Coluna Alisson Barcelos | Para 2021, que a gente viva a empatia além das telas - e do papel

31 de Dezembro de 2020

E mais: confira a situação e como serão os principais Réveillons do Brasil 

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay 

 

Vamos fazer um exercício de empatia. Quando a pandemia virou o mundo e consequentemente nossa vida e o nosso trabalho de ponta cabeça e nos obrigou a ficarmos em casa se pudéssemos e a remodelarmos nossos negócios para seguirmos trabalhando - tudo isso regado a muito álcool gel, utilizando máscara e abusando do distanciamento social, para não esquecermos de cuidar da nossa saúde e da saúde dos outros, não imaginávamos que quando chegasse dezembro estaríamos em situação pior à do início de tudo. 

Pois é. Já em março, o trabalho do setor de eventos foi proibido 100%, o que perdurou durante os nove meses seguintes, até que começou a ser liberado - aos poucos - agora, quando chegam as festas de fim de ano. Sim, o setor de eventos e entretenimento ficou nove meses sem trabalhar, sem ganhar dinheiro, sem poder realizar o que estava na agenda, sem cumprir contratos. Sem ter dinheiro para pagar os colaboradores. Empresas fecharam, ótimos profissionais tiveram de se reinventar e seguir outro rumo para sobreviver. Outros estão em situação de vulnerabilidade até hoje.

Enquanto isso, nas redes sociais, “no papel”, não faltavam mensagens bonitas de “fique em casa”, de “tenha empatia”,  "ajude a achatar a curva para sairmos desta logo” - o que muitos fizeram, acredito. Mas isso foi muito mais “no papel”, nas telas. Na vida real, festas e eventos clandestinos, idas à praia, aglomeração e descumprimento de simples regras de convivência ditavam a rotina. 

Até que aconteceu o inevitável: nem bem saímos de uma primeira onda da pandemia e entramos em uma segunda com risco gravíssimo para a transmissão do novo coronavírus, que segue matando centenas de pessoas diariamente - logo vamos atingir a marca de 200 mil vítimas. Chegamos ao ponto jamais imaginado: fomos aconselhados a não comemorar o Natal com amigos e familiares sob o risco de contaminar os mais idosos e pessoas com comorbidades, e teremos de conviver com um não Réveillon, porque conseguimos - todos juntos - fazer com que a pandemia se tornasse maior.

O exercício de empatia? As pessoas perceberem que perderam festas importantes que podem ser contadas nos dedos por causa da pandemia. O setor de eventos perdeu dez  meses de congressos, feiras, shows e espetáculos. Pessoas físicas certamente conseguem superar isso, mas e os empresários que dependem deste mercado para sobreviver? Falar é muito mais fácil do que fazer.

Neste novo ano, que os desejos da chegada da vacina contra a Covid-19 sejam acompanhados de muita saúde, de muito amor e de mais empatia, desta vez, na prática. Feliz Ano Novo.

 

Sem Réveillon em Floripa

 

Imagem de Kohji Asakawa por Pixabay 

 

Como medida para evitar as aglomerações nas praias e para incentivar que as pessoas fiquem em suas casas, a Prefeitura de Florianópolis, que tradicionalmente realiza um dos Réveillons mais esperados do Estado, cancelou a queima de fogos na cidade. A confirmação da não realização de Réveillon na Capital ocorreu ainda em outubro, quando a Prefeitura informou que a verba destinada ao show pirotécnico será destinada a microempreendedores e microempresas, numa ação que pretende ajudar quem perdeu o emprego e precisa se recolocar no mercado. 

Cidades como Balneário Camboriú, Blumenau e Joinville também tiveram suas festas de Ano Novo canceladas. 

 

Disputa na Justiça em Santa Catarina

O Tribunal de Justiça (TJ-SC) e o Governo de Santa Catarina travaram uma disputa por causa da  liberação de 100% da ocupação de hotéis e pousadas e ainda a realização de eventos sociais em regiões classificadas como de risco gravíssimo. Então, na noite da última segunda (28), após a determinação da Justiça, as restrições para hotéis, casas noturnas e eventos foram ampliadas no Estado.

Com a determinação judicial, voltam a valer as antigas portarias, que indicam que a ocupação de hotéis, pousadas e afins deve ficar restrita a 30% da capacidade em nível gravíssimo (bandeira vermelha) no mapa de risco. No risco grave (bandeira laranja), a ocupação pode chegar a 60%, e no risco alto (bandeira amarela), a 80%.

Casas noturnas, boates, pubs e casas de shows e afins estão proibidas nos níveis gravíssimo, grave e alto. Eventos sociais estão proibidos em regiões de nível gravíssimo e grave. Lembrando que o Estado todo está em bandeira vermelha, que representa risco gravíssimo para a contaminação.

 

Rio de Janeiro cancela festa de Réveillon oficial

Certamente a festa de Réveillon mais famosa do Brasil, a virada de ano do Rio de Janeiro vinha preocupando as autoridades desde o início do segundo semestre, quando finalmente foi cancelada no último dia 15 de dezembro. Em julho a Riotur informou que a festa na cidade havia sido suspensa. Em agosto, a entidade apresentou a proposta de espalhar shows de luzes pela cidade e transmitir ao vivo pela internet. Agora, todas as comemorações oficiais foram canceladas em função do atual cenário da pandemia da Covid-19 e inclusive a orla de Copacabana será fechada no dia 31 para evitar aglomerações. 

“Embora o Réveillon Rio 2021 tenha sido projetado em um novo formato, diferente daquele tradicional como há anos é praticado na cidade, isto é, sem presença de público, sem queima de fogos e feito para ser acompanhado pela TV e pelas mídias digitais, neste momento, a Prefeitura opta pelo cancelamento do evento da virada do ano em respeito a todas as vítimas e em favor da segurança de todos”, dizia a nota publicada pela Riotur. Segundo o presidente da entidade, Fabricio Villa Flor, o motivo do cancelamento nada mais é do que “uma decisão consciente e responsável”. 

 

Como será a virada do ano em São Paulo

A tradicional festa de virada de ano de São Paulo, que só no ano passado reuniu mais de 2 milhões de pessoas na Avenida Paulista, foi cancelada pela Prefeitura da capital paulista no último dia 16 de dezembro. Neste ano, os shows em comemoração à chegada de 2021 serão transmitidos apenas de forma online, pelas redes sociais da Secretaria Municipal de Turismo. Para evitar aglomerações, a recomendação é de que as pessoas fiquem nas suas casas. A festa começa a partir das 17h30 do dia 31 de dezembro e terá apresentação de shows de samba, funk, gospel, pagode e sertanejo. Não haverá queima de fogos.

 

Salvador também cancela “Festival Virada”

Também se adaptando à realidade, o Festival Virada Salvador, que seria transmitido online e sem público, também acabou cancelado. A capital baiana chegou a anunciar shows de Ivete Sangalo e de Gusttavo Lima transmitidos online no dia 31 de dezembro, mas a ação foi cancelada na semana passada, como um recado claro para a população de que o momento exige cuidado. A Prefeitura da Bahia anunciou ainda a interdição da Orla da Barra no dia da virada para evitar multidões. Por enquanto, mantém a queima de fogos, mas não divulgou os pontos onde ela ocorrerá para evitar aglomerações. 

 

Fortaleza proíbe celebrações públicas

A Prefeitura de Fortaleza publicou decreto no último dia 15 de dezembro, que é válido até dia 4 de janeiro, proibindo a realização de celebrações públicas de Ano Novo. As transmissões ao vivo são autorizadas, mas apenas sem a presença de público. O decreto também proibiu eventos sociais e corporativos em espaços públicos e privados, mesmo que sejam abertos. 

 

Recife tem eventos proibidos desde 8 de dezembro

Após análise do Gabinete de Enfrentamento à Covid-19, Pernambuco proíbe desde 8 de dezembro festas e shows, incluindo as comemorações de Natal e Réveillon. A Prefeitura também informou que não haverá queima de fogos na Praia de Boa Viagem e que planeja um show de luzes projetadas de cima dos prédios - para garantir a visibilidade ao maior número de pessoas pelas janelas e varandas. As regras valem para espaços públicos e privados, com ou sem cobrança de ingresso. As exceções são para casamentos, formaturas e aniversários.

 

Cancelada a queima de fogos na Esplanada dos Ministérios, no Distrito Federal

Em decreto publicado em 18 de novembro no Diário Oficial do Distrito Federal, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, cancelou a tradicional festa de Réveillon com queima de fogos. Atividades coletivas realizadas em estacionamentos, no estilo drive-in, estão permitidas, mas “desde que as pessoas permaneçam dentro de seus veículos, devendo ser observada a distância mínima de dois metros entre cada veículo estacionado.

 

Comemore a virada do ano em casa

Se o assunto não fosse sério, não teríamos este tipo de cancelamento. Em respeito a você, à sua saúde, à sua família e por empatia aos profissionais que desde março estão na linha de frente de combate à pandemia, comemore a chegada de 2021 em casa na esperança de que o Réveillon de 2022 possa ser festejado do jeito que a gente gosta.

Se a ideia é juntar pessoas que não convivem na mesma casa, as principais recomendações  - além do uso de máscara e de álcool gel, reunir no máximo seis pessoas, distanciamento físico de 1,5 metro a 2 metros, realizar o encontro em local arejado e não permitir a participação de pessoas com sintomas de Covid-19.

Quer sugerir algum tema para a nossa coluna? Entre em contato pelo e-mail: alisson@sousb.com.br.

Alisson Barcelos

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    Alisson Barcelos Formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda com mais de 25 anos de experiência no mercado de eventos. É cofundador da SB+ Eventos, empresa referência em produção de eventos em Santa Catarina e diretor de Eventos Especiais e Confrarias da ADVB/SC. No Portal Acontecendo Aqui, vai falar sobre o que mais entende e ama fazer: eventos, logicamente.

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