Coluna Fabrício Wolff | O recado das urnas

21 de Outubro de 2018

E não há dúvidas sobre o recado que foi dado pelas urnas à classe política brasileira: o cidadão não aguenta mais tantos desmandos, tanta corrupção, tanta roubalheira

As eleições servem como um termômetro que mede a satisfação dos eleitores em relação a seus representantes. E não há dúvidas sobre o recado que foi dado pelas urnas à classe política brasileira: o cidadão não aguenta mais tantos desmandos, tanta corrupção, tanta roubalheira. Não aguenta mais pagar tantos impostos e não obter retorno em investimentos. Não aguenta mais as práticas da velha política que tomam conta deste país. Não por acaso, o índice de renovação nas câmaras legislativas e até mesmo nas disputas majoritárias foi impressionante.

É verdade. Alguns dinossauros da política ainda sobrevivem. Alguns deles foram eleitos, outros respiram até o final deste mês, quando os eleitores voltam às urnas para as decisões de segundo turno. Mas a grande maioria dos corruptos caciques do país foi defenestrada nas urnas. É claro que em alguns estados a prática do curral eleitoral ainda funciona, mas de maneira geral o recado das urnas disse não à velha política e sim à renovação.

Santa Catarina nem foi um dos estados que mais renovou sua Assembleia Legislativa, em comparação com outros estados da federação – e mesmo assim mandou de volta para casa metade dos deputados estaduais que ocupavam cadeiras lá. O cálculo das legendas conseguiu empurrar até um deputado do PV, novo na Assembleia, mas conhecido em Blumenau pelas velhas práticas políticas de sempre, o que demonstra que nem todo renovar de pessoas é, de fato, uma efetiva renovação para melhor, para práticas novas na política.

Mesmo jovens políticos que foram para a disputa majoritária e poderiam posar como uma “renovação”, erraram em aceitar cargos de vice ao lado de figurinhas carimbadas pela velha política. Isso invariavelmente representará um atraso na carreira política de alguns. A falta de coragem de lançarem-se a um cargo de ponta, ou mesmo buscar uma cadeira no Senado Federal, aliado ao abandono de fiéis escudeiros ao longo da estrada, colocou pedras pontiagudas em um caminho que poderia ser bem mais fácil. As escolhas sempre trazem consequências. Ser mal assessorado costuma ter um preço. 

Os políticos com as velhas práticas parecem estar com os dias contados, mesmo. Se a faxina que o eleitor está promovendo ainda vai deixar uma poeirinha ali ou acolá (e vai, porque a sujeira era muita e espalhada por todos os lugares), a verdade é que o recado que as urnas comunicam é claro: o brasileiro quer uma política mais limpa. E acordou para o fato de que não basta discurso de “nova política”. Aliás, o eleitor cansou de discursos. Ele quer ver são novas práticas na política. Quem sabe estejamos iniciando aí, um novo Brasil.

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Mais de 36 anos de experiência na Comunicação, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983.