Coluna Fabrício Wolff | Do Homu Erectus à estapafúrdia bi-polarização de tudo

20 de Maio de 2020

Transigir é chegar a um acordo por meio de concessões de parte a parte, conciliar

A intransigência não é novidade, nem mesmo foi criada por causa do atual momento político vivido no país. Ela existe desde sempre e é termômetro da incapacidade de alguns seres humanos em se colocarem no lugar do outro. Transigir é chegar a um acordo por meio de concessões de parte a parte, conciliar. Porém, para se chegar a este patamar são necessários atributos cada vez mais escassos em boa parte de nossa sociedade, como bom senso, inteligência, empatia e – por incrível que pareça – noção da realidade.

Nesses tempos bi-polarizados, em que o espectro político impulsionou que as pessoas se agarrem cegamente em posições antagônicas, a falta de todas as virtudes elencadas no parágrafo anterior é ainda mais ressaltada pelas redes sociais. E aí, nos mais diversos assuntos da vida cotidiana, a mediocridade se transforma em “opinião”. Sobram posições lacradoras; falta conhecimento. Jorram defesas certeiras; escoam bom senso e parcimônia. Explodem xingamentos; enterra-se qualquer fio de razão.

Isto cansa àqueles que vêm mortos em uma guerra sem vitoriosos. Eles matam qualquer resquício de vida inteligente ao pregar uma razão e uma verdade inexistente. Razão e verdade são, sempre, permeadas pelos pontos de vista. Se há dois (ou mais) pontos de vista diferentes, não é no grito que se vai estabelecer uma verdade única e absoluta. Isso é coisa de ditador, de gente despreparada para argumentar e convencer e que, exatamente por isso, busca ganhar as contendas no grito e na força.

Aquele clássico exemplo de se colocar duas pessoas, uma de cada lado, e o número 6 (ou 9) estrategicamente disposto entre as duas é o retrato da realidade. Para um será 6, para o outro será 9. Qual dos dois está certo? Qual está errado? 

Para que possamos ter a mínima condição de debater sobre um assunto com qualquer pessoa, além de conhecimento, boa argumentação, preferencialmente informações do público (que pode ser uma única pessoa com quem você estará trocando idéias), é necessário ter o mínimo de humildade para saber que sua verdade não é absoluta – e é somente a sua verdade. Outra pessoa, com outro ponto de vista, pode ter a verdade dela sobre o mesmo fato. 

Buscar compreender as razões do outro (ainda que não se venha a concordar, ao final) é sinal de vida inteligente. Ao ouvir o outro com atenção e respeito, você vai crescer. Ou vai pensar melhor sobre o tema e agregar algum conhecimento a mais, ou vai reforçar sua tese. Porém, é preciso escutar e refletir. O que nos diferencia dos animais em geral, é a capacidade de pensar. É muito importante utilizá-la no dia a dia para mostrar que a evolução do homo erectus não foi em vão e que, como diz a ciência, o homo sapiens existe faz uns 200 mil anos. A não ser que, definitivamente, estejamos regredindo como seres humanos.
 

Fabrício Wolff

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    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.

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