Coluna Emilio Cerri | Qual deveria ser o posicionamento da Igreja Católica?

22 de Outubro de 2018

O exercício de posicionamento competitivo é uma busca do óbvio

Qual é o papel da Igreja Católica nos dias de hoje? Esta pergunta é feita por clérigos, bispos e leigos. Mas nunca recebeu a mesma resposta duas vezes. Algumas pessoas dizem que não há uma resposta simples, outras dizem que há mais de uma resposta. Os execuitivos das corporações costumam ter respostas para perguntas como essa. Se você peguntar ao CEO da GM ele dirá que é ser a maior fabricante de automóveis do mundo. As empresas continuam gastando milhões para descobrir e comunicar a essência de seus produtos com palavras como "mais branco que o branco" ou "prazer em dirigir"...

A Igreja deveria responder a pergunta em termos simples e definitivos. E inserir a resposta em um programa de comunicação totalmente integrado. Depois, deveria levar esse programa ao seu rebanho de uma maneira nova e impactante. Geralmente, criar um programa de identidade para uma corporação acarreta dar alguns passos atrás até descobrir qual é, de fato, o negócio básico da empresa. Isso requer uma reflexão a respeito dos velhos planos. Ver o que funcionou e o que não funcionou.

A Igreja precisaria voltar dois mil anos no tempo e refazer os passos. E em vez de examinar antigos relatórios anuais, seria necessário confiar nas Escrituras. Quando se procura uma expressão simples e direta do papel da Igreja, duas afirmações explícitas do Evangelho contêm a resposta. Primeiro, como revela o Evangelho de Mateus, quando Cristo estava na Terra, Deus instruiu os homens para "escutarem as palavras de Seu Filho bem Amado".. 

João apresenta Jesus como "A Palavra" (ou Verbo, em algumas traduções) em João 1:1. Ele inicia seu Evangelho dizendo: "No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus". Depois, quando Cristo deixou a Terra instruiu seus discípulos para partir e ensinar, a todas as nações, aquilo que haviam escutado Dele.

As Escrituras deixam evidente que Cristo coinsiderava a Igreja como a "mestra da palavra". Como ele é o Filho de Deus, presume-se que suas palavras sirvam para todas as épocas. As parábolas de Cristo não eram apenas para as pessoas do seu tempo, elas também são para as de agora. Elas contêm, em sua construção, uma universalidade que nunca ficou ultrapassada. São parábolas simples e profundas. Nelas, Jesus oferece, às pessoas de todas as idades, subsídios para pensar e agir.

Assim, a retomada do passado leva a definir o papel da Igreja como a de manter Cristo nas mentes de cada nova geração e relacionar sua palavra aos problemas presentes. De alguma maneira, parecia que o Concílio Vaticano II* tinha conduzido a Igreja para trás e não para frente. De "mestra da lei" para "mestra da palavra". Certo, isso pode parecer uma resposta muito simplista, quase óbvia, para um problema complexo. E realmente é.

A experiência mostra que o exercício de posicionamento competitivo é uma busca do óbvio. Os conceitos óbvios são os mais fáceis de comunicar porque fazem mais sentido para o destinatário da mensagem. É verdade, contudo, que a mente humana tem a tendêbcia de admirar o complicado. Infelizmente, os conceitos óbvios também são os mais difíceis de identificar e vender. Especialmente em Roma. (Com insights de Al Ries, Jack Trout e Steve Rivkin)

* O Concílio Vaticano II foi inaugurado em 1962 pelo papa João XXIII. Foi encerrado por Paulo VI em 1965.

Emílio Cerri

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    Emilio Cerri é publicitário, estrategista de marketing e jornalista, com atuação em agências nacionais e internacionais, além de diversas empresas e meios de comunicação. Também vem realizando palestras em vários estados brasileiros e países da América do Sul. Atualmente é CEO da Marketall Comunicação, um hub de serviços de marketing entre os quais se destaca o "Posicionamento Competitivo". Para esse trabalho, Cerri tem o endosso e apoio da Ries & Ries (Atlanta, USA), consultoria de Al Ries, criador do Posicionamento.