Coluna Economia | Voltaremos ao “normal” mais cedo do que o previsto

14 de Junho de 2021

por Elizeu Lima

 

Em meu último artigo “Apesar de todos os pesares o Governo e o Brasil avançam” tive várias expressões de amigos e leitores que me chamaram atenção por uma escrita muito otimista em relação ao futuro e que o País estava no fundo do poço, que não havia espaço para tanto otimismo.

Passado algum tempo daquele artigo, posso afirmar que voltaremos ao “normal” mais cedo do que o previsto, apesar de todos os contratempos que ainda temos, incluindo nesses contratempos os arranjos de cadeiras pelo Governo, uma CPI oportunista, potencial falta de energia elétrica etc., senão vejamos:

Inadimplências das indústrias MPMEs está em 2,3% quando em maio/2020 era de 4,2%. 

  • As médias e pequenas empresas tiveram acesso aos programas emergências de crédito a partir de jul./20 tendo o Pronamp sido renovado agora.
     
  • 61% dos inadimplentes precisam e pedem maior carência e prazo para pagamento o que denota confiança na recuperação. Apenas 4,2% buscam refinanciar o principal. (Fonte: Fiesp Depto da Micro, pequena e média indústria.)
     
  • As vendas da indústria paulista caíram apenas 3,5% usando ainda uma capacidade instalada de 78,5% quando a media histórica e de 79,3%.
     
  • Índice da atividade econômica vem num crescendo de 0,8%, 1,3%, e 1,7%, com serviços crescendo 3,7%.
     
  • Houve uma desaceleração na atividade econômica do ultimo trimestre 2020 de uma media de 52,1 pontos para 50,6 pontos de acordo com pesquisa da Sensor
     
  • Com exceção da China que cresceu 2,8% em 2020, praticamente todas as demais economias se retraíram com -3,3 e para 2021 previsão é de crescimento de 6,0% com os emergentes crescendo 6,7%, conforme prevê o FMI.
     
  • Para o Brasil o mercado prevê um PIB de 3,04% conforme dados do Bacen/Boletim Focus, entretanto sistema financeiro já prevê crescimento acima de 5,0%. 
     
  • Sob a ótica da oferta a indústria de transformação crescendo 6,6%, e sob a ótica da demanda o consumo das famílias deve crescer 4,8%, o que e bastante alvissareiro.
     
  • Os juros da economia, apesar dos reajustes já verificados de 2,0 para 3,5% ainda estarão em patamares baixos, mesmo que atinja 5,25% como está sendo previsto.
     
  • As atividades ainda estão fragilizadas e ainda certa incerteza na economia, mas a confiança aumenta.
     
  • A inflação deve ficar em 4,52%, um pouco acima da meta, mas perfeitamente administrável.
     
  • A área externa pode eventualmente atrapalhar um pouco pois os USA com a injeção de 2,8 trilhões de dólares em sua economia, ou seja, 13% de seu PIB, poderá gerar um consumo maior e aquecimento da economia e por consequência inflação, que também afetara todo o mundo com uma ainda maior valorização das commodities, aumento das taxas de juros e valorização do dólar frente as demais moedas. 
     
  • A valorização das commodities que tanto bem faz a nossa balança de pagamentos já que somos grandes exportadores pode trazer outras consequências. 
     
  • De acordo com Bloomberg nos últimos 12 meses soja subiu 59,7%, milho 46,5%, minério de ferro 96,3%, alumínio 29,8% o que convenhamos está fora de qualquer padrão aceitável trazendo pressão adicional sobre a inflação brasileira e aumento de preços, com maior elevação de juros por aqui num momento ruim de ainda alto desemprego.
     
  • A vacinação avança e já estamos com mais de 40 milhões de nossa população vacinada, com previsão de alcançar 67,7% de toda a população vacinada em agosto/21.
     
  • Tão logo isso aconteça a economia volta a se movimentar com mais vigor e o consumo volta a tomar folego com maior intensidade.
     
  • A intensa redução de consumo em 2020 gerou por outro lado um aumento na poupança forçada de precaução devido as incertezas. Esse acúmulo de poupança de 12,5% para 15% do PIB (Ou 190 bilhões), de acordo com IBGE, voltará para o consumo e será um fator positivo de crescimento da economia.

Assim, vários são os pontos positivos que indicam que voltaremos ao “normal” mais cedo, quais sejam: 

I.    Disponibilidade de crédito com taxa de juros ainda baixa

II.    Reedição pelo Governo de programas de apoio financeiro com injeção de recursos na economia

III.    Uso no consumo em 2021 de valores poupados em 2020. 

IV.    Inflação dentro das metas esperadas.

V.    Reativação da construção civil.

VI.  Reorganização do mercado de trabalho com redução de desemprego motivado inclusive pelas expectativas. De acordo com Caged foram criadas 837 mil vagas com carteira assinada no 1°. Trimestre/21, quase 12,5 vezes mais que mesmo período de 2020.

VII. Solução de impasses orçamentários com expectativa de melhor controle fiscal e que podem injetar mais 100 bilhões na economia em função da Covid, portanto fora do teto de gastos.

VIII. O Governo vem ainda tendo bons resultados com licitações públicas com entrada imediata de valores substantivos a título de outorga e previsões de pesados investimentos neste e nos próximos anos.

IX. Avanço da proteção das vacinas etc.

Enfim, as expectativas são alvissareiras e tudo indica que o retorno será mais cedo que o esperado. Nuvens aparecem no horizonte que podem atrapalhar um pouco, como por exemplo as decisões a serem tomadas pela CPI em andamento e que pode desviar o foco do Governo, e ainda algo mais grave, a crise hídrica que ameaça com falta de energia, especialmente se o crescimento acontecer como todos esperamos; mas até lá, ainda teremos muita água passando embaixo da ponte.

Elizeu Lima
Jun/21


Elizeu Lima

Graduado em Administração, Contábeis e Direito, MBA em administração e
finanças, atuante no mercado internacional de M&A, palestrante nacional e
internacional nas áreas de economia, finanças e investimentos no Brasil.

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