Coluna Alisson Barcelos | Criatividade e inovação para se reinventar na pandemia

15 de Abril de 2021

E mais: os profissionais do setor de eventos que transformaram  problemas em oportunidades  

Os profissionais de eventos que se reinventaram na pandemia. Fotos: arquivo pessoal, divulgação

 

Criatividade e capacidade de inovação são competências extremamente necessárias especialmente para quem trabalha com o setor de eventos, sejam eles corporativos ou sociais. Em 2020, quando a pandemia de Covid-19 se instaurou no mundo, este mercado foi o primeiro a parar - e como se sabe, será o último a voltar aos trabalhos.

Como empresário, logo de início vi duas possibilidades: sentar e esperar tudo passar ou utilizar a criatividade e a inovação como pré-requisitos para sobreviver à crise. E então, depois de ver todos os eventos da agenda serem reagendados, convoquei o time da SB+ Eventos para assumir o protagonismo e mergulhar no universo digital estruturando formatos de eventos online e híbridos transmitidos para todo o País. Inovamos também levando inteligência de dados - mapa de empatia, análise de sentimentos e gamificação, por exemplo - para dentro dos eventos logo no início da pandemia. Este serviço foi realizado com empresas inovadoras e parceiras, que contribuíram para elevar a qualidade das entregas.

Hoje, sinto muito orgulho de dizer que a minha empresa é uma referência em eventos online e híbridos, com eventos em todo o País, e já negociando um internacional para o mês de julho. Somente no ano passado, realizamos 48 eventos online, entre os principais, o Family Business Innovation 2020, fechado para os maiores grupos familiares do Brasil, realização do Fórum Brasileiro da Família Empresária, e o Seminário ABDEH Digital, promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar. 

Em 2021, fomos responsáveis pela produção e execução do evento de planejamento estratégico do Sistema AILOS,  em Blumenau, da Convenção de Vendas Feras FIESC 2021, em Florianópolis, da Convenção Híbrida de Vendas da Agricopel, em Jaraguá do Sul, e do lançamento do ABC Business Park, primeiro Complexo Multissetorial Full Service da Embralot no litoral catarinense, em Porto Belo. Também produzimos as convenções de vendas da Dígitro,  e estamos fechando os contratos com as cinco marcas do Grupo Malwee, e com a empresa Duas Rodas.

A pandemia nos permitiu aprender um novo modelo de trabalho e novas possibilidades de eventos, o que me rendeu, como cofundador da SB+ Eventos, o convite para a edição de Curitiba do World Creativity Day, para falar sobre a reinvenção na trilha “Do presencial ao híbrido e ao online em um mês” - as inscrições podem ser feitas aqui. O Dia Mundial da Criatividade é comemorado todos os anos em 21 de abril. Neste ano, serão dois dias (21 e 22) de muitas atividades e discussões em 120 cidades de 16 países. Estou muito feliz de compartilhar essa história e pelo reconhecimento dos curadores do evento. 

E como a criatividade e o setor de eventos andam juntos, na coluna desta semana eu quero contar a história de seis superprofissionais de destaque no setor de eventos ( e grandes amigos de longa jornada)  e que tiveram de se reinventar para seguirem suas vidas durante a pandemia. São exemplos como este que queremos seguir compartilhando. Confira abaixo:

 

Pat Costa - reinvenção para este novo momento: híbrido, tecnológico e funcional

 

O último trabalho da Propague antes de todos os cancelamentos ocasionados pela chegada da pandemia de Covid-19 ao País foi o Carnaval para os clientes da Globo na quadra da Unidos da Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Naquela época, 90% do negócio da empresa era focado em experiência de marca em eventos e em ações presenciais. Segundo Pat Costa, diretora executiva da empresa, a reação rápida e a utilização de soluções inovadoras para o mercado de eventos fez com que a Propague terminasse 2020 com um resultado surpreendente, mesmo sem crescimento e sem o faturamento registrado em 2019. “Os eventos começaram a ser cancelados em março, abril trabalhamos em uma plataforma de imersão de conteúdo 360˚ e, em 21 de junho, no Dia do Mídia fizemos nosso primeiro evento 100% digital e não paramos mais”, relembra. Atualmente, a Propague trabalha com o foco em ampliar investimentos em profissionais especializados em inovação digital, desenvolvendo experiências diferenciadas e interativas. “O trabalho com inteligência artificial e relacionamento tem nos permitido otimizar resultados entre marcas e pessoas. Com tantas mudanças no mundo e nas pessoas, precisamos evoluir e nos reinventar”, constata.

A reinvenção do time de Pat Costa começou de fato no início de 2020. A empresa entendeu que era necessário ir além dos ajustes que o momento exigia e realmente rever tudo o que já havia sido construído para se preparar para o futuro, que será mais colaborativo. “Mudamos o posicionamento da Propague. Quando assumi 100% da operação em SP agora, no início de 2021, com uma conexão ainda mais forte com a arte  (uma de minhas paixões) em todas suas formas de expressão e a tecnologia. Não basta promover transformação digital, temos que entender que os novos consumidores não querem mais receber uma enxurrada de ‘propaganda’. Precisamos construir novas formas e conexões para que as marcas que atendemos ofereçam experiências que envolvam o consumidor de maneira diferente”, ressalta. 

Essas mudanças passaram por uma reforma total dentro e fora da Propague, incluindo o espaço físico, que, com grande parte da equipe em home office, ganhou uma outra função: um estúdio todo equipado para este novo momento, híbrido, tecnológico e funcional. A meta da empresa para este ano é crescer 60% frente ao resultado de 2020, implementando modelo de negócios híbrido, porque as experiências serão presenciais e digitais, não tem mais volta. “Quero ser a agência mais lembrada quando falarmos de experiências tecnológicas e digitais,  para surpreender nossos clientes com novas tecnologias voltadas à comunicação, superar as barreiras impostas pela pandemia com inovações customizáveis e ágeis”, considera a diretora.

 

Eugênio Neto - de locação de equipamentos a estúdio completo para eventos online

Proprietário da Neto Eventos, que há 25 anos trabalhava com locação de equipamentos para eventos presenciais e, em paralelo, tinha uma produtora de vídeos. Com a chegada da pandemia, a empresa optou por não demitir colaboradores, pois acreditava que o País sairia rapidamente da crise. Em meados de abril, em parceria com a Fábula Transmídia, lançamos o Fábula Live, que produz eventos online para contar histórias ao vivo. “A partir disso, conseguimos nos reinventar. Conseguimos manter e até aumentar a equipe de funcionários. Antes nosso time era composto por 25 profissionais, e hoje tem 30. Neste ano de pandemia, fizemos 170 eventos online em três estúdios em Florianópolis e outros dois em São Paulo. Criamos um produto consistente, sólido e com bom custo-benefício, e que faz com que as pessoas conectem seus clientes, parceiros e fornecedores mesmo com a pandemia”, considera o empresário Eugênio Neto, o Neto.

Para este ano, a empresa prepara mais uma novidade: um estúdio com cerca de 60 lugares para eventos híbridos, que já estão sendo muito buscados pelas corporações. “Há muita demanda por eventos com presença de público além de transmissão online. Esta possibilidade de evento veio para ficar. Antes, eventos presenciais que reuniam 80 pessoas, por exemplo, sendo transmitidos online podem ser acessados por 2 mil pessoas. Uma empresa inteira pode ter acesso a este conteúdo. Os eventos online são muito eficientes”, avalia Neto.

Para o empresário, a partir do avanço da vacinação contra a Covid-19, a liberação para a retomada dos eventos presenciais deve ocorrer, mas o estúdio seguirá. “Fomos muito ágeis na readaptação da empresa, e a partir de então começamos a ser referência em eventos online. Conseguimos competir com empresas muito maiores do que as nossas por termos entregado um produto de qualidade. Hoje, os que vencem são os que agem mais rápido”, ressalta. 

 

Bruno Ribas - da produção de eventos à startup de inteligência de dados para eventos 

Logo que surgiram as primeiras notícias do coronavírus, Bruno Ribas, que atuava como produtor de eventos, celebrante de casamentos e mestre de cerimônias começou a acompanhar os impactos do vírus. Lembra que ninguém acreditava muito quando ele falava que se chegasse ao Brasil traria problemas severos para os negócios. Quando isso aconteceu, não deixou de ser um choque, ainda mais por se tratar de algo que ninguém sabia como se transmitia e o que poderia causar. “Na parte profissional foi devastador. Na segunda semana de março tive simplesmente todos os meus contratos cancelados ou adiados, levando meu faturamento a zero. Eu tinha uma reserva, mas mesmo assim foi bem complicado, já que não existiam perspectivas”, relembra. Bruno viveu a semana de luto, e logo no início da quarentena começou a pesquisar outros mercados. Percebeu que o mercado de eventos não trabalhava com Ciência de Dados, e que podemos dar respostas em tempo real sobre as dores dos participantes (leads). 

Com uma amiga, criou a Event Mining, uma startup de inteligência de dados para eventos. “Criamos um novo jeito de se fazer Inbound Marketing, porque levamos para dentro do evento interatividades que fazem os participantes revelarem as suas vontades, anseios e dores, tudo isso em tempo real”, conta. Segundo ele, isso faz com que a empresa realizadora do evento consiga entender realmente quem são seus leads e assim, poder usar as informações para tomar decisões. 

“Nossa realidade mudou e muda todos os dias. Não podemos esperar tudo passar. Costumo falar que não devemos pensar fora da caixa, temos que morar fora dela. Isso me fez olhar essa possibilidade de usar Inteligência de Dados em Eventos, trazendo uma nova perspectiva de fazer o que todo mundo faz de forma mais rápida e mais eficiente, mostrando a relevância e a importância que o setor de eventos tem para a economia do país”, ressalta.

 

 

Daniele Ribas Santos - da coordenação de eventos à prospecção de leads para eventos

A chegada da pandemia pegou a todos de surpresa, e não foi diferente com Daniele Ribas Santos, relações públicas que trabalha como coordenadora de eventos há 18 anos. Num primeiro momento, não esperando que a paralisação do setor fosse tão longa, reagendou os eventos. Mas teve de reagenda-los novamente. Passados três meses de pandemia, surgiram cursos e discussões abordando os assuntos sobre eventos online, híbridos e digitais. Foi em uma live de gestores de tecnologia sobre prospecção de clientes que comecei a pensar e adaptar o tema para a área de eventos. “Essa prospecção de clientes para os novos formatos de eventos poderia ser uma maneira de produzir uma agenda de compromissos para a retomada dos eventos”, conta ela que, atualmente, trabalha no Projeto Radar, que prospecta e qualifica leads com foco em eventos. A empresa recebe um Programa de Comunicação personalizado do seu calendário de eventos para lançamento de produtos, eventos de campanhas comerciais e confraternizações. “Hoje estamos mais preparados para enfrentarmos os desafios. Quando isso tudo passar, vamos ter de considerar o formato híbrido em todos os eventos, o que considero bem positivo”, considera.

 

 

Luli Locatelli - das treliças e parafusadeiras à direção técnica

Com 20 anos de experiência em eventos, a produtora de eventos Luli Locatelli, produtora e gestora de projetos da Balaio de Eventos Produções se engajou na produção de eventos online, lives, vídeos e eventos híbridos, desde a produção de conteúdo até a direção técnica. Paralelamente a isto, Luli se uniu a Marion Souza, produtora da Zero Problema Produções e a Kati Zanda, parceira da área de tecnologia e programação. Juntas, montaram uma Plataforma Exclusiva para Fornecedores de Eventos e Audiovisual chamada VAI TER EVENTO, que já conta com cerca de 190 categorias de serviços, com o intuito de organizar a volta do setor. “Nesta plataforma, reunimos de forma gratuita os fornecedores de serviços para o setor. Tudo fica disponível, também gratuitamente, para pesquisa. Quando voltarmos, estaremos preparados para seguirmos em qualquer caminho! Produção é sempre superação!”, ressalta.  

 

Leno Dürrewald - alta gastronomia entregue em casa

Com queda de 90% no faturamento, em abril de 2020, o chef Leno Dürrewald também encontrou o caminho da reinvenção do Styllu’s - referência em alimentação para eventos sociais e corporativos há mais de 20 anos - durante a pandemia. O Styllu’s2Go entrega pratos da alta gastronomia congelados para serem finalizados em casa com tempo que varia de 10 a 20 minutos em banho-maria. São 13 pratos exclusivos - incluindo opção vegana - preparados artesanalmente, mas que unem o amor pela cozinha, o sabor da cozinha tradicional do Styllu’s com a tecnologia. Produtos diferenciados que servem de duas a três pessoas. As vendas iniciaram em novembro por meio de WhatsApp ou direto no site, com entrega imediata, todos os dias da semana. Os produtos são levados por entregadores próprios e treinados. Tudo para proporcionar uma melhor experiência ao cliente. Em breve, os produtos poderão ser encontrados nos supermercados gourmets de toda a cidade. “Tenho certeza de que é apenas o início de uma nova jornada, que não teria acontecido se não tivéssemos passado pelo desafio de sobreviver à Covid-19. Foi um presente de Deus”, considera o chef. 

Quer sugerir algum tema para a nossa coluna? Entre em contato pelo e-mail: alisson@sousb.com.br.

Alisson Barcelos

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    Alisson Barcelos Formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda com mais de 25 anos de experiência no mercado de eventos. É cofundador da SB+ Eventos, empresa referência em produção de eventos em Santa Catarina e diretor de Eventos Especiais e Confrarias da ADVB/SC. No Portal Acontecendo Aqui, vai falar sobre o que mais entende e ama fazer: eventos, logicamente.

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