Coluna Ana Lavratti: O que precede os nossos pensamentos?

22 de Junho de 2020

Já parou pra pensar que a escolha do que pensar é impregnada de inconsciente?

Como o céu se infiltra nos óculos, nossas decisões também refletem o nosso inconsciente

 

Nas últimas Colunas, durante a Quarentena, eu trouxe aqui algumas boias...

pra mim, pra você, pra nos agarrarmos quando os planos afundam em vez de planar.

Então falei do poder de escrever o que sentimos, buscando no papel um detox da nossa dor.

Falei do poder de escolher a palavra certa, a expressão que nos liberta no diálogo interior.

Falei do poder de passar a borracha, abdicando de criticar o que não cabe a nós mudar.

Falei do poder de confessar como se sente. Ser gente não depende de acertar. Implica em se aceitar.   

 

Todos estes exercícios, que elucidam nossas escolhas, que empoderam nossa postura, estão intrinsecamente ligados ao auto-conhecimento. Quanto mais questiono minhas escolhas, quanto mais revogo a minha postura, como se fosse possível não agir no piloto automático, mais meu bote resiste à vendavais e maremotos.

 

Nesta busca sem fim por compreender a natureza humana,

me apropriar dos escudos que armam um ser imbatível,

assimilar os quesitos de toda pessoa invencível,

fui buscar a origem da nossa bússola invisível.

Já parou pra pensar nisso?

Que um feroz inconsciente define as nossas escolhas

e restringe a nossa postura como se fosse uma rolha.

 

Dedicando a Quarentena a uma mentoria sobre Transformações Sistêmicas com a @PaulaCassanhoVaz, que entre outros embasamentos explora o método terapêutico criado por Bert Hellinger, descubro o quanto somos leais, espontaneamente cúmplices de todas as dores que nos precedem, ainda que não tenhamos conhecimento ou suspeita do que nossa família já sofreu. Governados por uma série de leis que transcendem gerações, como a Lei da Ordem e a Lei do Pertencimento, repetimos os mesmos traumas, as mesmas escolhas, o mesmo destino, por uma lealdade inconsciente às raízes que nos sustentam, à árvore generosa, genealógica, onde por alguma lógica nós escolhemos brotar.

 

 

Já parou pra pensar nisso?

Se existe um padrão de repetição na sua família?

Marés contrárias que te obrigam a remar à revelia?

 

Ao revelar e honrar a nossa ancestralidade, o Olhar Sistêmico faz mais do que iluminar.

Acende um holofote em questões que não fazem sentido à luz da razão.

Nos ajuda a aceitar a decisão tomada, parar de julgar que foi errada.

 

Se o pensamento gera o sentimento que leva ao comportamento,

por mais que pensar preceda o fazer,

pensar não é sujeito apenas ao querer.

Nem nós, nossos pais ou os avós

detemos o poder de desatar todos os nós

no emaranhado de dutos que compõem a nossa mente.

Com a alma sem leme, repetimos as dores. Simplesmente.

 

E se parece complexo, trago aqui algum nexo:

os nossos pensamentos

(que determinam o que sentimos e a forma como agimos)

são resultado da nossa memória celular (impregnada no DNA),

do inconsciente coletivo, dos traumas que acumulamos

(mesmo aqueles que esquecemos ou apenas pressupomos)

e das lições que adquirimos no meio em que vivemos.

 

Já parou pra pensar nisso?

Que você não é sequer o patrão do que fabula?

A única forma de dominar o que pensamos

é vasculhar o inconsciente, o horizonte secreto que todos nós herdamos.  

Pra começar a semana... deixo um lastro de dúvidas:

o convite pra ir além, navegar onde a razão termina,

enfrentar o complô no convés e mudar a sua sina.

 

 

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Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de cinco livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti

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