Coluna Ana Lavratti: Para aproveitar ao máximo Fernando de Noronha

24 de Fevereiro de 2020

Hoje eu trago mais programas em Noronha, pra se sentir num aquário e se emocionar no pôr do sol

Piscinas naturais da Praia do Bode: parece um aquário de tantos peixinhos

 

Concluindo a série de posts sobre o paraíso, Fernando de Noronha, quero compartilhar algumas experiências que nos marcaram por ali, e que se não forem ditas, talvez não sejam previstas:

 

Nós fomos no Verão, e a água do mar e das baías era tão quentinha que permitia mergulhos até o pôr do sol. No guia oficial da cidade, no entanto, a recomendação é nunca entrar no mar após as 17h. Em algumas praias, realmente, o acesso por trilhas, sem iluminação, davam a entender a dificuldade de se fazer o percurso de volta, a pé e no escuro.

 

O ingresso para o Parque Nacional Marinho, que mencionei na Coluna de 10 de fevereiro, pode ser adquirido pela internet, no Projeto Tamar (Centro de visitantes ICMbio) e nos PICs de acesso à Baía do Sueste e à Praia do Sancho.

 

A Ilha de Fernando de Noronha também se revestiu com a campanha Plástico Zero, evitando a presença de copos, canudos, talheres e outros acessórios de plástico. Nós levamos de casa squeezes de alumínio, e enchíamos a cada manhã com a água comprada em versão 1,5 litro no mercadinho. Assim, a cada período, em vez de três garrafas pequenas de plástico deixadas da praia, nosso consumo era de uma garrafa descartada no lixo seletivo da pousada.

 

O céu é uma atração à parte... Dizem que a camada de Ozônio é muito mais preservada em Noronha do que Brasil afora, e tenho argumentos pra concordar. Pegamos muito sol, sem qualquer dor, vermelhidão ou pele descascada, o que nos acomete em outras cidades mesmo com uso de filtro solar. À noite, as estrelas brilham com tamanha intensidade que parecem até de led.

 

Outra curiosidade é o sal da água. A sensação que nós temos ao mergulhar é que a quantidade de sal é bem superior ao que provamos em outro mar... Será????

 

As rochas bem pretas, lotadas de caranguejos “mimetizados” da mesma cor, não nos deixam esquecer a origem de Noronha: vulcões submersos que entraram em erupção em pleno Oceano Atlântico, e que há 3 milhões de anos vêm sendo esculpidos pelas ondas do mar.

 

A areia, definitivamente, é muito quente, a ponto de uma passageira que embarcou conosco no voo de volta precisar de cadeira de rodas, pelas queimaduras de segundo grau na sola dos pés.

 

Com céu estrelado, água morna e sol filtrado, o que mais se há de querer de Noronha?! A verdade é que a natureza tem seus ciclos, e foi muito favorável conosco entre janeiro e fevereiro. Em cada época do ano, a incidência de chuva, maré alta e ondas fortes tende a ser diferente, e é bom pesquisar bastante antes de confirmar o bilhete. Os donos de pousadas, que vivem por lá, costumam ser muito solícitos para orientar nestas questões de clima.

 

Várias empresas oferecem passeios marítimos em Fernando de Noronha, a bordo de catamarã, barcos, canoas e caiaques. Quem não adquirir com antecedência pode negociar na própria Praia do Porto, onde alguns quiosques disponibilizam os passeios e aluguel de equipamentos. Nós optamos pelo passeio de catamarã em torno de praticamente toda a Ilha, com parada para mergulho na Praia do Sancho, por passeio de canoa havaiana com parada para mergulho na Praia da Conceição, e por passeio de barco com prancha subaquática. A cada meia hora, sete passageiros mergulhavam com colete e uma prancha pequena para apreciar a vida marinha sem o esforço do deslocamento dentro da água, já que são puxados pelo próprio barco. A minha filha deu bem mais sorte no que encontrou sob a água, mas mesmo sem fartura de peixes e tartarugas, é um programa interessante. Se disserem que inclui o jantar, no caso, churrasco preparado em alto mar, desconfie... Está mais para aperitivo do que uma refeição.

 

Outro programa muito propício para um fim de tarde é visitar o Centro Histórico de Noronha, com suas ladeiras de pedras lisas, a Praia do Cachorro com o “famoso” coqueiro em forma de meia lua, a igreja e o forte de Nossa Senhora dos Remédios. A vista a partir do forte é exuberante, desde a Praia do Porto, com alta densidade de embarcações “estacionadas”, até o horizonte à esquerda, onde o sol se põe desenhando a cada dia um espetáculo inédito da natureza.

 

Forte Nossa Senhora dos Remédios

 

Além do pôr do sol no Forte de Nossa Senhora dos Remédioss, outras duas experiências de fim de tarde foram inesquecíveis no Mar de Dentro. Na Praia do Boldró, nós subimos os costões com vista para os Morros Dois Irmãos, povoados no fim do dia apenas por pescadores nativos. Distraídos com a fartura de peixes e das aves, sobrevoando redes e anzóis, de repente fomos golpeados por um Toque de Midas, com a imensidão do mar se pintando de dourado na despedida de mais um dia.

 

Praia do Boldró

 

Um pouco mais adiante, no nosso “sunset” na Praia do Bode, a surpresa foi outra. Além do sol se derretendo entre os Morros Dois Irmãos, encontramos uma piscina natural. Encravada nos costões à direita de quem chega, a piscina rasinha, de água morna e fácil acesso, era tão rica em peixinhos que a gente naturalmente se sente num aquário.

 

Entre a Praia da Conceição e a Praia do Meio também é assim, com peixinhos aos nossos pés, mas a distância até as piscinas naturais é maior do que no Bode. Rica em conchas, a Praia da Conceição também é das mais confortáveis. Apesar do acesso íngreme, mesmo de buggy ou de carro, por conta da estrada esburacada, depois que a gente chega ali, a oferta de serviços é mais completa do que nos outros destinos. Tem salva-vidas, cadeiras e guarda-sol já distribuídos pela areia para locação, chuveiro liberado, e um bar bem completo, o Duda Rei.

 

Igualmente curioso por ali foi a experiência de alimentar os pássaros grandes e velozes. Os próprios pescadores nos cediam os peixinhos, que na ponta de um graveto, eram logo devorados. Na primeira tentativa de foto, antes mesmo de a minha filha levantar o braço, pra ver se a ave avistava o peixe, ela já passou ligeira e garantiu seu alimento. Se por um lado foi um susto, por outro foi a prova real de que a natureza se defende, e que cabe a nós fazermos o mesmo: usufruirmos e defendermos este patrimônio da beleza, relicário da natureza.

 

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Caranguejos da cor das rochas vulcânicas
Caranguejos da cor das rochas vulcânicas

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de cinco livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti