Coluna Alisson Barcelos | A vacina chegou, mas os setores de cultura e eventos seguem agonizando

20 de Janeiro de 2021

E mais: Paralisação do setor de eventos afetou mais de 450 mil empregos e o que diz o mapa de risco sobre a realização de eventos

Foto: Banco de dados Canva.com

O fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter autorizado por unanimidade a utilização emergencial das vacinas CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, e a da Universidade de Oxford, em parceria com a Fiocruz, nada muda na situação do setor de cultural e de eventos no País. Nem mesmo a chegada e a aplicação das primeiras doses da vacina em Santa Catarina, especificamente em Florianópolis, na noite desta segunda-feira (18) nos trouxe esperanças.

O Estado recebeu 71.040 doses da CoronaVac, o suficiente para a aplicação nas pessoas que integram os públicos prioritários da campanha de vacinação: um terço dos profissionais da saúde (a prioridade será para os que atuam em UTIs e emergências especializadas em Covid-19, os que atuam em instituições de longa permanência, profissionais do SAMU e equipes que envolvidas na vacinação contra o coronavírus), indígenas e idosos em instituições de longa permanência. Pelo fato de serem uma população muito numerosa, os idosos acima de 75 anos que não residem em instituições de longa permanência ficaram de fora desta primeira fase da vacinação. Dentro de duas semanas, outras 71.040 doses desta mesma vacina devem chegar ao Estado para a aplicação da segunda dose. 

Enquanto aguardamos a vacinação em massa no país - para termos imunização de rebanho temos de atingir 70% da população -, somos obrigados a assistir a uma queda de braço política, e à total falta de planejamento e de logística para a execução de um plano de vacinação eficiente e que contemple todos os estados. É possível que tenhamos vacina e que faltem seringas - isso que estamos há um ano praticamente sabendo que elas seriam necessárias para o início da campanha de imunização.

E em meio a tudo isso, ninguém, absolutamente ninguém a não ser os setores de eventos e cultural falam sobre os quase 11 meses sem poder trabalhar e sem garantir renda às empresas e colaboradores, eventos corporativos, sociais e espetáculos de toda ordem são adiados e cancelados. Quando não, são submetidos a uma série de protocolos de biossegurança que incluem distanciamento social, utilização de máscara e álcool em gel e restrição a um mínimo de público (confira abaixo as permissões conforme a matriz de risco). 

Uma vez que, por ora, nada muda com a chegada das vacinas, sabendo que vai demorar para que tenhamos efetivamente imunidade de rebanho e cientes de que as empresas de eventos não têm mais como ficar sem trabalhar, sob sérios riscos de encerrarem suas atividades e não cumprirem com suas obrigações, nos resta pedir para que cada um faça a sua parte para evitar a proliferação deste vírus que já matou mais de 200 mil pessoas somente no Brasil. Juntos podemos mais. Juntos vamos sair dessa.

 

Autorização de eventos conforme a matriz de risco

Há meses Santa Catarina alterna entre as bandeiras vermelha e laranja no mapa de risco potencial por região. No documento divulgado na última quarta-feira (13), a Grande Florianópolis e outras duas regionais estão com bandeira laranja para o risco de contágio. As outras 14 regionais estão com a bandeira vermelha. Seguindo a matriz de risco, confira como ficam os eventos:

 

Congressos, feiras e exposições

  • autorizados com 30% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 50% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizados com 75% de ocupação no risco alto (bandeira amarela);

  • autorizadas com ocupação integral no risco moderado (bandeira azul).

 

Eventos sociais (restritos a convidados sem cobrança de ingresso: casamentos, aniversários, jantares, confraternizações, bodas, formaturas, batizados, festas infantis e afins)

  • autorizados com 30% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 50% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizados com 75% de ocupação no risco alto (bandeira amarela);

  • autorizadas com ocupação integral no risco moderado (bandeira azul).

 

Casas noturnas

  • proibidas no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 20% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizados com 50% de ocupação no risco alto (bandeira amarela);

  • autorizadas com ocupação integral no risco moderado (bandeira azul).

 

Cinemas e teatros

  • autorizados com 30% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 50% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizados com 75% de ocupação no risco alto (bandeira amarela);

  • autorizadas com ocupação integral no risco moderado (bandeira azul).

 

Museus

  • autorizados com 50% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 75% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizadas com ocupação integral nos riscos alto (bandeira amarela) e moderado (bandeira azul).

 

Competições esportivas

  • permitidas em todos os níveis de risco, sem acesso de público.

 

Parques aquáticos e complexos de águas termais

  • autorizados com 50% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 75% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizadas com ocupação integral nos riscos alto (bandeira amarela) e moderado (bandeira azul).

 

Igrejas e templos religiosos

  • autorizados com 30% de ocupação no nível gravíssimo (bandeira vermelha);

  • autorizadas com 50% de ocupação no risco grave (bandeira laranja);

  • autorizados com 75% de ocupação no risco alto (bandeira amarela);

  • autorizadas com ocupação integral no risco moderado (bandeira azul).

 

Setor de eventos acumula dívidas e mais de 450 mil empregos afetados

Doreni Caramori Junior, presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), esteve em Brasília na última semana para uma conversa com os deputados para tentar aprovar no Congresso um projeto de lei que cria o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). Segundo ele, a paralisação do setor fez as empresas acumularem dívidas e afetou mais de 450 mil empregos. 

Num primeiro momento, a proposta apresentada aos parlamentares solicita a liberação de recursos a fundo perdido ou de financiamento em condições viáveis que seriam utilizados para o pagamento de despesas com a folha de pagamento, prioritariamente. No segundo momento, o presidente da Abrape solicitou que sejam ampliadas as medidas tomadas pelo governo em 2020 no que diz respeito às devoluções de ingressos e às reduções de contratos de trabalho, que teriam validade até 31 de dezembro, porque os eventos ainda não puderam ser retomados.

A terceira parte da proposta se relaciona à isenção fiscal durante o período da retomada do setor. Ainda de acordo com Caramori, os deputados foram receptivos à solicitação e devem votar a proposta em caráter de urgência assim que voltarem do recesso. 

Seguimos no aguardo de boas notícias para o setor! 

Quer sugerir algum tema para a nossa coluna? Entre em contato pelo e-mail: alisson@sousb.com.br.

 

Alisson Barcelos

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    Alisson Barcelos Formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda com mais de 25 anos de experiência no mercado de eventos. É cofundador da SB+ Eventos, empresa referência em produção de eventos em Santa Catarina e diretor de Eventos Especiais e Confrarias da ADVB/SC. No Portal Acontecendo Aqui, vai falar sobre o que mais entende e ama fazer: eventos, logicamente.

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