Coluna Carlo Manfroi | Como foi A MINHA Campus Party

08 de Fevereiro de 2018

O que aprendi na #CPBR11 e levo pra vida.

Não tem como escrever um texto único sobre como foi a Campus Party Brasil 2018. O evento é múltiplo, cada um viu e vivenciou do seu jeito. Vou tentar passar um pouco de como foi a minha experiência.

Para começar, a fila de cadastramento continua igual ou pior do que a Campus que eu havia participado em 2010. O primeiro dia é um caos, passamos metade dele nas filas para cadastramento, para barraca, para cadastrar os equipamentos.

Trouxe meus filhos e um amigo deles, então optamos por ficar nas barracas e vivenciar esse acampamento tecnológico, com ar condicionado e wi-fi. Confesso que o colchão da minha cama é melhor do que eu pensava. Dormir cinco noites na barraca é para os fortes.

 

Da Arena pro Camping e vice-versa
A Campus é dividida em duas áreas enormes (dentro do mesmo galpão) no pavilhão do Anhembi. Em uma delas fica a Arena, onde tudo acontece, e na outra o Camping, onde nada deveria acontecer. Para ir de uma pra outra você precisa passar o crachá no código de barras e o dedo no leitor biométrico, pra provar que você é você. Ainda tem uma terceira área, dos stands dos Expositores, onde fica também a praça de alimentação. Ali você precisa passar o crachá mais uma vez. Dá pra comprar o pacote de alimentação para uma semana (café, almoço e janta) e vale a pena.

A parte central da Arena é tomada por bancadas com cabos de internet e extensão de pontos de luz. São mesas brancas enormes com cadeiras, onde as pessoas se instalam com seus computadores. Muitos levam notebook, mas tem uma boa parte de campuseiros que quase leva a casa toda nas costas. Desktops gigantes são montados com até três telas de monitor. Ao redor das mesas também se instalam equipes e caravanas. As equipes podem ser de gamers, de empresas, de ONGs e outras. As caravanas ou comunidades são de lugares ou afinidades por temas, como a caravana do Espírito Santo ou a comunidade do Sol Nascente.

Cup Noodles e Cosplay


 

Você pode somar a isso tudo alguns food trucks como Cup Noodles, Casa do Pão de Queijo, Churros, Pipoca, Açaí e por aí vai. Também coloca na conta os bonecos temáticos geeks. De desenhos a séries e filmes, foram distribuídos em tamanho gigante pela Arena e dão um astral e cor super legal ao ambiente. Mas o que mais passou a descontração pra mim – lembre que é uma visão particular de quem mergulhou na #CPBR11 – foram os cosplay, que são pessoas que se vestem dos personagens que mais curtem e admiram. Isso era uma festa. A cada corner das mesas você encontrava não apenas um, mas muitas vezes um time completo representando a série.

 

Todos os palcos
Ao redor das bancadas estão os palcos temáticos, com palestras que começam de manhã e viram a madrugada. Tem o palco principal, #FeelTheFuture e ainda a Academia Creators, Coders, Criatividade, Empreendedorismo, Games, Makers, Startup e Makers, Steam, Liga dos Desenvolvedores, Hackathon. Além deles, têm os espaços de Workshop. Os palcos trazem temas mais abrangentes, complexos e filosóficos. As academias apresentam projetos com resultados pontuais. E no workshop você aprende praticando.

A Agenda tem uma programação intensa. Com tanta apresentação acontecendo no mesmo horário é preciso ter foco no que é mais importante pra você. Tem que saber escolher, e rápido. Mais ou menos como na vida atual.

Os assuntos debatidos são variados, vão de blockchain à neurociência e cyborgs, produção de conteúdo, plataformas digitais, APPs, games, criatividade, educação, desenvolvedores, makers, hackers e outros tantos.

 

Atirei tomate no paletrante
Na Campus você pode jogar tomate num velho rabugento se não gostar da palestra dele. O Dado Schneider – Prof. Dr., consultor, palestrante –  conhecido por suas palestras educa-divertidas lançou o desafio pra galera: se não gostassem da Palestra Rabugenta, poderiam jogar tomates. Ele preparou o circo, se paramentou com roupas de plástico e mandou ver. A palestra foi boa, em cima de palavras que as pessoas falam e que não sabem o que significa, ou de modismos e aberrações como “startar a campanha” no lugar de “começar a campanha”. Enfim, daria um outro texto só dessa palestra e da outra que Dado apresentou com Ricardo Cappra, cientista de dados, com o título O Pesquisador e o Cientista. O fato é que no fim da palestra escolheram na plateia 25 voluntários para jogar os tomates no rabugento. Fui um dos escolhidos e foi feita a tomatina!

A smart TV é mais esperta que você
Na primeira palestra, Ricardo Cappra revelou algumas informações que dão medo. Entre elas, que a smart TV – por estar conectada à internet – pode gravar o que a gente fala em casa e jogar na rede, armazenando as conversas em servidores para descobrir quais são o assuntos de interesse naquela casa. Segundo ele, a estranha compra da rede de supermercados Whole Food pela Amazon, dois segmentos nada a ver, é simplesmente para colocar chips nas lojas e estudar os hábitos dos consumidores, podendo usar para outras ações de vendas online. 

 

Blockchain não é palavrão
Participei de workshop sobre blockchain, onde Alberto Azevedo explicou os principais conceitos sobre autentificação de documentos, contratos inteligentes, criação de moedas próprias, vaquinha. Mas o que mais chamou a atenção é a revolução que a blockchain poderá fazer no sistema de controles de bancos e cartórios.
 

 

Aprendi em detalhes sobre a Operação Serenata de Amor, que rastreia verbas indenizatórias dos deputados da câmara e aponta as irregularidades, como um almoço de bode que custou R$ 1.500,00 ou uma cervejinha em Los Angeles paga com o nosso dinheiro, entre muitos outros absurdos. O pessoal do Serenata é voluntário e precisa de ajuda. Clique aqui para saber como!

 

Na granja da Bia
Acompanhei a apresentação da Bia Granja (Youpix) na Academia Creator sobre criadores e influenciadores. Temos 589 mil youtubers no Brasil e 400 canais com mais de 1 milhão de seguidores. Entre as redes de produção de conteúdo, o Youtube é o único canal que paga os criadores pelo conteúdo, mas não dá essa grana que as pessoas imaginam e tem muito youtuber partindo para eventos, livros e palestras a fim de monetizar. As plataformas sociais são esteiras de conteúdo, estão sempre à espera de um novo post, e muita gente pira com esse stress de ter de publicar sempre. Nesse segmento, ser workaholic não é opção, é mandatório.

 

Chilli Beans e as pimentas do Caito Maia
O fundador da Chilli Beans fez uma apresentação vibrante sobre a história da marca de óculos que virou livro e está virando filme. A história da Chilli Beans se mistura com a biografia do seu fundador, trazendo no enredo os altos e baixos que cativa nos melhores roteiros: de uma mala de óculos comprada de um camelô na Califórnia para um cruzeiro temático de lançamento da nova coleção. Um belo exemplo de empreendedorismo.

 

Storytelling e Madonna
Na apresentação sobre storytelling, o case da Madonna e BMW Star foi abordado em detalhes. O projeto foi encarado como cinema, tendo 5 milhões de dólares entregues para cada um dos sete diretores fazerem seus filmes, que rodaram na internet.

 

Hackers do bem

 

No palco principal, Mitch Altman contou de forma descontraída a sua história de vida e de como os hackers e makers podem fazer a diferença positiva no mundo. Os hackerspaces, ou makers ou Fab, como queiram chamar, estão aí pra proporcionar essa mudança unindo e formando comunidades em torno de ideias e ideais, tirando do papel e tornando real. Mitch ficou conhecido por inventar o TV-B-Gone, um controle remoto que desliga as TVs em locais públicos.
 

Amor em alta

Rachel Brochado apresentou o Flattr como a versão positiva aos ad blockers. O italiano Oscardi Montigny deu uma aula de vida falando sobre Vocação e Amor, este segundo um tema que todos querem dar e receber e que no entanto é tão pouco falado na mídia diária. 

Futuro da Educação

Adriano Teixeira abordou com bons exemplos o novo modelo de universidade que o mundo precisa, e que não são as que temos atualmente. Ainda no Fórum Futuro da Educação, conhecemos as universidades que empreendem e seus modelos de negócios incubados e que estão dando certo, fazendo a diferença na sociedade.

 

Vivendo na bolha
Quem é campuseiro vai entender
- 6 dias dentro de um pavilhão sem ver a luz do dia
- Cadeiras correndo, único lugar no mundo
- Oooooooooooo, o grito de paz
- Campo de futebol (alguém jogou?)
- Corrida na #CPBR11: blogdecorrida.com.br
- PRÓXIMOOO!
 

A #CPBR11 em números
12.000 campuseiros
750 horas de atividades
130.000 pessoas no Open Campus
49 gigabytes de intranet (equivale a Belo Horizonte)
37.000 m2 de área no Anhembi

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Carlo Manfroi

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    Carlo Manfroi é publicitário, pós-graduado em marketing interativo, CEO da Qualé Digital, consultor, escritor, professor de pós-graduação especialista em gerenciamento de crise e branding. Email: carlo@qualedigital.com – www.qualedigital.com