Coluna Ana Lavratti: Férias em família na Flórida, parte 6

07 de Outubro de 2019

Na série sobre as Férias em Família na Flórida, hoje eu trago dois refúgios: Celebration e Winterpark

Celebration: no sábado à noite o calçadão entre o chafariz e o lago é fechado, para priorizar os pedestres

 

Quando nós achamos que a diversão já tinha atingido o seu clímax, com os toboáguas do Aquática, os animais marinhos dando show no SeaWorld, embarcando na magia do Harry Potter entre o Universal Studios e The Islands of Adventure, aportando no futuro, no universo Avatar do Animal Kingdom, e se sentindo a Cinderela, em total hipnose com as projeções no castelo do Magic Kingdom... aí começaram as surpresas das nossas Férias em Família, na Flórida / 2019.

 

A caminho do Golfo do México, fomos conhecer a cidade que Walt Disney idealizou: com todo o senso estético e a predileção pelo encantamento que lhe são peculiares. Na placa de acesso, Celebration, o nome já induz às melhores expectativas. E quanto mais a gente se aproxima do lago que oxigena o Centro, mais nos convencemos que a cidade honra o batismo: nas casas sem muros, com coroas de flores humanizando cada porta, calçadas arborizadas, luminárias românticas, e nas caixinhas de cartas que nos remetem a filmes e animações da Disney.

 

Só não esperem encontrar por ali qualquer referência ao Mickey e a Minnie. O vínculo com os parques temáticos não ultrapassa a rodovia, onde as torres de transmissão de energia são armadas no formato do mais célebre camundongo.  

 

 

Próximo ao lago, a rua que concentra cafés, boutiques e o cinema de época, que remete ao final do século XIX, é fechada para o trânsito no sábado à noite, quando mais pedestres e ciclistas podem usufruir do charme da Market Street, da dança das águas junto ao lago e da natureza exuberante do parque abraçado por sobrados e povoado por “Alvins e esquilos”.

 

 

Preciso dizer a sensação de estar ali? Não, né... Mas confesso mesmo assim: vontade de ficar pra sempre! E isso que nem pratico golfe... pra me deleitar em 18 campos diferentes.

 

Como o nosso calendário estava apertado, não chegamos a nos hospedar na cidade fundada há apenas 25 anos, mas quem puder ficar, contornar o lago de bicicleta, almoçar por ali sem pressa, reacender o amor entre as borbulhas da taça... não vai se sentir turista, mas personagem de um filme com cenário da Disney (que alguns associam ao Show de Truman).

 

 

Também pertinho de Orlando,

também com cenários de sonho,

também destino obrigatório...

Winterpark, ao contrário de Celebration, não faz jus ao nome.

Vale a visita em qualquer estação!

 

Refúgio dos norte-americanos, ávidos por fugir do Inverno rigoroso em outras regiões do país, Winterpark nos recebeu no auge do Verão, quando as sorveterias ficam concorridas, os parques cheios de cores, flores e gente feliz.

 

A rua principal, North Park Avenue, emerge entre a estação de trem – que pode parecer ponto turístico mas é, efetivamente, terminal de embarque e desembarque –, pelo parque, onde as árvores se multiplicam entre coretos e fontes d’água, e por um corredor gastronômico permeado por canteiros e acordes, que exalam sem alarde das caixinhas de som. Difícil, por ali, só mesmo escolher o destino do reabastecimento, entre cafés, sorveterias, sedutores winebars e restaurantes com menu completo a preço fixo, o que perpetua o relax até na hora de definir o cardápio.

 

Prefere um lanche rápido? Pois a febre nos Estados Unidos é a Avocado Toast, uma torrada coberta por abacate com as mais distintas formas de preparo, desde o abacate bem picado e temperado, até fatias consistentes, tipo um sashimi verde e macio.

 

O ponto alto da cidade, no entanto, tem luzes próprias e inconfundíveis. A história do The Charles Hosmer Morse Museum of American Art, o famoso museu dos mosaicos e vitrais habilidosamente criados pelo herdeiro da joalheria Tiffany, Louis Comfort Tiffany, remete a uma tragédia.

 

Nascido em Nova York , Louis construiu a maior casa de Long Island: Laurelton Hall. Na gigantesca mansão com 84 quartos, conciliava a recepção a muitos convidados, a hospedagem de muitos artistas, e o mais respeitado atelier da arte em vidro. Dali, por exemplo, surgiram obras-primas com destinos nobres:

 

para decorar ambientes da Casa Branca, como o State Dining Room,

o casarão do escritor Mark Twain, em Connecticut,

e a Capela, The Chapel, suntuosamente executada para a Feira Mundial de Chicago (1893) e posteriormente integrada à Catedral St. John the Divine, em Nova York.

 

Mediante a falta de manutenção, Louis nem hesitou. Readquiriu a Capela, instalando em sua própria residência este ícone do esplendor, com mosaicos meticulosos ladrilhando as colunas em mármore.

 

Hoje, The Chapel integra o acervo do Morse Museum graças à sensibilidade de Jeannette e Hugh McKean, que num esforço visionário resgataram a máxima arte do vidro dos escombros do incêndio no Laurelton Hall, de onde foram extraídos não apenas os vidros e mosaicos, mas também colunas em pedra e complexas obras em madeira esculpida.

 

 

O nome, Morse Museum, remete ao avô de Jeannette, Charles Hosmer Morse. Com forte contribuição na industrialização dos Estados Unidos, desde o final do século XIX, Charles Morse elegeu Winterpark como refúgio na aposentadoria, consagrando-se mecenas e benfeitor na região. Além de financiar o “pulmão da cidade”, o Central Park, o industrial homônimo ao pai de Louis (ambos são Charles) contribuiu com a fundação do museu que faz de Winterpark programa imprescindível aos amantes da arte.

 

Além da surpreendente produção em vidro, onde o mosaico chega a condensar até sete camadas, reproduzindo com a fidelidade de uma fotografia desde o fluxo da água até a pétala da flor, o museu também abriga a maior coleção cerâmica dos EUA, com mais de 800 peças em exibição, além de pinturas e esculturas.

 

 

Tendo herdado US$ 3 milhões na morte do pai, Charles Lewis Tiffany, Louis Comfort criou sua própria fundação para dar suporte a novos artistas nos Estados Unidos, tal qual Mr. McKean, responsável pelo “garimpo” pós-incêndio, que chegou a ser artista-aluno no Laurelton Hall. Dirigido por ele até sua morte, o Morse Museum promove regularmente visitas guiadas, exposições temáticas e oficinas infantis.

 

Nós, aliás, adoramos fazer, pintando o aquário de vidro e simulando o efeito de um vitral com a tinta escorrendo, movida pelo ventinho do secador de cabelo.

 

Tem também sessões de cinema, tipo piquenique, onde as bebidas oferecidas têm vínculo com o tema dos filmes. Fora isso, adoramos ver como a cidade reverencia seu templo da arte, reproduzindo em vitrines e luminárias o estilo “craquelado” de um mosaico e vitral. Isso, por exemplo, fica bem evidente na igreja católica St. Margaret Mary, em frente ao museu, e no supermercado que escolhemos, o Whole Foods, que por si só já é uma atração, priorizando a venda de alimentos saudáveis, o que não compromete a variedade da adega.

 

Só não se iludam de que é simples levar pra casa o abajour mais famoso do mundo. Com status de obra de arte, eles não se encontram à venda nem mesmo na loja do museu. No mais, boutiques e antiquários completam o rol de programas disponíveis no ano inteiro neste mimo de cidade. Seja Summer ou Winter, não ouse perder Winterpark.

 

Como eu só descobri estes paraísos - que tanto combinam comigo – na sexta viagem pra Florida, fico pensando o quanto ainda, de cidades lindas, nós podemos explorar entre Miami e Orlando. Por isso uma agência de viagens com atendimento personalizado, como é a Menton Viagens, sempre faz a diferença, apontando possíveis destinos, conforme o perfil da família, se é ou não necessário pernoitar ali, e como otimizar o passeio, transformando o empenho em Real em experiência $em igual. Nossa escala em Celebration foi a caminho de Clearwater, e são estas águas, claras, quentes e cobertas de aves, que eu trato no próximo capítulo, na segunda que vem.

 

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Celebration; Flórida
Celebration: bairro universitário

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de 3 livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti