Coluna Economia | Impactos da pandemia no interesse e na prática por esportes

19 de Abril de 2021

por D.J. Castro

 

 

Como o comportamento dos brasileiros está mudando em relação aos esportes?

 

Pesquisas do Google e do WGSN mapearam as mudanças dos consumidores brasileiros durante a pandemia. A pesquisa mostra grandes transformações e adaptações no modo como as pessoas se relacionam com os esportes e as atividades físicas. Os novos esportes ganham mais espaço, especialmente atividades que podem ser realizadas individualmente e tem menor risco de contaminação. 

A prática de caminhada, corrida, ciclismo e natação dispararam em 2020. O fato de poderem ser realizadas individualmente é um grande fator de influência para o aumento da demanda. Outras atividades individuais que se destacaram: Squash, Tênis, Yoga e Pilates. Além disso 39% das pessoas começaram a praticar algum esporte que nunca tinham praticado antes da pandemia. Nos esportes coletivos, o interesse sobre basquete e futebol americano cresceu consideravelmente nas buscas online. Mas, na prática, as atividades em grupo foram muito prejudicadas ao longo do ano. 

Todo esse interesse foi acompanhado de um aumento na demanda por produtos desses esportes, e as práticas esportivas estão cada vez ocupando mais espaço no estilo de vida das pessoas, transformando-se em uma nova forma de expressão. Com isso, a frequência de consumo aumenta e cria novas oportunidades para as marcas esportivas e também de moda. Dessa fusão entre moda e esporte surgiu o estilo Athleisure, que traz peças com influência dos esportes, com elementos tecnológicos e que são feitas para serem usadas no dia-a-dia. 

Nas vendas online "direct to consumer", o segmento esportivo é o primeiro, com 25% de participação e um ticket médio de R$180 reais. As marcas precisam explorar melhor esse potencial, trabalhando a integração entre online e pontos de venda físicos, com a entrega de experiências únicas para criar conexões relevantes com as pessoas e desenvolver relacionamentos de longo prazo. Com mais envolvimento e uma abordagem consumer centric, as marcas podem convencer os consumidores a compartilhar mais dados para aprimorar suas propostas de valor. 

O varejo especializado ainda domina, mas as lojas multivarejistas tem ganhado espaço rapidamente. A recente aquisição da Netshoes pela Magalu aponta uma possível tendência de integração entre esses canais. No share of mind de marcas no Brasil, a Nike continua dominando, com 47% de lembrança, seguida pela Adidas com 26%. Interessante destacar que a Nike vendeu sua operação no Brasil para a Centauro no final de 2020. 

Dois terços dos brasileiros querem melhorar sua prática esportiva atual, 25% diz que não tem tempo para praticar mais esportes e 21% sentem-se cansados. No início da pandemia, houve uma desaceleração brusca da busca por academias, mas o interesse pelo setor aumentou fortemente nos últimos tempos, ultrapassando em muito o interesse pré-pandemia. Apenas 19% dos brasileiros afirmam que a prática esportiva faz parte da sua rotina. O potencial do mercado é gigantesco. 

Os brasileiros também tem procurado se exercitar mais em casa, tem contado com a ajuda de coachs esportivos online (respeitado o distanciamento social) e procurado muitas informações sobre esportes, aulas e dicas em vídeos online. Desde aprender a fazer alongamento, praticar yoga ou dançar zumba, há um vídeo para cada interesse e esse conteúdo aumenta com o passar dos dias. 

Atividades ao ar livre como camping, trekking e pesca ganharam um impulso por oferecerem um senso de normalidade e, além disso, o contato com a natureza auxilia no equilíbrio da saúde mental tão afetada pelo confinamento. 

Esporte é uma fonte de bem-estar para todos que o praticam. É uma maneira de aumentar a qualidade de vida, aprimorar a saúde e aumentar a longevidade. O conceito de Wellbeing, acompanhado de meditação, mindfullness e todas as atividades relacionadas ao cuidado com o corpo e à mente são uma grande tendência global e abrem oportunidades especiais no mercado brasileiro. 

Na convergência entre esporte e bem-estar há um universo de novos negócios possíveis. Explorar propostas de valor consistente que atendam as demandas das pessoas é um grande caminho para o sucesso nesse segmento. As marcas devem aproveitar essa nova onda de interesse pelos esportes, as atividades físicas, o bem-estar e a vida ao ar livre para se conectarem ainda mais com as pessoas. Assim, todos podem sair ganhando com mais saúde física, mental e qualidade de vida.


*D.J. Castro

Estratégia de marcas e especialista em marketing. Fundador da Nexia Branding.
Conselheiro do SC Criativa. Vice-coordenador do núcleo de inovação da ACIB e Head de Comunidades da Blusoft.

 

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