Coluna Ana Lavratti: Mergulhe comigo nas melhores praias de Fernando de Noronha

17 de Fevereiro de 2020

Hoje eu conto a nossa experiência na Baía do Sueste, Praia do Sancho e Praia do Porto, em Noronha

Pausa para recarregar no restaurante Mergulhão, na Praia do Porto

 

Depois de resumir na Coluna passada os diferenciais de Fernando de Noronha, com centenas de buggies transitando na menor BR do Brasil, com mar morno o ano inteiro e duplo ingresso para entrar na Melhor praia do Mundo, a Taxa de Preservação Ambiental - obrigatória para todos que chegam na Ilha -, mais a carteirinha de acesso ao Parque Nacional Marinho – exigência para entrar no Sancho -, hoje eu conto mais sobre este MAR que só se pode AMAR.

 

Pertinho do aeroporto, entre a Praia do Leão e a Enseada dos Abreus, a Baía do Sueste é um refúgio com muros, com entrada pelo PIC, o Posto de Informação e Controle. Além de validar a carteirinha de acesso ao PARNAMAR, o PIC é um ambiente sempre perfumado, com ar-condicionado, lanchonete com cadeiras à sombra, chuveiro liberado para o público, loja de souvenirs, locker para deixar a bolsa, aluguel de equipamentos como colete, snorkel, pé de pato, cadeiras e guarda-sol. Monitorada por profissionais do ICMbio, a Baía do Sueste é tão propícia para mergulho e o convívio com a vida marinha que logo na chegada pode-se contratar um guia de mergulho. Além de conduzir o visitante aos pontos de maior “densidade demográfica” no fundo do mar, com tubarões, tartarugas gigantes, polvos, peixes e raias, os guias ainda puxam o cliente com uma boia, exigindo bem menos esforço na travessia entre a areia e os costões distantes*.  O acesso à Baía do Sueste não tem mistério, com o micro-ônibus coletivo aportando ali a cada meia hora. Curioso mesmo é olhar para a areia, tão deserta que acaba denunciando a exuberância do fundo do mar. Basta entrar na água do Sueste – onde o uso de colete é obrigatório até mesmo nos costões da parte rasa – para não querer mais sair, tamanha a quantidade de cardumes, com peixes coloridos, superlativos em beleza e sutileza,  nadando pertinho de nós.

 

  • Guias a R$ 80,00 por pessoa, com desconto para dois ou três clientes.

 

Escolhida quatro vezes a Melhor praia do Mundo, e atual #1 no ranking Trip Advisor se assemelha à Baía do Sueste por três motivos. A Praia do Sancho também integra a área do PARNAMAR, tem PIC no acesso e é generosa em vida marinha. Mas fora isso, são tantas divergências que é melhor explicar. Enquanto no Sueste o coletivo praticamente estaciona na areia, no Sancho o ônibus passa a um quilômetro do acesso. Pra quem vai de táxi ou buggy, mesmo estacionando junto ao PIC ainda é preciso caminhar 320m até o primeiro mirante. Depois da primeira prova de fôlego, percorrendo a trilha onde apesar da mata vizinha o sol incide com todo o vigor, a respiração fraqueja por outro motivo. Impossível não suspirar diante do mar turquesa que se vê logo abaixo, a partir dos mirantes da própria Praia do Sancho e da Baía dos Porcos, esta sim, com vista para o cartão postal da cidade, os Morros Dois Irmãos. Depois de muitas fotos, na tentativa de eternizar o que os olhos não cansam de ver, é hora de encarar a descida, literalmente radical. Encravada entre duas rochas gigantes, a escada de ferro amarelo que liga os mirantes à beira da praia tem horário fixo para ser “desbravada”. Na internet e no quadro exposto ali é possível visualizar quando é hora de descer e hora de subir, o que muda, em geral, a cada 40 minutos. Claro que o acesso íngreme dificulta a oferta de qualquer serviço na praia. Nem água se compra ali. E pra levar cadeira ou guarda-sol, é preciso uma habilidade de equilibrista. Nós descemos com coletes, snorkel e pé de pato, e assim que as duas escadas terminam, ainda é preciso encarar uma longa escada de pedra até a beira do MAR. Não querendo desaniMAR... A volta é bem pior... O consolo é que o mergulho compensa, com tubarões, tartarugas e peixes à espera dos mais resistentes, já que o Sancho*, ao contrário da Baía do Sueste, é uma praia com ondas, rebentação e repuxo. Mesmo tendo água e Journey na bolsa, o cracker assado da Essential Nutrition, quando a gente retorna pro PIC percebe que foi mesmo no limite do coração. Não só pelo esforço físico, mas também pela emoção que comprova o quanto a Ilha de #Noronha é ainda mais linda do que a gente sonha.

 

 Morros Dois Irmãos

 

  • Antes de eleger o Sancho para a jornada, é importante se informar sobre a tábua de marés e a incidência de Swel, já que em alguns dias o mar sobe até o morro, extinguindo a faixa de areia, e o repuxo é muito intenso, com ondas altas e fortes.

 

 Passagem entre as rochas

 

A terceira praia que mais amamos foi a Praia do Porto. Imaginando uma praia repleta de embarcações, afinal é ali no molhe de pedras que se dá o embarque e desembarque de tudo o que chega na Ilha, confesso que subestimei esta prainha de acesso liberado, já que em vez de Parque Nacional Marinho, integra a Área de Proteção Ambiental (ou seja, não exige ingresso). Mas basta se aproximar para se apaixonar!! Bem próximo da areia, contei 10 tubarões bebês nadando ao meu redor, naturalmente, serenamente, como se nossos mundos fossem totalmente compatíveis. Como explicam os guias locais, é assim que eles se protegem das mães, que com instinto de... tubarão... são capazes de comer os filhotes se não encontram alimento por perto. Eles se defendem nadando no raso, com uma infinidade de peixes e raias também bebês, que por sorte ficam visíveis sob a água cristalina, evitando que a gente pise nas caudas longas e finas. Parece que a novidade exige coragem, mas depois que a gente convive tudo é tão natural que a única dificuldade é conseguir sair do “aquário” infinito, sem ondas nem atritos. Na Praia do Porto também se encontra um dos melhores restaurantes da Ilha, o Mergulhão. Debruçado no topo do morro, a vista é tão exuberante que, mesmo no conforto dos lounges à sombra, a gente se sente em outro habitat... MARavilhoso... o MAR DE DENTRO, onde também estão as Praias do Cachorro, do Meio, da Conceição, do Boldró, Americano, do Bode, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos, Praia do Sancho e Baía dos Golfinhos. Ponto final do micro-ônibus coletivo, na BR-363, a Praia do Porto tem acesso bem fácil e é o ponto de partida dos principais passeios via marítima, em canoa, caiaque, barco e catamarã. Sobre os demais programas, praias e pontos turísticos eu falo na próxima Coluna, muito convencida que Fernando de Noronha é um relicário da natureza que nos golpeia de surpresas.

 

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Praia do Porto: tubarões no raso
Praia do Porto: tubarões no raso

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de cinco livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti

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