MEMÓRIA | Referências da criação mundial projetam continuidades e disrupções pós-pandemia

14 de Agosto de 2020

A riqueza das colaborações num contexto predominantemente digital e um formato de trabalho mais horizontal

Matéria publicada originariamente no da 25 de junho de 2020

 

Quinta-feira, 25, foi dia do Lions Live colocar especialistas do ramo da criação para sondar o que ficará em pé, o que cairá e o que brotará na indústria criativa na sequência do coronavírus. A plataforma de transmissões de Cannes apresentou em seu quarto dia de conferências uma sequência de debates tão plurais quanto interessantes. 

Estiveram reunidos num dos debates mais esperados da semana Lorraine Twohill (Google), Steve Stoute (Translation), David Droga (Droga5), Mark Read (WPPCO) e Jean Lin (Isobar). Esse time de primeira linha discutiu que tipos de impacto os efeitos da crise da pandemia surtirão na indústria da criação.

Apesar do momento traumático, a atual realidade abre espaço também para observar boas tendências, como a riqueza das colaborações num contexto predominantemente digital e um formato de trabalho mais horizontal, desafiando hierarquias.

No entanto, David Droga observou com preocupação a mudança do trabalho para longe dos escritórios. O criativo mais galardoado da história do Cannes entende que essa mudança de dinâmica leva à perda de um “ambiente e de uma alquimia que vem de as pessoas coexistirem e criarem umas com as outras.”

Também merece menção o ponto de vista de Steve Stoute sobre a questão racial em um momento de grande reviravolta: ele acredita que todas as marcas e agências precisam definir e manter uma política negra, e se declara consternado por empresas reagirem com surpresa aos protestos por direitos civis.

Outro destaque do dia foi a palestra de Scott Galloway, professor de Marketing da Universidade de Nova Iorque. Prevendo 5 a 10 anos de crescimento econômico vagaroso no pós-pandemia, Galloway identificou agentes econômicos que entrarão numa provável aceleração nesse período: gigantes da tecnologia do porte de Microsoft, Facebook, Apple, Amazon e Google, que são responsáveis por consolidar o mercado atualmente. 

Esses são apenas peças de um diagnóstico maior, agridoce e interessante, sobre o efeito do coronavírus sobre a sociedade, os mercados e os negócios.

Por fim, a apresentação da Dazed Media, dados do relatório anual “The Era of the Monomass” foram divulgados com perspectivas para marcas e mídia: a nova geração de consumidores está adotando identidades fluidas e se definindo com base em seus interesses. 
 
A conexão com esse novo público requer das marcas a adoção de uma “persona” coletiva e a identificação de pontos comuns em diversas manifestações culturais. Constatou-se o fim da “era dos influenciadores”, substituída pela análise, ação e advocacia pública do bem comum pelas próprias marcas. 

Notícias Relacionadas