Coluna Fabrício Wolff | Comunicação que não se sustenta

04 de Junho de 2019

Para conseguir uma verdadeira boa comunicação, é preciso ter coerência entre o que se diz e o que se faz...

Desde o início trago neste espaço a ideia da importância da comunicação. Ela cria imagens da realidade, transformando-as em “verdades”. A comunicação faz toda a diferença, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Alcança mais facilmente o sucesso (seja o que ele represente para você), quem melhor se comunica. É fato. E está cheio de exemplos desde sempre – e mais facilmente notado nesses tempos de You Tube e redes sociais.

Porém, é preciso sempre ressaltar que só a boa comunicação chega a este final feliz. Falar aos quatro ventos, dizer ou escrever bobagens no dia a dia, tratar as pessoas com desdém ou desrespeito... enfim, comunicar-se mal é um tiro no pé. Assim como a boa comunicação cria uma boa imagem do emissor da mensagem, a má comunicação faz exatamente o contrário: cria uma imagem ruim do interlocutor. Até aí, básico, nenhuma novidade, certo?

O ponto importante que quero ressaltar hoje é que também não adianta ter uma boa comunicação se as práticas não corroboram aquilo que se diz (ou escreve). Nossas atitudes comunicam tanto ou mais do que nossas palavras. Tal teoria corrobora aquele velho ditado que diz que “um exemplo vale mais do que mil palavras”. Sendo assim, constata-se óbvio que não adianta a pessoa posar de boazinha ao falar em público ou nas redes sociais se, no dia a dia, suas atitudes destroem a imagem que tenta passar.

Temos exemplos aos montes desta dicotomia discurso-ação. Tem aquele que após tratar mal uma pessoa (com um caso de racismo, por exemplo), publica fotos com pessoas negras nas redes sociais tentando driblar a má imagem construída pela atitude. Tem, também, aquele que posa de defensor do meio ambiente, mas não piscaria o olho para destruir um pedaço de terras, desde que tivesse lucro com isso. Há os que não relutariam em vender a própria família para alcançar objetivos pessoais. Em todos esses – e muitos outros casos – a atitude mata o discurso.

Outro conhecido ditado popular aponta que “a mentira tem perna curta”. Abraham Lincoln, um dos mais laureados presidentes de toda a história dos Estados Unidos da América, já dizia que “você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”. A comunicação pelas atitudes fala mais alto do que aquela impingida pelas palavras.

Para conseguir uma verdadeira boa comunicação, é preciso ter coerência entre o que se diz e o que se faz, entre o discurso e a ação, entre a teoria e a prática. Fora disto, é enganação. Auto-enganação inclusive, em muitos casos, porque só é possível criar uma boa imagem para um bom produto. O tempo (e com ele a observação das atitudes) prova o que é realmente bom, ou o que é um castelo de areia que sucumbirá à incoerência da ambiguidade e discordância entre discurso e prática. 

Fabrício Wolff

  • imagem de fabriciow
    Possui graduação em Jornalismo e Direito. Pós graduado em Educação. Experiência profissional na Comunicação desde 1980, tendo atuado tanto nos principais veículos de comunicação do estado especificamente na área de Jornalismo, como também em agências de publicidade. Profissional multimídia, professor universitário nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Administração. Natural de Porto Alegre, radicado em Blumenau desde 1983, mudou-se para Florianópolis em 2019.