Coluna Economia | Haverá falta de energia elétrica?

23 de Junho de 2021

por Elizeu Lima

 

Crise hídrica - problemas e soluções

 

Estamos novamente as voltas com noticias alarmantes sobre a eventual falta de energia elétrica por crise hidrológica.

O Presidente Bolsonaro alertou há 2 semanas que poderia faltar energia por falta de chuvas. E a energia gerada por hidroelétricas e consumida e a principal fonte de armazenamento de energia e representa 62% do total de energia do País, portanto, os efeitos da falta acentuada dessa energia são catastróficos. 

Os economistas, especialmente aqueles com algum viés e com tendência a visão catastrófica afirmam que faltará energia por falta de água e que isso impactará o resultado econômico de tal forma que levaremos mais um ano adicional para a retomada.

Os players atuantes no mercado, geradoras, transmissoras, distribuidoras e afins sentam-se a mesa para examinar o momento chegando a conclusões semelhantes e novamente começa a cantilena dos problemas e cada um tentando puxar a brasa para sua sardinha. 

De fato, a ANA, agencia Nacional de Águas já reconhece a escassez de recursos hídricos, especialmente na região hidrográfica do Paraná, e já está atuando no despacho temporário de usinas térmicas, mas pior, mesmo com esta ação, já prevê o colapso nos próximos meses. 

O sistema elétrico brasileiro é bastante complexo e com problemas graves estruturais que persistem há dezenas de anos sem que providencias tenham sido tomadas para resolver. 

Voltam as chuvas, os reservatórios se enchem, e nem tem enchido tanto assim, energia fica um pouco mais abundante e esquecem-se dos problemas até a próxima crise.

Mas afinal, quais são os problemas? Porque não se resolvem?

Varias são as causas e muitas as consequências, dentre elas um custo de energia dos maiores do mundo, senão vejamos.

Os problemas podem ser resumidos numa incapacidade dos players, geradores, transmissores, distribuidores e outros afins se entenderem, cada um entra nas discussões defendendo seus mercados e também falta uma liderança firme para conduzir o processo, tanto da parte do Governo quanto de uma entidade independente que possa “obrigar” a que se cumpra uma pauta. Na realidade essa liderança deveria ser exercida pelo Governo, mas carece interesse e boa vontade, a meu ver. 

Para começar deveriam ser claramente definidas as áreas de atuação nesse Processo entre ANA - Agencia Nacional de Águas, ANEEL - Agencia Nacional de Energia Elétrica, MME - Ministério das Minas e Energia, ONS - Operador Nacional do sistema e etc. 

É preciso haver uma centralização na condução desse Processo. O Governo só agora se movimenta na edição de uma MP que concentra mais poderes nas mãos do Ministério das Minas e Energia através da criação de uma Câmara de regras operacionais excepcionais - CARE para usinas hidrelétricas com o intuito de direcionar de forma urgente e temporária o gerenciamento da vazão e utilização dos recursos hídricos para garantir a produção de energia. Ou seja, esperou a porta estar arrombada para tomar providencias. 

A Fiesp, Federação da Industria do Estado de São Paulo, através de sua área de Infraestrutura/Energia  tem atuado de forma relevante conduzindo discussões em temas prioritários  na busca para um novo desenho para o sistema elétrico brasileiro que atuem nas soluções de problemas em relação a liberalização do mercado, mercado de capacidades, novas tecnologias, desenho tarifário, formação de preços, Governança etc., mas essas discussões visam mudanças estruturais  para que o sistema não se ocupe em demasia com situações conjunturais, especialmente nas eventuais crises hídricas por falta de chuvas, como estamos vivendo hoje.

Aliás estamos vivendo hoje crises pelas quais já passamos no passado muito recente, conforme nos mostra o gráfico de precipitação na bacia do Paraná abaixo. Em situação semelhante estão as demais bacias.

 

Existem reservatórios de água em todo o País, mas os sistemas do centro oeste e sudeste representam 70% do volume e estão com apenas 30,4% de sua capacidade de armazenamento e na media em todos os sistemas a capacidade está em 40%, o que e alarmante.  Se esses sistemas se ressentem de falta de chuvas como acontece agora, de forma severa, o Brasil inteiro sofre.

A Fiesp tem alertado sempre, fez isso em 2015 e agora de novo sobre os efeitos nefastos que esses problemas trazem a todos com interferência no regular funcionamento das industrias e de todos, e o custo excessivo no consumo com uso de termoelétricas, além de outros efeitos nefastos na irrigação, navegação e logística, aquicultura, segurança alimentar, aumento de preços de produtos, lazer e turismo, inflação etc.

Os reservatórios já estão em situação grave de seca, especialmente Minas, Goiás, Mato Grosso, Paraná, e a estação seca vai até setembro. 

Então a perspectiva de fato é de que a situação tende a piorar muito e poderá sim haver falta de água e racionamento de energia. 

Portanto, todos devemos economizar água e energia. O mínimo que nos, pobres mortais, podemos fazer para passarmos mais essa crise.


Elizeu Lima

Graduado em Administração, Contábeis e Direito, MBA em administração e
finanças, atuante no mercado internacional de M&A, palestrante nacional e
internacional nas áreas de economia, finanças e investimentos no Brasil.

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