Ana Lavratti entrevista Maria Clara Kaschny Schneider

26 de Abril de 2021

IFSC, onde foi reitora por 8 anos, obteve a melhor avaliação entre os institutos federais do país

Maria Clara Kaschny Schneider: de Matemática a Magnífica Reitora

 

O Ministério da Educação e o INEP divulgaram no dia 23 de abril o ranking que denota a qualidade das instituições de Educação Superior, e entre os 19 cursos avaliados, o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) obteve a melhor classificação entre os institutos federais do país. Personagem do meu livro, VOCÊ MULHER AINDA MELHOR, Maria Clara Kaschny Schneider se despediu da reitoria do IFSC há exatamente um ano, e comemorou, já aposentada, os avanços que liderou na longa trajetória a serviço da Educação, desde que se mudou para Florianópolis há mais de 40 anos. 

 

Ao ingressar na faculdade de Matemática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Maria Clara Kaschny Schneider conhecia de perto qual cálculo não pretendia fazer: das contas que não fecham ao final de cada mês. Aconselhada pela mãe, que enfrentou sem emprego um processo de divórcio, só aceitou se casar aos 19 anos com Enio Schneider se pudesse seguir a formação e investir na própria carreira. Totalmente decidida a ter autonomia, nem a mudança do casal para Florianópolis a impediu de transferir a faculdade para a UFSC e se formar, grávida da segunda filha.

 

Conciliando a criação da Juliana e da Fernanda com aulas particulares em domicílio e aulas de matemática em escolas públicas e privadas, Maria Clara se submeteu à seleção de professores para a Escola Técnica Federal, em 1989, obtendo o primeiro lugar na prova teórica e o segundo na prova prática, didática, concorrendo com cerca de 100 candidatos. Absorvida pelas novas possibilidades, nem mesmo o nascimento da terceira filha, Cristina, a impediu de buscar uma especialização longe de casa, em Minas Gerais.

 

À medida que a Escola crescia, a motivação se multiplicava, com Maria Clara aderindo ao Programa de Pós-graduação para Professores, ingressando no Mestrado na UFSC em 1998, mesmo ciente de que voltar a estudar não representava nenhuma regalia na agenda de docente. Nos sete anos de formação, emendando o Mestrado e o Doutorado na Engenharia de Produção, muita coisa mudou, com a separação após 27 anos de casamento, a evolução da Escola Técnica para Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) e o convite para integrar um programa do Ministério da Educação, contribuindo com o credenciamento de cursos superiores de tecnologia em diferentes estados.

 

Já Doutora, mais duas promoções vieram sincronizadas, com Maria Clara assumindo o posto de Pró-Reitora de Pesquisa justamente quando o CEFET igualava o seu status ao das grandes universidades brasileiras, transformado em Instituto Federal de Santa Catarina no seu centenário de fundação. Na prática, isso significava mais cursos em nível de Mestrado, mais bolsas de pesquisa e mais visibilidade para o seu trabalho, até ser recrutada pelo CNPq para compor, como membro de Notório Saber, a Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior.

 

Paralelamente, em 2011, Maria Clara dava início à campanha para ser a primeira Reitora do IFSC, então com 19 câmpus, cargo para o qual foi eleita e reeleita, permanecendo por oito anos e quatro meses não apenas na cúpula do Instituto, mas também no Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação (CONIF), que contava, à época, com apenas seis mulheres entre os 41 membros participantes. Neste período, o IFSC passou a oferecer ensino gratuito para 44 mil alunos, triplicando o número de matrículas, saltando também de 1.500 para 2.500 servidores.

 

Representando o IFSC no CONIF, no Conselho Superior de Institutos em outros estados, como Brasília e Paraná, no Conselho do SENAI e da Fapesc, Maria Clara sempre se orgulhou dos números a apresentar: 5 mil novos alunos, vinculados ao Centro de Referência de Educação a Distância e Formação; mais de 400 alunos enviados para mais de 50 países em programas de intercâmbio, mais de 20 mil participantes no II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em 2012, e 1.200 estudantes mobilizados na Olimpíada criada em sua gestão. Denominador comum de tantas conquistas, o raciocínio lógico encontra par na empatia, no genuíno interesse pelos servidores, professores e em especial pelos alunos. Ao se despedir da reitoria, em abril de 2020, Maria Clara deixou um legado ainda maior do que a sua altura, com 1m79cm: o exemplo de liderança participativa e de protagonismo feminino. É sobre isso que nós conversamos, na entrevista abaixo, durante a sessão autógrafos do livro.

 

 

 

 


 

 

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ENTREVISTA: Gravação e edição da Canal 3 / TV Sebrae

FOTOS: Gabriela Müller

 

Maria Clara Kaschny Schneider comemorando com uma mulher que usa roupa vermelha
com a amiga Karin Beck

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