Coluna Ana Lavratti: Só sentir não basta. O amor de verdade tem verbo e convívio

22 de Abril de 2019

Para Gary Chapman, autor de "As 5 linguagens do amor", é preciso descobrir qual idioma o outro entende

Com palavras, presentes, presença, é preciso traduzir aquilo que se sente

 

Passada a Páscoa, que persevere a Paz.

Mais do que a Santa Ceia, reverberada todos os domingos.

Mais do que o perdão, que herdamos de Jesus.

Mais do que o exemplo, de quem acata seu desígnio.

Nós ganhamos um convite, pra vivermos como irmãos.

 

Sem energia na tomada, sem microfone ou celular.

Antes do rádio, da TV, do jornal pra gente ler.

Alheio a rede social ou cobertura em tempo real.

Jesus deixou um legado, que é o espírito cristão.

Não bastam as mensagens, emojis, hashtags. Precisamos da ação!

 

Desvendando com Gary Chapman “As cinco linguagens do amor” fica mais fácil entender por que Jesus segue presente.

Simplesmente... porque amar era verbo. Era verdade. E também era convívio.

Por isso nesta segunda, no rastro da Semana Santa, quero traçar um paralelo entre o que Gary Chapman ensina, o que milênios antes Jesus já praticava, e o que nós, pais, mães, filhos, amigos, colegas, por vezes perdemos a chance de fazer.

 

A primeira linguagem de amor é, de fato, uma linguagem. Trocar Palavras de Afirmação. Abrir o coração. Dizer o que sentimos. Falar o que queremos.

 

“Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.

Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta”.

Mateus 7:7,8

 

A segunda linguagem de amor nem parece uma “linguagem”. Mas fala por si. A Qualidade do Tempo. Dispender com o outro uma partícula da vida, trocando a automação pela real atenção. Ao deixar o sepulcro, Jesus derrama suas bênçãos, ali presente, pessoalmente.

 

“De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”.

João 20:19-22

 

A terceira linguagem do amor tem forma e cor. É quando nos expressamos no cuidado e no carinho com a compra de um presente.   

 

“Tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, deu graças e, partindo os pães, entregou-os aos discípulos, e os discípulos entregaram-nos à multidão. Todos comeram e se fartaram; e do que sobejou levantaram doze cestos cheios de pedaços. Ora os que comeram, foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças”.

Mateus 14:19-21

 

A quarta linguagem do amor é se dispor a servir. O que faço por ti. Além das palavras, do presente, da presença, traduzo em ação o que vai no coração.

 

“E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”.
Marcos 10:44,45

 

A quinta linguagem do amor é o toque, e nem Jesus se absteve de abençoar com um abraço.

 

“Deixai vir a Mim as crianças. Não as afasteis, porque o Reino de Deus pertence-lhes. Eu vos garanto: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele”. Então Jesus abraçou as crianças e abençoou-as, pondo a mão sobre elas”.

Marcos 10, 14-16

 

Nem sempre a linguagem que prefiro eleger é aquela que o outro consegue entender. Por isso além de amar, preciso decifrar, e demonstrar, mostrar a quem amo o amor que eu sinto.

Com palavras, na pele, na companhia, num gesto, no presente que eu julgo que o outro precisa, externar o amor em tom maior é desvendar da vida a melodia.

Transmutar o silêncio em sinfonia.

 

 

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de 3 livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti