livre” porque a liberdade reside em escolher e aceitar as consequências dos nossos atos. Ele ressaltava que também podemos não escolher, mas omissão também é uma escolha.

Trazer à luz dos fatos, neste texto, a importância da escolha na vida das pessoas, no mais íntimo do ser humano, busca ressaltar o quanto esta novidade tecnológica está impactando e vai impactar na existência da televisão como conhecemos. Talvez ela não acabe, não morra, como aconteceu com as vídeolocadoras e suas fitas VHS ou DVDs após o avassalador aparecimento dos canais de conteúdo da tv fechada. Talvez as emissoras de televisão consigam ter mais sorte do que os jornais impressos, que enfrentam grave crise desde as possibilidades de conteúdo jornalístico na web. Mas a única verdade que conseguimos verificar como resposta à pergunta título, é que muita coisa vai mudar nos meses e anos que se seguirão – e, sem dúvida, a tv como conhecemos nunca mais será a mesma. A tecnologia avança como a velocidade da luz e, com ela, caem paradigmas, surgem novas realidades e, mesmo elas, são substituídas com uma rapidez assustadora.

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.

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