Coluna Cinema | Qual o Futuro do Cinema Pós Pandemia?

08 de Maio de 2020

Dúvidas e medidas de grandes empresas do setor deixam o futuro das salas de cinema incerto

 

No dia 28 de abril de 2020 dois anúncios deixaram a indústria cinematográfica, principalmente exibidores e distribuidores preocupados. O Oscar 2021 aceitará inscrições de filmes que forem lançados diretamente em plataformas de streaming, devido a crise da Covid-19 e a animação de sucesso, em sua segunda versão, “Trolls World Tour” da DreamWorks, estreou dia 10 de abril simultaneamente em cinemas do mundo todo e nas plataformas de streaming.

Antes, produções exibidas nas plataformas de streamings tinham que ser exibidas em pelo menos 1 sala de cinema para poder concorrer ao prêmio. Segundo o CEO da NBCUniversal, Jeff Shell “Em vez de atrasar filmes ou lançá-los em uma paisagem de distribuição exibidora, queremos disponibilizar uma opção para que as pessoas vejam esses títulos em casa e que seja acessível.” 

Essas decisões foram motivadas principalmente pela mudança no comportamento dos consumidores, que agora precisam ficar em casa e não podem se aglomerar, e vão na contra-mão à prática de manter um filme exclusivamente nos cinemas por 90 dias antes de serem disponibilizados para locação ou compra em outras plataformas.

No mês passado a rede americana de cinemas CMX, com sede em Miami decretou falência. Outras grandes redes como Cineworld e AMC também com dificuldades se mostraram contrárias às medidas de disponibilizar as produções diretamente no streaming antes de serem exibidas no cinema.   

Ontem assisti um webinar da Revista Exibidor sobre os próximos passos para a reabertura das salas de cinema no país. O cenário ainda é de muitas dúvidas, mas os participantes do evento on-line se mostraram otimistas, exceto por um comentarista que acredita em reabertura e novo fechamento. A data prevista de reabertura no Brasil é 1º de julho, em conformidade com as orientações do Ministério da Saúde e órgãos competentes. Porém a reabertura de cinemas na China em março foi considerada “precipitada” e 10 dias após as primeiras sessões o governo determinou novo fechamento. Enquanto estavam abertas, o a aderência do público foi baixíssima. Dois países da Europa, República Tcheca e Noruega, já anunciaram a volta dos cinemas para o mês de maio.

Como vários setores o mercado cinematográfico foi muito afetado pela pandemia, segundo o informe anual da Ancine (Agência Nacional do Cinema), o parque exibidor brasileiro encerrou o ano de 2019 com um total de 3.477 salas de exibição em funcionamento, ultrapassando o recorde de 3.347 salas em 2018 e distanciando-se ainda mais do recorde histórico anterior de 3.276 salas em 1975. 

Praticamente todas as salas de cinema do país estão fechadas desde o final de março e pela primeira vez na história, o Brasil passou a registrar faturamento zero de bilheteria. A única exceção foi a rede gaúcha Cine Globo, que re-abriu duas unidades em meados de março e contou com um público de apenas 116 pessoas em 2 dias.

Segundo uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, Ancine e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) preparam uma linha emergencial de crédito para socorrer a indústria do cinema, que poderia arcar com a folha de pagamento das empresas exibidoras por um ano. Ainda em março A Ancine comunicou um Decreto no Diário Oficial sua preocupação em preservar cada um dos milhares de empregos diretos e indiretos gerados pela indústria audiovisual, que após a expressiva taxa de crescimento apresentada pelo setor foi prejudicada pela pandemia. “A Agência igualmente se preocupa com a preservação das empresas que atuam no setor, investindo, gerando crescimento econômico e desenvolvimento social”.

Em conversa com o proprietário do Paradigma Cine Arte, Felipe Didoné disse que para sobreviver à crise eles lançaram uma promoção de incentivo nas redes sociais, onde mantém o contato ativo com o público, a campanha onde o cliente compra um ingresso antecipado e ganha outro quando o cinema reabrir teve um resultado muito bom. “Evidentemente nosso setor foi muito impactado e este ano não será fácil, mas estamos confiantes de que aos poucos conseguiremos nos recuperar. O que estamos fazendo agora, já nos preparando para uma reabertura mais demorada, é buscar parcerias com as distribuidoras e oferecer filmes de lançamento para as pessoas adquirirem em casa através de links via plataformas que devem surgir nos próximos dias. Estas novas plataformas incluirão os exibidores no modelo, o que não acontece nas plataformas atuais. Na próxima semana já devemos ter novidades a respeito.” 

Para encerrar deixo a declaração do CEO da Disney Bob Chapek "Estamos com os dedos cruzados. Nós acreditamos muito na experiência do cinemas para grandes blockbusters. Também percebemos que, seja por causa da evolução do consumo, ou por situações como o Covid-19, nós talvez teremos que fazer algumas mudanças em nossa estratégia, pois os cinemas não estão abertos, ou não atingem a amplitude que precisamos para ser viável financeiramente. Vamos avaliar caso a caso".

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