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Coluna Ana Lavratti: Ser líder não é ser forte nem perfeito nem melhor do que os outros
19 de Fevereiro de 2018

Coluna Ana Lavratti: Ser líder não é ser forte nem perfeito nem melhor do que os outros

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Por Ana Lavratti 19 de Fevereiro de 2018 | Atualizado 19 de Fevereiro de 2018

No ano de 2012, provei um privilégio profissional:

responder no Brasil pela assessoria de imprensa da vietnamita Kim Phuc, Embaixadora da Boa Vontade da Unesco.

Pelo nome, talvez nem todos reconheçam, mas Kim Phuc levou inimigos a repensarem os rumos da Guerra do Vietnã, ao ser fotografada aos nove anos, nua no meio da rua, correndo com o corpo em chamas, bombardeada em ofensiva aérea por um combustível altamente inflamável, o Napalm.

Antes mesmo de embarcar pro Brasil, a “personagem” da foto que rendeu a Huynh Cong Ut os prêmios Pulitzer e World Press Photo esclareceu como preferia atender a imprensa: concederia uma entrevista exclusiva pra TV e uma exclusiva pra revista ou jornal.

Imediatamente, os grandes veículos pleitearam uma vaga, com o programa Fantástico e a revista Veja levando vantagem.

Então correspondente da Globo no Japão, o jornalista Roberto Kovalick veio até Floripa, designado pela intimidade com a cultura Oriental.

Na hora marcada, no último andar do Majestic Palace Hotel, o vento é tão forte que interfere na qualidade do som.

Então lá vou eu, remover os médicos da sala VIP e liberar a área pra gravação que já começa com atraso. E não tarda a nos frustrar.

Não lembro se foi cabo, bateria, microfone, mas não posso esquecer a angústia do Kovalick, com todas as perguntas na ponta da língua, obrigado a falar pra convidada que o equipamento fornecido pela TV local precisaria ser substituído.

Com um sorriso salvador, Kim responde a Kovalick: “não te preocupa, eu tenho paciência”. E nem por um instante demonstrou o contrário, até concluídos os trabalhos bem depois da hora prevista.

 

Em outro momento, entre muitos abraços espontâneos, Kim se dispôs a autografar as fotos onde revelava as sequelas resistentes a 17 cirurgias. E antes que eu me desse conta de que também desejava aquele autógrafo, distraída com as pessoas e a tradução inglês-português, ela estende a mão e me oferece um cartão…

 

À noite, na abertura solene do Congresso Brasileiro de Queimaduras, Kim Phuc fala de gentileza e perdão. Fala de paciência, de compreensão. Fala do que pratica. Da total serenidade diante dos imprevistos, como eu mesma havia visto. Porque era grata pela cura física, pela chance de sobreviver após 14 meses de sofrimento e internação. Era grata pela cura espiritual, pela coragem de reencontrar e perdoar o piloto que seguindo ordens soltara a bomba sobre a sua aldeia.

Mas nada daquilo teria me tocado ou convencido se eu não tivesse presenciado, naquela tarde, a genuína autenticidade: o exemplo por trás do discurso; a paciência diante do problema; a boa vontade da Embaixadora da Boa Vontade!

 

Passado o Carnaval, que tal fazer igual?

despir as fantasias que mascaram nossa essência,

negar-se a imitar quem só conhecemos pela aparência,

assumir quem somos sem temer condenações,

conciliar o que pregamos com as nossas ações,

transformar dor e doença em alavanca pra mudança,

perdoar a nós mesmos… porque errar não é ofensa.

Errar é só escala entre o possível e o pronto,

parte do percurso, como a risada e o pranto.

 

Com mais da metade do corpo queimado,

“revivendo” a tragédia em público 40 anos depois,

Kim Phuc falou da resistência em aceitar ser “aquela”,

do sacrifício prolongado até aceitar ser quem era.

Nos convencendo que ser líder não é ser forte

nem perfeito nem melhor do que os outros.

Ter coerência entre o que diz e o que faz. Ser quem diz que é.

Reconhecendo os méritos, mas também os defeitos.

(por distinguir a lacuna entre esconder e resolver).

 

Clique nas fotos para acionar o slideshow e ampliar as imagens da Galeria:

 

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